DIANTE DO MODERNISMO - Como fica o matrimônio cristão

Atualmente, a luxúria, o erotismo, o jogo da sedução, os trejeitos das modelos, os trajes inapropriados para crianças, para o Sacramento do Matrimônio, para esposas, gestantes, mães, idosas, são utilizados por muitas mulheres que se consideram católicas.

Há dois mil anos  perdura a luta entre os que, corretamente defendem a Mansidão e Humildade dos filhos de Deus, para com a Doutrina da Igreja, e os que defendem a adaptação da Doutrina aos desejos dos filhos de Deus não-evangelizados.

Padre Joel, autor do texto abaixo, se insere no primeiro grupo. Ele ensina que é hora de voltar a descobrir a riquíssima doutrina tradicional da Igreja sobre o matrimônio para que volte nos corações o desejo de vê-lo espalhar-se de novo na sociedade humana.

Corajosa e objetivamente, ele compara as concessões à vontade humana inseridas no catecismo novo pós-conciliar e na lei canônica oficial nova, em detrimento do objetivo para o qual Deus quis o sacramento do matrimônio, em primeiro lugar.

 

MATRIMÔNIO CRISTÃO

Onde os homens apenas quiserem um contrato, Deus quer um sacramento! A diferença é enorme.

O sacramento do matrimônio faz dum contrato humano uma aliança sobrenatural, fonte de todas as graças que necessita diariamente a vida doméstica. Os católicos não devem esperar dos nossos governos modernos a demonstração da superioridade do casamento sacramental. Estes na sua imensa maioria desprezaram as advertências e os conselhos da Igreja. Mas, o fruto das liberdades modernas está diante dos nossos olhos. Divórcio, perversidades, ódio da família e louvor da contracepção, culto do corpo e desprezo do feto. A Liberdade revolucionária quis mudar os planos de Deus a favor dos homens! Mas o que produz é nossa sociedade moderna, desafio contra Deus e desordem cada dia mais insuportável para os homens.

Os vinte séculos de história da Igreja católica são também vinte séculos de defesa da vida doméstica. “Deve-se, portanto, afirmar que a Igreja católica foi maximamente benemérita do bem comum de todos os povos, ela que sempre teve em vista a defesa da santidade e perpetuidade dos matrimônios. Assim como grande deve ser a gratidão para com ela por ter sempre abertamente protestado contra as leis civis tão corruptas que já há cem anos vêm sendo promulgadas a este propósito: por ter anatematizado a péssima heresia dos protestantes sobre os divórcios e os repúdios; por ter condenado de muitas maneiras a quebra dos laços dos matrimônios tão freqüentes entre os gregos; por ter decretado que são nulas as núpcias celebradas com a condição de que algum dia possam ser dissolvidas; e finalmente por ter rejeitado, desde os primeiros tempos, as leis imperiais que eram funestamente favoráveis aos divórcios e aos “repúdios” (encíclica Arcanum de Leão XIII – O matrimônio cristão – Ed Paulus Documentos da Igreja Vol.12)

Mas como se os ataques de fora não fossem suficientes, a Igreja afronta desde há já várias décadas, assaltos internos contra a sua própria doutrina.

É hoje no catecismo novo pós-conciliar e na lei canônica oficial nova de 1983, que conseguiram infiltrar-se os erros mais graves contra o matrimônio. A própria intenção divina está traída no cânone 1055 do novo código de direito canônico de 1983! Deus quis o sacramento do matrimônio, em primeiro lugar, para povoar a terra e “gerar filhos para a Igreja ‘concidadãos dos santos e membros da família de Deus’ Ef. 2,19” lembra o Papa Leão XIII na encíclica Arcanum.

O novo direito coloca essa intenção divina como secundária e simples conseqüência do bem dos cônjuges. Nas edições Loyola que difunde a tradução oficial da CNBB, temos o impressionante comentário seguinte para o cânone 1055: “Fica assim substancialmente modificada a posição do Código de 1917, que estabelecia certa hierarquia, ao falar de ‘fim primário’ e ‘fim secundário’. Agora, os dois fins são enumerados como algo que flui naturalmente do próprio ser do matrimônio”.

Que abominação! Para salvar o matrimônio do naufrágio completo é então hora de lembrar claramente que a lei divina não pode sofrer modificações por parte dos homens sem gravíssimas conseqüências! “Pois uma lei não merece obediência, senão enquanto é conforme com a reta razão e a lei eterna de Deus” (S. Tomás Sum. Teol., I-II, q.93, a.3 ad 2).

E para os cristãos é hora de voltar a descobrir a riquíssima doutrina tradicional da Igreja sobre o matrimônio para que volte nos corações o desejo de vê-lo espalhar-se de novo na sociedade humana.

Que a Sagrada Família nos ensine o valor e a necessidade das graças desta Aliança, elevada ao nível de sacramento, por Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do gênero humano.

Padre Joel Danjou, FSSPX