INDULGÊNCIAS CONCEDIDAS PELA IGREJA - Como funciona

INDULGÊNCIAS CONCEDIDAS PELA IGREJA - Como funciona

ANTES porém de falar sobre o que é uma INDULGÊNCIA ou como consegui-la, é preciso primeiro que saibamos alguma coisa sobre o pecado e sobre as suas conseqüências. E perguntamos:

 

a) Que é o pecado?

Todo o pecado seja ele VENIAL ou leve, seja MORTAL ou grave, é sempre uma ofensa que nos priva da comunhão com Deus e é também uma ofensa aos irmãos, na medida em que fere também a Igreja, o corpo místico de Cristo e por isso tem uma dupla conseqüência, isto é, a Culpa e o Dano, o chamado "REATO".

1 - A culpa é a causada perante Deus, por qualquer pecado cometido por nós, pois ele sempre representa uma ofensa a Deus, que é puríssimo e é perfeitíssimo, e sendo pecado mortal, nos priva inclusive da vida eterna;

2 - O dano é causado a nossos irmãos, porque qualquer pecado cometido, tanto ofende a Deus, quanto afeta ou atinge a cada um de nós que somos o Corpo Místico de Cristo e vivemos em comum união.

Isto significa que o pecado de uns é a causa dos males que acontecem a outros. Ou seja, por causa de qualquer pecado que eu cometo, outra pessoa deixa de receber uma graça, ou é prejudicada em sua vida ou sua alma; o pecado de uns prejudica a todo o Corpo Místico. Então a perfeita justiça divina exige, que este dano seja reparado, para o bem da alma da pessoa que o cometeu. Como nada podemos fazer para Deus, diretamente, que apague este dano, se não nos desculpamos diretamente e sanamos o mal causado, aliando a isso um profundo arrependimento e um firme propósito de emenda, devemos reparar este dano nos purificando no purgatório. Então perguntamos:

 

b) Como isso funciona?

A culpa: É apagada perante Deus pela confissão e a absolvição, feitas apenas por um sacerdote, que para isso recebeu do próprio Jesus o poder de perdoar pecados, (Jo 20,23)e é mais ou menos como se Deus dissesse: Para Mim filho, você não deve mais nada; vai e não tornes a pecar!(Jo 8,11). Assim, Deus SEMPRE perdoa a todos aqueles que a Ele recorrem contritos, humildes e profundamente arrependidos. Quer dizer: Deus NÃO pode perdoar, a quem a ELE deixa de recorrer, através do seu sacerdote, até sob pena de se contradizer, pois Jesus outorgou aos sacerdotes este poder. Há apenas um momento, o da morte, onde alguma coisa acontece ainda entre a alma e o Criador, que não conseguimos explicar. São Bernardo diz inclusive, que "entre o momento da morte e a eternidade existe um abismo de misericórdia". Sabe-se que a alma, mesmo aquela renegada, recebe de Deus a graça de, naquele último milésimo de segundo ainda decidir por Ele. Mas não vale a pena "pagar para ver", porque nestes casos o purgatório é quase infinito, ou seja, um "quase inferno", eis que a "distância" entre ambos é de "milímetros ". Segundo revelações particulares, um dos sofrimentos mais angustiosos das almas que estão no mais profundo purgatório, "é ouvir os gritos lancinantes das almas condenadas" eternamente no inferno.

Desta forma, ainda que só se percam aqueles que assim o quiserem e aqueles que acham seu pecado maior que a misericórdia divina, o tal "pecado contra o Espírito Santo" e que não tem perdão, é melhor construirmos AQUI, em vida, a nossa "PONTE", edificando sob Jesus e conquistando AQUI os méritos e as graças, (ou "pedras") necessárias para cimentar a estrada que nos leva direto aos braços do Pai Eterno, no exato momento da morte.

O dano: Ora, sabemos que o pecado é a causa de todo o mal. Quer dizer, o pecado de cada um é fonte do mal que acontece a todos, pois se não houvesse nenhum pecado no mundo, não haveria mal nem maldade e nenhum mal atingiria ninguém, sob nenhuma forma. Como conseqüência, mesmo depois de havermo-nos confessado e recebido a absolvição, resta ainda o dano a ser sanado ou reparado. A Justiça Divina precisa ser satisfeita, pela reparação completa do mal causado aos irmãos, pois todos fazemos parte do Corpo Místico de Cristo. E isso nem sempre se consegue, apenas pelo cumprimento da penitência imposta pelo sacerdote, porque quase nunca há uma contrição verdadeira e um arrependimento profundo e sincero. Resta quase sempre, ainda um saldo de dano a ser reparado. Assim, no fim da vida, a soma destes danos acumulados e a gravidade deles é que vai determinar o tipo de expiação exigida e a duração e a intensidade da pena que devemos pagar no purgatório, após a nossa morte.

Na prática é mais ou menos o seguinte: Se eu roubo alguma coisa, roubo de alguém! Certo? Então não basta eu receber o perdão de Deus através do sacerdote. É preciso que eu devolva o bem roubado e peça perdão ao meu irmão. Como quase ninguém faz isso em vida, fica o dano a ser reparado no purgatório, logo após a morte da pessoa.

 

c) Quanto tempo se fica no purgatório?

Resposta: Pode ser por apenas um segundo... como pode ser também de um milênio. No livro da Maria Sima, consta o caso de um sacerdote que estava há mais de 1.500 anos no purgatório. Já santa Francisca disse que: "as almas passam no purgatório, em média 30 anos". E isso é terrível!

Que acontece então? Se a pessoa em vida reza o suficiente, sacrifica-se, isto é, "toma a sua cruz e segue a Jesus", sem reclamar, no momento da morte terá o suficiente em graças ou méritos alcançados para "contrabalançar" os danos a serem reparados e nada restará a pagar. Por outro lado, se a pessoa não reza o suficiente em vida, não vive a caridade e foge de todas as formas de sofrimento, isto é, da sua cruz diária, coisas absolutamente necessárias para obter as "pedras" ou "graças" capazes de saldar aqui todas as suas dívidas para com a perfeita Justiça Divina, quando vai a eternidade precisa antes expiar essas faltas, porque ninguém chega impuro, diante da pureza infinita de Deus. Eis então que a espera o purgatório, para que a alma se purifique plenamente. Como no purgatório ela não pode rezar por si mesma, torna-se "mendiga" de graças e se não rezam daqui por ela pode passar até séculos sofrendo. Se rezam, vai ao céu mais rápido! É por isso que se reza ou se manda celebrar Santas Missas pelas almas após a morte.

Um coisa porém temos que ter em mente. "O amor é a medida de todas as coisas!" Isto é, depende do amor que temos a uma oração ou à Santa Missa, o valor da graça alcançada. Quem reza sem vontade ou sem devoção, tem os méritos muito diminuídos e portanto recebe poucas graças. Quem durante a vida não teve amor profundo à Santa Missa nem amou a Eucaristia, ou assiste o Santo Sacrifício sem devoção, de nada lhe adiantará mandar celebrar missas depois de morto, embora esta seja a maior das orações. Temos pois que amar profundamente aqui, para ter-mos méritos lá.

Vê-se então que o purgatório, longe de ser um castigo divino, é um verdadeiro abismo da divina misericórdia, pois se o Pai não permitisse este intercâmbio incrível de graças, entre padecentes, glorificados e nós os militantes, quase não haveria santos no céu. Haveria sim é um inferno intensamente povoado.

 

d) E onde entram as Indulgências?

Entram exatamente aqui! Como? A Igreja, detentora dos méritos únicos e exclusivos, resultantes da Paixão e da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, é coletora e despenseira das graças dela resultantes, provenientes das orações d\e todos os fiéis, dos seus sacrifícios, penitências e reparações. Ou seja, a soma das orações, dos sacrifícios, das penitências e das poderosíssimas Santas Missas e tantos outros meios de salvação que nos foram deixados por Jesus, passam a fazer parte do tesouro da Igreja. Este tesouro, pode ser canalizado por ela e, mais facilmente através de Maria que é medianeira de "todas as graças", para Jesus nosso Redentor e Salvador, único caminho de salvação e Dele ao Pai, para a quitação dos "débitos" da almas, com a perfeita justiça de Deus. Jesus deu este poder a Sua Igreja!

Assim, ao conceder uma indulgência, seja através da participação de um ato litúrgico, seja de um canto, ou de uma oração, a Igreja nada mais faz do que retirar de seu tesouro uma parte dele e canaliza-lo para quitar o débito da pessoa, que cumpre perfeitamente o ritual imposto para se conseguir a indulgência.

 

e) Como pode ser a indulgência?

 

1) PARCIAL: Significa a remissão de parte do tempo que a pessoa deveria permanecer no purgatório, por exemplo, 10 dias, cem dias etc. Exemplo: Antigos cânones da Igreja, nunca revogados e portanto em pleno vigor, dão 7 (sete) dias de remissão de pena de purgatório, para cada vez que você pronuncia com devoção os Santíssimos nomes de Jesus e de Maria; Quanto representa um terço? E um rosário? Faça as contas! Estes mesmos cânones prescrevem, sete, dez ou até quinze anos de purgatório, por apenas um pecado mortal. Este é apenas um exemplo. Eis porque o Rosário, depois da Santa Missa é a oração mais indulgenciada. Vemos assim, que a indulgência parcial, redime apenas parte do dano, diminuindo o tempo de purgatório, conforme o mérito de quem consegue a graça.

 

2) PLENÁRIA: Significa obter a remissão TOTAL, de todas as penas devidas, por TODOS os pecados da pessoa, já perdoados quanto a culpa através da confissão, até aquele dia e aquela hora da indulgência obtida; Quer dizer, se a pessoa morresse naquela hora, iria direto ao céu, sem ter que passar nem um minuto pelo purgatório. Incrível! Se então, como diz a grande Santa Francisca, a média de as pessoas passarem no purgatório é de trinta anos, vemos que trinta anos de sofrimento podem ser evitados por um simples ato de obediência e humildade. Por um simples ato de fé, porque é preciso acreditar na misericórdia divina e é preciso cumprir plenamente os pré requisitos exigidos e as condições impostas pela Igreja para que a pessoa alcance o mérito da indulgência. A Plenária elimina e repara então TODO o dano e toda a culpa devida, por todos os pecados, até aquele dia. Se acreditamos na Igreja, se sabemos que a ela foi conferido o poder de conceder indulgências, porque iremos deixar de buscar estas preciosas graças?

ENFIM: Preparemo-nos, pois "ninguém sabe o dia nem a hora". Os tempos são maus e tudo pode acontecer de repente. Tenhamos pois nossas "lâmpadas cheias de azeite, pois o Noivo se aproxima". E quanto menos contas tivermos a pagar, tanto mais carinhosamente Ele nos acolherá em Seus braços, e menor será nosso sofrimento!

 

LIVROS INDICADOS: (Tenha todos em casa. Eles valem um tesouro infinito!)

1) CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – Editora Vozes Ltda – 1993. (Ed. Loyola – Fone: 011 914-1922)

2) MANUAL DAS INDULGÊNCIAS – Editora Paulus – 1990 – Fone: 011 5084-3066

3) O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS – Prof. Felipe Aquino – Editora Cléofas – 1998 – Fone: 012 552-6566

 

Fonte: Apologética