JUÍZO FINAL - Salvação ou condenação

JUÍZO FINAL - Salvação ou condenação

Não fomos nós que escrevemos a Bíblia.

Os textos sagrados não são algo que possamos manipular arbitrariamente. Tudo o que está escrito na Bíblia é para nós ponto de referência obrigatório. Mas isto não quer dizer que devamos assumir uma atitude fundamentalista face à Bíblia. Os fundamentalismos derivam de uma miopia mental que distorce a realidade. A obrigação de tomar como ponto de referência todos os escritos bíblicos, corresponde ao dever de os analisar, colocando os respectivos textos no seu contexto, a fim de descobrirmos o que os autores sagrados queriam dizer.

 

 a) Antigo Testamento

           Assim, em relação ao Juízo Final, temos de recuar até aos escritos dos profetas, os quais anunciaram o dia da ira como o dia em que Deus iria pôr as coisas no sítio certo.

           O Pecado e a iniquidade não têm lugar no plano de Deus. Por isso os profetas falavam do dia da intervenção purificadora de Deus, dia trágico que passou a chamar-se o dia da ira ou de Yahvé.

           Esse dia é repetidamente descrito como um dia de tragédia universal. É o dia em que Deus vai purificar a Humanidade, destruindo os pecadores. Mas é também o dia em que se manifesta a bondade de Deus ao salvar o resto fiel dos justos.

Ao lado da face trágica do castigo, o dia da ira tem também uma face consoladora, pois é o dia em que Deus dá o dom da salvação ao resto fiel.

          O “Shalom”, isto é, a felicidade, a paz e a prosperidade, será o grande dom final de Deus, mas apenas para este pequeno resto. O profeta Isaías diz que Deus, nesse dia, vai fazer justiça e punir a maldade. O Senhor tem um exército celeste, constituído por uma multidão de anjos preparados para executar o castigo divino.

        Os homens olharão uns para os outros cheios de terror. Hão de gemer como uma mulher que está para dar à luz. O Sol e a Lua deixarão de brilhar (Is 13, 4c-10).   Os habitantes da Terra serão destruídos e reduzidos a um pequeno número (Is 24, 6).

         Depois, Deus reunirá o resto fiel dos diversos quadrantes da terra e com ele reinará em Jerusalém (Is 24, 23). Nesse dia, os justos falecidos ressuscitarão, a fim de tomarem parte no Reino glorioso de Deus (Is 26, 19).

Esse dia será de vingança. O pequeno resto será salvo (Is 35, 4). E Deus habitará para sempre na Jerusalém restaurada. Finalmente a promessa feita a  David será plenamente realizada (Is 55, 3-5).

A Nova Jerusalém não precisará de luz, pois no seu centro está a glória de Deus. O Senhor será a sua luz eterna, pois habitará para sempre no meio dos justos (Is 60, 19-21). A salvação do resto fiel não ficará a dever-se a um anjo, mas à presença do próprio Deus no seu meio (Is 63, 9).

Yahvé vai renovar todas as coisas. Vão surgir novos céus e uma nova terra. Deus vai suscitar uma nova Jerusalém onde habitará o “Shalom”, isto é, a paz, a prosperidade e a felicidade para sempre (Is 65, 17-18).

Os pecadores escusam de pôr a esperança no Templo ou no culto. Nenhuma casa pode Ter a pretensão da presença de Deus. A “shekinah” (o ponto da Terra sobre o qual incide o olhar de Deus) é o coração dos humildes e dos arrependidos do seu pecado. São estes os que agradam a Deus.

Não são os sacrifícios que agradam a Deus mas sim a misericórdia para com os fracos e os desprotegidos. É esta atitude de coração que purifica e obtém o perdão dos pecados (Is 1, 12-19).

O senhor vai punir através do fogo. Julgará os mortais pelo fogo e a espada. Muitas vão ser as vítimas da cólera divina naquele dia (Is 66, 15-16).

O resto fiel  permanecerá para sempre com o Senhor. Os cadáveres serão causa de pânico e horror para os justos. O fogo que os pune não se extinguirá (Is 66, 18-24).

Também o profeta Jeremias diz que o templo, no dia da ira, será destruído (Jer 26, 9). O Senhor entregará os pecadores ao fio da espada. O flagelo estender-se-à sobre toda a terra, transformando-a num deserto devido ao fogo da cólera de Deus (Jer 25, 29-37). Apenas o resto fiel será salvo (Jer 31, 7-8).

Nesse dia, Deus fará com o resto fiel uma Nova Aliança, a qual não será fundamentada na letra da Lei mas no dom do Espírito que habitará no coração dos fiéis (Jer 31, 31-34).

O profeta Ezequiel viveu na Babilônia. Tocou-lhe fazer a dura experiência do exílio. Interpreta os sofrimentos do exílio como sendo o início do dia da ira. Faz apelo aos judeus para que se mantenham fiéis, a fim de se tornarem o resto escolhido para habitar na Jerusalém restaurada com a casa de David.

O dia do Senhor está próximo. O dia do terror está iniciado com o exílio. Por isso já não há alegria sobre as montanhas de Judá. O Senhor vai derramar a Sua cólera. Aproxima-se o tempo. O dia está próximo. Nesse dia o ouro e a prata não poderão salvar (Ez 7, 5-19).

Os justos vão ser assinalados, a fim de escaparem à ira do Senhor. Todos serão exterminados, exceto os assinalados na fronte. Estes constituem o pequeno resto que Deus vai poupar. (Ez 14, 22). A matança vai começar no templo (Ez 9, 4-6).

Deus vai conceder um coração e um espírito novos aos que restarem fiéis. Estes serão reconduzidos para Jerusalém onde encontrarão a felicidade, a paz e a prosperidade (Ez 11, 17-19).

Os poderosos vão ser humilhados. Os simples e pobres vão ser exaltados: “Retira a tiara. Depõe a coroa. As coisas vão mudar, pois o humilde será exaltado e o que está no alto será humilhado (Ez 21, 30-31).

O dia da ira atingirá a Terra inteira, punindo todos os povos (Ez 30, 3s). Nesse dia os céus ficarão encobertos. As estrelas e demais corpos celestes deixarão de brilhar. As trevas cobrirão a Terra (Ez 32, 7-8).

À frente do pequeno resto, que é o rebanho de Deus, o Senhor vai colocar um pastor que sairá da casa de David. Então Yahvé será o único Deus e o descendente de David o único pastor. Israel viverá numa paz sem limites (Ez 34, 11-25).

Os que forem achados fiéis serão renovados, pois o Senhor vai tirar do seu peito o coração empedernido, infundindo neles o Seu Espírito (Ez 36, 24-28). Este resto a sofrer no exílio parece um montão de esqueletos ressequidos. Mas estes ossos vão ressuscitar, graças à ação do Esp. de Deus (Ez 37, 5-12).

A vitória do resto fiel será precedida de uma batalha final entre o bem e o mal (Gog e Magog). Os eleitos de Deus, vencerão  e permanecerão para sempre (Ez 38, 3s). Os maus nunca mais profanarão o Santo Nome de Deus. É tudo isto que o Senhor está a anunciar através dos acontecimentos do exílio (Ez 39, 6-8).     A nova Jerusalém terá doze portas, cada qual com o nome de uma tribo de Israel (Ez 48, 31-35). Isto significa que o reino de David vai ser restaurado na sua grandeza primordial. Com a morte de Salomão, o reino de David dividiu-se e nunca mais se unificou (1 Rs 12, 16-24; 2 Cron 10, 16-19).

No século segundo antes de Cristo, altura em que foi escrito o livro de Daniel,o povo está a ser martirizado pelos selêucidas, descendentes de Alexandre Magno, os quais querem impor a cultura helenista aos judeus, bem como os seus princípios religiosos. O povo recusa-se a seguir o invasor e é martirizado.

O império dos selêucidas é uma estátua enorme, mas com pés de barro, o qual é despedaçado com uma pedrada (Dan 2, 31-43). Temos aqui o símbolo do gigante Golias, vencido por David através de uma pedrada. Devido a esta pedrada, os pés de barro da estátua partem-se e a estátua fica em estilhaços. O nome de David é codificado, a fim de os opressores não entenderem. Só o profeta Daniel sabe de quem se trata (Dan 2, 27).

O Filho de David, agora é designado como Filho de Homem. O tribunal divino vai decidir sobre o dia da ira, a fim de os opressores serem destruídos. O Filho de Homem foi entronizado, a fim de assumir a realeza e governar um reino que não terá fim (Da 7, 9-14).Este reino durará para sempre (Dan 2, 44).

Por não respeitar o Deus dos hebreus, os selêucidas vão ser humilhados (Dan 4, 19-23). Antíoco IV vai ser punido pelas suas blasfêmias, profanações do templo e dos vasos sagrados (Dan 5, 2). O dia da ira  está a chegar ( Dan 5, 25-28).    Os quatro imperadores selêucidas que oprimiram o povo de Deus, são simbolizados por quatro bestas disformes. Saem das águas, o abismo onde habitam as forças do mal (Dan 7, 3s). O pior destes animais é o quarto, Antíoco IV, o qual estava, nessa altura, a martirizar o povo de modo bárbaro (Dan 7, 7).

O poder deste animal feroz está a chegar ao fim. O tribunal já está reunido para julgar. O dia da punição está determinado (Dan 7, 11-12). Estão a chegar os últimos tempos da ira (Dan 8,19). Deus vai esmagar este animal sem piedade (Dan 8, 22-25).

O tripé sobre o qual assenta o dia da ira é: 1) a salvação do Resto Fiel; 2) a punição dos maus; 3) a realização das promessas ligadas aos patriarcas e a David mediante a constituição de uma Nova e Eterna Aliança.

O império de David será restaurado em todo o seu esplendor. Será um império eterno e nele acontecerá de modo perfeito a realização das promessas (cf. 2 Sam 7, 16).

Os santos do Altíssimo, os justos, vão receber a realeza e guardá-la-ão para sempre, tornando-se um povo de reis e sacerdotes (Dan 7, 14-18; cf. Ex 19, 6; 1 Pd 2, 9).

O chefe dos exércitos celestes é o Arcanjo Miguel, o príncipe que protege o povo de Deus (Dan 12, 1).

No dia da ira dar-se-à a ressurreição dos mortos. Os justos vão viver o “Shalom” do Reino de Deus e os ímpios são lançados no mundo da ignomínia. O dia da ira será um período de angústia como não houve desde que existem as nações. Os que estão inscritos nos livros da vida serão salvos.

Os sensatos resplandecerão como os luzeiros do céu. Os que conduziram os homens para a justiça brilharão como estrelas por todo o sempre (Dan12, 1-3).

O profeta Joel vê o dia do Senhor como um dia de trevas e escuridão. O Senhor vai chegar precedido de um fogo devorador. Após o castigo desse dia, a Terra vai ficar como um deserto (Jl 2, 1-3).

O Sol e a Lua obscurecer-se-ão. As estrelas perderão o brilho. O dia do Senhor é grande e terrível (Jl 2, 10-11). O sol converter-se-à em trevas e a lua em sangue. Surgirão muitos prodígios na terra e no céu (Jl 3, 4). O Resto Fiel permanecerá em Jerusalém. Os sobreviventes são aqueles que o Senhor chamou (Jl 3, 5). Deus congregará todos os povos no vale de Josafá onde realizará o julgamento (Jl 4, 2;

Também para o profeta Amós o dia do senhor é um dia de trevas e não de luz (Am 5, 18). A justiça de Deus vai ser realizada pelo fogo (Am 7, 4).

Para Abdias o Resto Fiel permanecerá no monte de Sião, isto é, em Jerusalém (Abd 1, 17). Os ímpios, no dia do Senhor, serão aniquilados (Abd 1, 18).

Para o profeta Miqueias,  Deus vai salvar o Resto Fiel e conduzí-lo-à como um pastor conduz o seu rebanho (Miq 2, 12). Deus vai reunir os coxos, os estropiados, os pobres e os desprezados com os quais vai formar um resto. Dos fatigados fará um povo poderoso (Miq 4, 6-7).  Nesse dia, os pais estarão contra os filhos e estes contra os pais (Miq 7, 5-6).

Para o profeta Sofonias, os justos devem juntar-se e praticar a justiça, a fim de escaparem à destruição do dia da ira (Sof 1, 14-2, 13). Deus já reservou o pequeno grupo dos que vão constituir o Resto Fiel. O Senhor virá visitá-los e dar-lhes a recompensa (Sof 2, 7-9).

Deus habitará com o Resto na Jerusalém restaurada (Sof 3, 13-17). O profeta Zacarias diz que Deus habitará com o do Resto Fiel na Nova Jerusalém (Zac 2, 14-17).

A Nova Jerusalém será fonte de bênçãos para todos os povos da Terra (Zac 14, 14, 6-16). Deste modo se completará a promessa feita a Abraão segundo a qual todos os povos da Terra serão abençoados na sua posteridade (Gn 12, 3).

Segundo Malaquias, os pecadores, no dia do Senhor serão como palha lançada ao fogo. Os raios luminosos que irradiam de Deus transportam salvação para os justos e desgraça para os ímpios. Antes do dia terrível vai vir o profeta Elias, o qual aproximará os corações dos pais e dos filhos entre aqueles que vão constituir o Resto Fiel (Mlq 3, 18-24).

 

 

b)                        No Novo Testamento

Os discípulos de Jesus começaram a segui-lo convencidos de que ele era o Messias. Isto significava, segundo a visão judaica da época, que Jesus ia subir ao trono, convertendo-se no rei poderoso anunciado pelos profetas (cf. Lc 1, 32-33).

Os irmãos Tiago e João fazem mesmo tentativas no sentido de influenciar Jesus para que lhes sejam atribuídos os dois primeiros lugares na corte messiânica. Os outros dez protestam, pois também eles tinham pretensões a esses lugares. Jesus tenta mudar a mentalidade dos discípulos (Mc 10, 35s). Mas apesar do seu esforço, consegue muito pouco (Mt 16, 23). Esta tarefa será para o Espírito Santo após a Páscoa (Act 3, 19-21; 2, 32-36).

Após a experiência pascal, a compreensão dos discípulos começa realmente a transformar-se. Jesus foi entronizado no Céu, tal como tinha sido anunciado pelo profeta Daniel, na visão do Filho do Homem (Dan 7, 13-14).

Uma vez investido na realeza, vai voltar com todo o poder, a fim de realizar o dia da ira (Act 3, 19-21). Os justos do Antigo Testamento, bem como os cristãos, formam o Resto Fiel com o qual o Senhor, ao regressar, formará o Reino Messiânico com capital em Jerusalém.

Os discípulos vão interpretar a Segunda vinda de Cristo como a realização do anunciado pelos profetas sobre o dia da ira. Apenas o Resto Fiel, isto é, os cristãos, escapará à destruição desse dia: “Jesus ressuscitou dos mortos e livrou-nos da ira futura” (1 Tes 1, 10).

 Naquele dia, o Resto Fiel vai ao encontro do Senhor nos ares, ficando para sempre com Ele (1 Tes 4, 14-17).

O dia do Senhor virá como um ladrão, surpreendendo os desprevenidos (1 Tes 5, 2). Os fiéis aspiram pelo dia do Senhor, pois sabem que Deus não os reservou para a ira, mas para a salvação em J. Cristo ressuscitado (1 Tes 5, 9).

O Senhor vai vir em chamas de fogo fazer justiça e punir os que se opõem ao Evangelho de Cristo (2 Tes 2, 6-8). Os crentes aparecerão junto dele revestidos de glória (Flp3, 1-4). Os judeus, ao rejeitarem o Evangelho, estão a aumentar o seu castigo no dia da ira (Rm 2, 5-6).

           Jesus vai regressar da direita de Deus onde está sentado como rei entronizado (cf. Sal 110, 1). Nesse dia todas as nações serão punidas, escapando apenas o resto fiel (Mc 14, 62-64). Será o dia do juízo implacável de Deus (Mc 13, 15-20).

O Resto Fiel será reunido dos quatro cantos da Terra, a fim de formar o Reino Messiânico. A ira daquele dia não os atingirá (Mc 13, 26). Os judeus que troçam do anúncio da Segunda vinda do Senhor formam parte dos ímpios reservados para o dia da ira (2 Pd 1, 16-17).

O Senhor não tarda em chegar. Os ímpios serão castigados pelo fogo, tal como aconteceu aos habitantes de Sodoma (2 Pd 2, 7-8).

Se o Senhor demora um pouco mais, isso deve-se ao fato de o tempo, para Deus, não contar do mesmo modo que para os homens. Um dia diante de Deus é como mil anos diante dos homens (2 Pd 3, 8-10). Esta afirmação da Segunda carta de Pedro vai ser mal interpretada, dando origem tanto ao milenarismo do Apocalipse como à idéia de que o Senhor iria vir no ano mil.

Deus tem atrasado um pouco a Segunda vinda de Cristo, a fim de possibilitar que se salve o maior número possível (2 Pd 3,3). Após a destruição final operada pelo fogo, Deus criará novos céus e uma nova terra onde habitará a justiça. Por outras palavras, o Reino de Deus é composto apenas pelos justos (2 Pd 3, 13).

O Apocalipse surge como uma síntese genial dos apocalipses do Antigo e do Novo Testamento, bem como dos apocalipses apócrifos do judaísmo. Com uma variedade enorme de textos, o apocalipse consegue estruturar um esquema ordenado, lógico e cheio de esperança para os crentes que, agora, já estão a ser perseguidos e martirizados.

A Segunda vinda está próxima. O Senhor aparecerá sobre as nuvens do Céu. Todos os olhos o hão de ver (Apc 1, 7). Os cristãos perseguidos e atormentados têm de esperar só mais um pouco (Apc 1, 9). Os que estão encarcerados serão afligidos nas prisões por poucos dias mais (Apc 2, 10-11). Estes escaparão no dia da ira que se avizinha, o qual será de punição para todo o mundo (Apc 3, 10).

O Resto fiel será constituído pelos crentes e pelos justos do Antigo Testamento, simbolizados pelos cento e quarenta e quatro mil, um múltiplo de doze, para significar os justos das doze tribos.

Há, depois, a multidão incontável de todas as raças, línguas, culturas e nações, a fim de significar os cristãos vindos do paganismo (Apc 7, 3-10).

Os não assinalados serão aniquilados (Apc 8, 4-5). Cristo receberá o império e o poder, reinando para sempre (Apc 11,15).

Paulo pensava que o Reino de Cristo, na Terra, duraria apenas o tempo suficiente para Cristo dominar os seus inimigos, sobretudo os poderes maléficos que vagueiam pelos ares. Depois, entregará o Reino ao Pai, afim de Deus ser tudo em todos (1 Cor 15, 24-28). O autor do Apocalipse diz que o Reino Messiânico, sobre a terra, durará mil anos.

Este Reino seria constituído pelos justos do Antigo Testamento e pelos cristãos. Estes reinarão com Cristo durante mil anos vivendo em pleno Shalom, i.é., felicidade e bem-estar (Apc 20,4). O Demônio será aprisionado e os ímpios, entretanto, permanecerão no reino dos mortos (Apc 20, 1-2).

Após os mil anos, os ímpios ressuscitam e o Demônio é solto. Felizes dos que participaram na primeira ressurreição (Apc 20, 5). Os que participam da segunda ressurreição após os mil anos, serão punidos eternamente com o fogo. Mas primeiro vai acontecer a batalha do Armagedon, a luta decisiva entre o bem e o mal.

Depois definitivamente vencidos, o Demônio e os seus adeptos, serão lançados no lago do fogo e do enxofre (Apc 20, 8-10). Todos estão de pé em frente ao trono de Deus. Todos serão julgados segundo o que estiver escrito nos livros. Todos aqueles cujos nomes não estejam inscritos no livro da vida serão lançados no lago do fogo (Apc 20, 12-15).

Após a vitória final do Bem, Deus cria um novo Céu e uma nova Terra (Apc 21, 1). Nessa altura, a morada de Deus, a Jerusalém celeste, vem juntar-se à Jerusalém terrestre. Deus fica a habitar no meio dos santos, limpando-lhes as lágrimas do rosto. Não haverá mais pranto, nem morte, nem gritos, nem dor. Deus renova, enfim, todas as coisas (Apc 21, 2-5).

Jesus descobriu que a sua missão não se situa na linha da ação punitiva do dia da ira. Deus chamou-o para anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos cativos, fazer os coxos caminhar e dar vista aos cegos (Lc 4, 18-21).

A sua missão não consiste em destruir os pecadores, mas em destruir o pecado. Ora, a destruição do pecado acontece no coração do Homem pela ação do Espírito Santo que transforma os corações (cf. Jer 31, 31-33).

Jesus faz esta descoberta no início da sua vida pública e assume a sua missão até ao fim, tornando-se incondicionalmente fiel até à morte da cruz.

Por isso Jesus se opôs à morte da mulher adúltera. A sua missão é destruir o pecado, não o pecador: “Não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12, 47). Jesus veio como salvador. Veio para dar vida, não para destruir a vida: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

Devido ao pecado, a Humanidade estava no caminho da perdição, mas Jesus veio para a salvar: “O Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18, 11).

Deus não condena ninguém. Quem se condena condena-se por sua própria decisão, não por decisão de Deus.

 

                                                                        Calmeiro Matias