O CONSAGRADO E A ORAÇÃO - A oração é o centro propulsor de um consagrado

Seminarista Ricardo Valle Andrés -

A oração é o centro propulsor de um consagrado, nunca deve ser deixada de lado. Fazer trabalhos para os próximos sem a oração pode levar a um ativismo social, mas não é um trabalho evangélico, a partir da fé em Deus. A oração é um alimento importantíssimo que, junto com a Eucaristia, ajuda-nos a ser melhores, nos fortalece contra o mal e mantém nosso espírito vivo.

- Quem tem as chaves da oração pode abrir os céus?

A oração é o centro de um consagrado, é o motor que o ajuda a caminhar, é o alimento que, junto com a Eucaristia, lhe dá vida.

Orar é falar com Deus, de tu a tu, como um filho fala com seu pai e a Deus podemos dizer-Lhe qualquer coisa: o que vivemos, nossas preocupações, o que conseguimos, no que precisamos de ajuda, inclusive conversar sobre nosso dia a dia, assim com faríamos com as pessoas nas quais confiamos e estimamos. A oração é dirigir-se a Deus para louvá-Lo, agradecer-Lhe, reconhecê-Lo e pedir-Lhe coisas que sejam para nosso bem.

O Catecismo da Igreja Católica nos explica, em síntese, que "A oração é a elevação da alma a Deus ou a petição a Deus de bens convenientes" (CEC 2590), isto é, pedir-Lhe o que é bom para nossa alma e nossa salvação. Qualquer coisa que seja contrária a isto, com certeza, Ele não concederá, porque antes de tudo nos ama e nunca faria nada para prejudicar-nos.

Jesus Cristo nos disse:

"Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á" (Mt 6,6).

Esta é uma oração particular, pessoal, na que estamos sozinhos com Deus. Esta oração é fundamental, é verdadeiramente o pilar da vida interior. Com ela nos aproximamos a Deus e nos dirigimos a Ele, nosso Pai no céu está sempre presente e tudo pode (é onipotente e onipresente), e quando Jesus nos indica que vamos a nosso aposento e fechemos a porta para rezar pessoalmente é porque Deus nos quer ver a sós, como um Pai se senta para falar carinhosamente com seu filho sobre as coisas mais particulares, mais transcendentes e mais importantes. Jesus compreende nossa necessidade de consolo, de ajuda, e nos convida a que, na intimidade, nos dirijamos com toda confiança do mundo a nosso Pai para pedir-Lhe o que precisamos.

Jesus Cristo nos dá testemunho de que está em contínua comunicação com seu Pai e nos convida a imitá-lo. Jesus ora no Batismo (Lc 3, 21); em sua primeira manifestação em Cafarnaum (Mc 1 ,35; Lc 5,16); na escolha dos Apóstolos (Lc 6,12). O Senhor passa noites inteiras em diálogo de oração com seu Pai (Lc 3, 21; 5, 16; 6, 12; 9, 29; 10, 21 ss.). Jesus ensinará a seus discípulos que devem rezar todo o tempo (Lc 18,1). A oração de Jesus manifesta sua confiança filial a Deus Pai, que se traduzirá na familiar expressão Abba Pai (Mc 14, 36). O mesmo acontece com as diversas petições que formula na oração sacerdotal(Lc 17), pouco antes de sua Paixão (Mt 26, 36-46; Mc 14, 32-42; Lc 22, 40-46), e no pedido por seus verdugos(Lc 23, 34).

Jesus, diante da pergunta de um de seus discípulos, deixou aos cristãos não somente o modelo de sua própria oração, como também um modelo de como rezar(Lc 11,1-4). O Senhor instrui seus discípulos para que façam bem a ORAÇÃO, sem charlatanice (Mt 6, 5-15); com uma postura de humildade, tal como nos indica a parábola do fariseu e do publicano(Lc 18,9-14); em união da fé e da confiança, como requisitos de eficácia para quem reza (Mt 11 , 24; Lc 17 , 5 ss.).

A oração pessoal é imprescindível para a vida de piedade de todos os católicos, então não devemos esquecer que todos os batizados fazem parte da Igreja (e, nesse sentido, somos parte do corpo místico de Cristo); o Senhor nos disse: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" Mt 18,20.

A oração também pode ser feita em conjunto com outras pessoas, inclusive Jesus Cristo dá tanto valor a este tipo de oração que promete estar ?no meio de nós? quando a façamos. Essa é a oração pública, que se faz em nome da Igreja, por um ministro destinado legitimamente a este fim (CIC, can.1256; v.III). Este tipo de oração normalmente tem um caráter eminentemente litúrgico, como acontece com a oração do Ofício divino.

São Tomás a denominava oração comum e considerava que deve ser feita em voz alta para que o povo fiel tenha conhecimento dela. A oração pessoal é oferecida por quem reza, para a própria pessoa ou para outros.