CONFISSÃO - A fonte maravilhosa da Paz - 2ª Parte

CAPÍTULO III  - POR QUE CONFESSAR-SE AO PADRE?
"Eu me confesso diretamente com Deus".
É o que a gente ouve a cada passo por aí.
 
À primeira vista a pergunta parece ter sentido. Mas só parece. Na realidade porém, o Ssenhor dispôs de outro modo. É que quem a faz, ou ignora, ou não entendeu a forma como o Senhor instituiu este sacramento. Vejamos:
 
Na tarde do dia da Ressurreição, que era o primeiro da semana (Domingo), os discípulos se achavam reunidos à portas fechadas no Cenáculo, por medo dos judeus. Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou assim também eu vos envio a vós". Depois destas palavras soprou sobre eles dizendo: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes (a quem não perdoardes) ser-lhes-ão retidos." (Jo 20,21)
 
Portanto, o Senhor deu aos apóstolos - e só aos apóstolos - o poder de perdoar ou reter os pecados. Conseqüentemente, só os bispos, que são os legítimos sucessores dos apóstolos, têm esse poder. Os bispos, por sua vez, transmitem-no aos seus sacerdotes. Ora, para que o bispo ou o sacerdote saiba se pode perdoar, ou se deve reter (isto é, NÃO PERDOAR) os pecados, é necessário que o penitente lhos confesse. Daí o nome de CONFISSÃO deste sacramento. Diz o Catecismo da Igreja Católica (1455 a 1458):
 
"A confissão dos pecados (acusação), mesmo do ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita nossa reconciliação com os outros. Pela acusação, o homem encara de frente os pecados dos quais se tornou culpado: assume a responsabilidade deles e, assim, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, a fim de tornar possível um futuro novo.
 
A declaração dos pecados ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da penitência: "Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência depois de se examinarem seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo, pois às vezes esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos".
 
Quando os cristãos se esforçam para confessar todos os pecados que lhes vêm à memória, não se pode duvidar que tenham o intuito de apresentá-los todos ao perdão da misericórdia divina. Os que agem de outra forma tentando ocultar conscientemente alguns pecados, não colocam diante da bondade divina nada que ela possa remir por intermédio do sacerdote. Pois, "se o doente insistir em esconder do médico sua ferida, como poderá a medicina curá-lo?"
 
Conforme o mandamento da Igreja, "todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano". Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental, a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor. As crianças devem confessar-se antes de receber a Primeira Eucaristia.
Apesar de não ser estritamente necessária, a confissão das faltas cotidianas (pecados veniais) é vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados nos ajuda a formar a consciência, a lutar contra nossas más tendências, a ver-nos curados por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo mais freqüentemente, através deste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como ele.
 
E a confissão comunitária, é válida?
 
A declaração dos pecados ao sacerdote constitui parte essencial do sacramento da penitência. Todavia, em casos de necessidade grave, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação com confissão e absolvição gerais. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia, exame de consciência em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai-Nosso e ação de graças em comum. Esta necessidade grave pode apresentar-se quando há perigo iminente de morte sem que o ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode também apresentar-se quando, tendo-se em vista o número de penitentes, não havendo confessores suficientes para ouvir devidamente as confissões individuais em um tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa de sua parte, se veriam privados durante muito tempo da graça sacramental ou da Sagrada Eucaristia. NESSE CASO, PARA A VALIDADE DA ABSOLVIÇÃO, OS FIÉIS DEVEM TER O PROPÓSITO DE CONFESSAR INDIVIDUALMENTE SEUS PECADOS NO DEVIDO TEMPO. Cabe ao Bispo diocesano julgar se os requisitos para a absolvição geral existem.
 
IMPORTANTE: Um grande concurso de fiéis por ocasião de grandes festas ou peregrinações não constitui caso de tal necessidade grave. A confissão individual e integral seguida da absolvição continua sendo o único modo ordinário pelo qual os fiéis se reconciliam com Deus e com a Igreja, salvo se uma impossibilidade física ou moral dispensar desta confissão. (Cfr. CIC ns. 1482 a 1484)
 
Quantas vezes por ano devemos confessar?
 
A lei da Igreja estabelece a obrigação de se confessar AO MENOS uma vez por ano, e sempre que se cometer um pecado grave.
 
AO MENOS, isso quer dizer que quem quiser seguir só a lei d Igreja, estará querendo dar a Deus o MENOS que ele puder. E no entando devemos dar a Deus o MÁXIMO. Pelo menos quem ama pensa assim. Lei exige o mínimo, amor exige o máximo. A Igreja exige o mínimo, desejando que o fiel procure dar o máximo.
 
Devemos confessar-nos freqüentemente porque PERDOAR OS PECADOS não é o único efeito do sacramento. Além do perdão dos pecados, o sacramento da confissão confere à alma um aumento de graça, ilumina a inteligência e fortalece a vontade contra o pecado, além do benefício de o penitente se conhecer sempre melhor.
 
A confissão é um banho espiritual. Você toma banho todos os dias para manter a higiene corporal. Porque não cuidar também de sua higiene espiritual?
 
São Leonardo de Porto Maurício, franciscano, confessava-se regularmente duas vezes por dia; e o Padre Rodolfo Komorek, jesuíta (em processo de beatificação) confessava-se todos os dias.
 
Se você tiver condição de se confessar com freqüência, faça-o. É uma graça inestimável.
 
Como o banho faz bem ao corpo! A gente fica com uma sensação tão agradável!... Da mesma forma, como a confissão faz bem à alma! A gente se sente tão leve, tão em paz! Não é verdade?
 
Descubra você também a alegria de uma boa confissão! 
  
 
CAPÍTULO IV  - O QUE É PECADO?

Já vimos como o arrependimento é importante na confissão, aliás é o mais importante. Porque sem ele não há perdão, e com ele, mesmo no caso de ser impossível a confissão (p. ex. no caso de uma morte repentina) a alma será perdoada.
 
Por isso é bom que você tenha uma idéia clara do que é pecado.
 
"Para entender o que realmente é o pecado necessitamos saber quem é Deus.
Muita gente tem uma idéia errada de quem e de como é realmente Nosso Senhor.
 
Deus não é um policial que se encarrega de manter a ordem aplicando multas às infrações. Nem é o árbitro de futebol que nos fiscaliza para nos surpreender em alguma falta. Deus não é um velhinho preocupado com as dívidas que têm para com ele.
Deus não é tampouco um juiz implacável que dita sentenças condenatórias sem consultar o seu coração, como o computador que corrige exames de matemática.
 
DEUS É AMOR, e no-lo demonstrou fazendo-se homem, rebaixando-se a se fazer homem como nós.
Estamos acostumados a ouvir que Deus se fez homem e não nos damos conta de que, para isso, teve de percorrer uma distância infinita: aquela que existe entre o infinito e o finito. Deus se rebaixou muito mais fazendo-se homem do que tu te rebaixarias convertendo-te em formiga ou em pedra. E se decidiu a isso simplesmente porque te ama. Seu amor é tão grande que quis criar um ser capaz de experimentar a felicidade de amar: TU. Se tivéssemos consciência desse amor, da imensidade do amor de Deus... quanta paz invadiria o nosso coração!
A nova edição do Catecismo da Igreja Católica ressalta como tela de fundo que o cristianismo não é uma coleção de proibições, mas um caminho de vida: o caminho de vida e crescimento que nosso Pai amoroso traçou para a felicidade dos seus filhos..." (Pe. Ricardo Sada, L.C. LA CONFESIÓN Edit. Nueva Evangelización)
Pecado é um ato de desobediência a Deus. Pecar é desobedecer a Deus. Deus ordena ao homem que faça umas tantas coisas, e lhe proíbe que faça outras.
Quando ordena, é coisa boa, que vai fazer o bem a quem obedece; quando proíbe, é coisa péssima, que vai causar toda espécie de males ao desobediente.
 
E o homem diz - não com a boca - mas com os seus atos: Não, não quero obedecer, quero fazer a minha vontade.
 
É isso o pecado.
 
Não foi o que fizeram Adão e Eva?
Senão vejamos:
 
Adão e Eva vivam felizes no paraíso. Todas as tardes o Senhor Deus vinha se entreter com eles familiarmente no jardim do Éden. Era uma intimidade maravilhosa, não só com Deus, mas com toda a natureza, com os passarinhos, com os animais...
 
E na primeira lei da primeira aliança de Deus com o homem, houve apenas uma cláusula proibitiva para o homem: Não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. O Senhor Deus disse a Adão: "Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim. Mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres morrerás indubitavelmente". (Gn 2,16-17)
 
Apenas um mandamento, e tão fácil.
E Adão não obedeceu. Seduzido pela mulher, acabou pecando; desobedeceu a Deus. E o castigo veio, o tremendo castigo que atingiu não só a ele e sua mulher, mas a todos os seus descendentes, a todos nós, até o fim do mundo, até o último homem.
 
É isso aí o pecado. Vale a pena ler os números 385 a 412 do Catecismo da Igreja Católica sobre esse pecado das origens, e por isso chamado PECADO ORIGINAL. Leia.
 
Pelas suas conseqüências podemos ter uma idéia da gravidade desse mal, que como já dissemos é o único mal do mundo, fonte de todos os outros males.
 
Quer ver como é terrível esse mal? Olhe para a cruz. Veja quem está pregado ali: é Jesus, o Filho de Deus, o Senhor do céu e da terra, dos anjos e dos homens, o Justo, o Imaculado, o Santo, o Santíssimo. E por que está pregado ali? Por causa do meu pecado, para pagar o meu, o seu, o nosso pecado. Sou eu, é você, somos nós que devíamos estar ali. Nós é que pecamos, nós é que contraímos a dívida, e tudo cai em cima Dele. "Em verdade, Ele tomou sobre si os nossos males e encarregou-se de nossas dores; e nós o reputávamos como um castigado, como um homem ferido por Deus e humilhado. Foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele, fomos curados graças aos seus sofrimentos". (Is 53,4-5)
 
Olhe para a cruz, aproxime-se bem. Veja o sangue caindo em gotas de suas mãos, escorrendo de suas chagas, saindo aos borbotões de seus divinos pés e banhando a terra. Feche os olhos e procure imaginar as dores lancinantes daquele Homem, suspenso no ar por três cravos...
 
Quando você comete um pecado grave é como se você pegasse o martelo e cravasse mais um prego naquelas divinas mãos, ou como se pegasse o chicote e lhe desse mais uma violenta chicotada.
 
Você vai continuar fazendo isso?
 
Examine a sua consciência, percorra com a memória todo o seu passado, peça-lhe perdão chorando e corra em busca de um sacerdote para se confessar. 

CAPÍTULO V  - UMA PALAVRINHA PARA OS JOVENS
  
Quantas vezes temos ouvido da boca de jovens, no confessionário, expressões como esta: "Mas padre, como pode ser pecado eu "transar" com meu namorado? Eu amo o meu namorado, e ele me ama. Para nós, isso é um ato de amor. Então, amar é pecado?"
 
Amar não é pecado, como "transar" não é amar. Até pelo contrário, é o oposto de amar. Amar é um ato muito nobre; "transar" ou qualquer outra forma de pecado contra o sexto mandamento - é um ato muito baixo, é ato do instinto animalesco do homem, e portanto de uma total irresponsabilidade.
 
Quantos crimes de aborto se cometem todos os dias, por causa de uma gravidez indesejada, fruto exatamente deste pecado!
 
Jovem, não se deixe instrumentalizar pelo seu namorado, que quer fazer de você um simples instrumento de prazer. O sexo foi feito por Deus para o casamento; só dentro de um legítimo matrimônio ele tem sentido, ele se torna um ato de amor, puro e santo. Fora do casamento, é prostituição. E falando de casamento, entenda-se CASAMENTO NA IGREJA. O assim chamado "casamento civil", não é casamento, é simples contrato para a convivência de dois a fim de garantir os direitos civis. Casamento é sacramento.
 
Trate o seu corpo com o respeito que ele merece. Seu corpo é templo do Espírito Santo. Templo é onde se reúne a Igreja, onde se exercem as funções sagradas, onde a Igreja reunida presta culto de louvor e adoração a Deus.
 
Pois bem, se um templo de pedra, por causa de sua destinação, merece tanto respeito, exige tanta ordem e limpeza, imagine o templo vivo do seu corpo! Seu corpo foi construído para ser morada de Deus, santuário do Espírito Santo de Deus. Por isso, São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: "Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?" (1 Cor 6,19). "Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum! Ou não sabeis que quem se une a uma prostituta faz-se um só corpo com ela, (faz-se prostituto com ela?)" (1 Cor 6,15-16)
 
Quando você peca contra o sexto mandamento, você profana, suja esse templo. É como se você fizesse entrar ali uma manada de porcos. É como se você pegasse uma prostituta e fosse pecar com ela dentro do recinto sagrado, diante do sacrário, na presença de Jesus Sacramentado. É isso mesmo. E pior ainda: pecando dentro do templo, Jesus continua presente ali, no sacrário; pecando com o seu corpo, você expulsa Jesus do sacrário do seu coração, e do coração do seu parceiro.
 
Pecar contra o sexto mandamento é se prostituir e prostituir quem peca com você. O que é prostituição? Prostituição é praticar o sexo fora do plano de Deus, de maneira contrária ao mandamento de Deus. Há a prostituição da mulher que vende o seu corpo por dinheiro, e há a daquela que dá o seu corpo por "amor" (amor entre aspas), porque amor mesmo não existe aí.
 
Não é só a mulher que se prostitui, o homem também. Ele tembém tem a obrigação de se manter virgem até o casamento. Tudo o que foi dito aqui a respeito da mulher, da namorada, vale da mesma forma para o homem. Há moças também, já escoladas no mal, que tentam corromper um rapaz virgem.
 
Amor é outra coisa: amor é nobreza, é respeito, é busca do bem e do crescimento do outro em todos os níveis: físico, psíquico, moral e espiritual. Enquanto que o pecado é aviltamento, é destruição do companheiro ou companheira. Por causa de um momento de prazer, num ato de revoltante egoísmo, quantos rapazes não vacilam em destruir o que há de mais belo numa jovem: a sua pureza, a sua virgindade.
 
Rapazes, respeitem suas namoradas! Vocês gostariam que outros irresponsáveis estivessem prostituindo suas irmãs?
 
Meninas, respeitem-se a si mesmas e exijam respeito. Guardem o precioso tesouro de sua virgindade até o casamento! É a virgindade que vos aproxima da Santíssima Virgem Maria e vos identifica com ela. Como é a virgindade que aproxima os rapazes de São José.
 
Hoje está se alastrando entre os namorados a prática da assim chamada "masturbação a dois". Para não consumar o ato sexual, eles se desnudam e se masturbam um ao outro. E julgam que isso não é pecado grave. É tão grave e talvez até mais do que o ato consumado. A virgindade, mais do que no hímen intacto, está no respeito mútuo entre os parceiros.
 
Agora, se você tiver tido a infelicidade de perder a sua virgindade, não se desespere. Você pode recuperá-la espiritualmente. Tenha uma conversa séria com o seu namorado. Diga a ele que a partir de hoje você não mais permitirá liberdade com o seu corpo, que é templo do Espírito Santo. Procure ganhar o seu namorado para Deus. Se não o conseguir, termine o namoro, não se case. Depois do casamento você dificilmente o conseguirá.
 
Por fim, uma palavra sobre as revistas e filmes pornográficos.
Nossa Senhora em Medjugorje, deu uma mensagem dramática contra a televisão tal como ela se apresenta hoje. Disse que a televisão está destruindo a família, tal a carga de imoralidade de seus programas. Se é assim da TV, imagine o que diria dos filmes e revistas pornográficos! É impossível ter pureza de coração quem se envolve com essas imundícies.

continua na 3ª parte.....

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