O SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS ( 1ª Parte)

 

CREIO EM DEUS PAI TODO PODEROSO

1. Deus pode falar aos homens, pois deu-lhes a faculdade de se entenderem.

2. Deus falou verdadeiramente aos homens; é o que se chama revelação.

3. Sem revelação não nos poderíamos salvar, visto ser impossível saber, por nós próprios, o que é preciso crer e fazer para obtermos a Salvação.

4. Distinguem-se três revelações: 1º a Revelação primitiva, feita por Deus a Adão e aos patriarcas; 2º a Revelação Mosaica, feita por Deus a Moisés; 3º a Revelação cristã que nos foi feita por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

O Símbolo dos Apóstolos

5. O Símbolo dos Apóstolos é uma profissão de Fé que os apóstolos nos deixaram e que, em doze artigos, encerra as verdades principais que devemos crer.

6. A primeira dessas verdades é que há um Deus, e um só, exclusivamente.

7. Cremos em Deus, porque Ele próprio nos revelou a sua existência.

8. Também a razão nos diz que há um Deus, porque, se não houvesse, o mundo não poderia existir. Com efeito, o mundo não poderia criar-se a si mesmo, como nem sequer pode criar-se uma casa ou um relógio.

9. Deus é um puro espírito, infinitamente perfeito, criador do Céu e da Terra, e soberano Senhor de todas as coisas.

10. Digo que deus é um puro espírito, porque não tem corpo, e não pode ser visto pelos nossos olhos, nem tocado pelas nossas mãos.

11. Digo que Deus é infinitamente perfeito, porque Ele possui todas as perfeições e as suas perfeições não tem limites.

12. Deus tem existido sempre; nunca teve princípio, e nunca há de ter fim.

13. Deus está no Céu, na terra, e em toda a parte.

14. Deus conhece todas as coisas, o passado, o presente, o futuro, e até os nossos pensamentos e desejos e vê-nos sempre, mesmo quando nos ocultamos para ofender.

 

O Mistério da Santíssima Trindade

15. Um mistério é uma verdade revelada por Deus, e que nós devemos acreditar, embora a não possamos compreender.

16. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério de um só deus em três pessoas, a saber, o pai, o filho, e o Espírito Santo.

17. O Pai é Deus, o filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e o mesmo Deus; são iguais em todas as coisas, porque tem uma só e a mesma substância, e portanto uma só e a mesma divindade.

 

 

Explicação da gravura

18. A Santíssima Trindade está representada no centro por um grande triângulo, no qual se vê Deus Pai sobre o globo do mundo, segurando os braços da cruz à qual está pregado Jesus Cristo, seu Filho; o Espírito Santo, sob a forma de uma pomba, derrama os seus raios de luz entre o Pai e o Filho, o que nos dá a entender que procede do Pai e do Filho.

19. Ao alto da gravura vê-se, à esquerda, Jesus Cristo, conferindo aos Apóstolos, antes de subir ao Céu, a missão de ensinar todas as nações e de as batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

20. Vê-se à direita, o Batismo de Jesus Cristo, no qual se manifestaram as três pessoas divinas. (Ver a gravura 19.)

21. Em baixo, à esquerda, vemos Abraão recebendo a visita de três Anjos; Abraão viu os três, e apenas saudou a um, dizendo: “Senhor, se achei Graça diante dos teus olhos, não passarás sem visitar a casa do teu servo.”

22.à direita, vemos santo Agostinho e uma criança,-Um dia, o santo Bispo de Hipona passeava à beira-mar, querendo aprofundar o mistério da Santíssima Trindade. De súbito, vê uma criança entretida a encher uma pequena concha e a vazar a água numa cova que abria na areia. “Meu filho, que pretendes tu fazer?”- “Quero meter neste buraco toda água do mar.”-“Mas tu bem vês que este buraco é muito pequeno para tanta água.”-“Mais fácil me será meter o mar neste buraco, do que tu compreenderes o mistério da Santíssima Trindade.”- E dizendo isto, a criança desapareceu. Era um anjo que tomara aquela forma para advertir o santo de que o mistério da Santíssima Trindade era impenetrável a todos os espíritos criados.

 

 

CRIADOR DO CÉU E DA TERRA

A criação

1. Estas palavras do Símbolo “Criador do Céu e da Terra” significam que Deus tirou do nada o Céu e a Terra com tudo o que estes encerram.

2.Os homens não podem criar, porque para fazer alguma coisa do nada, é preciso ser-se onipotente. Só deus pode criar; porque só  Deus é onipotente.

3. Deus não era obrigado a criar o mundo; criou-o porque assim o quis.

4. Deus criou o mundo pela sua palavra, isto é, por um só ato da sua vontade.

5. As mais perfeitas criaturas de Deus são os Anjos e os homens.

Os anjos

6. Os anjos são puros espíritos que Deus criou para o adorarem, e executarem suas ordens.

7. Deus criou-os em estado de Graça e de Santidade, mas nem todos perseveraram nesse estado; uma parte deles revoltou-se contra Deus, perdendo a Graça por causa do seu orgulho.

8. Deus recompensou a fidelidade dos Anjos bons, confirmando-se em graça e dando-lhes a posse da felicidade do Céu.

9. As funções dos Anjos bons são louvar a Deus e executar as suas ordens.

10. Os anjos bons, em especial os anjos da guarda, velam por nós e protegem-nos.

11. Devemos respeitar a presença do nosso Anjo da guarda, e invocá-lo nas tentações e nos perigos.

12. Deus castigou os anjos rebeldes, expulsando-os do Céu e condenando-os ao suplício do Inferno.

13. Os anjos maus procuram arrastar-nos ao mal, porque são inimigos da felicidade eterna que nos está prometida.

14. Deus criou o Céu e a terra em seis dias.

 

 

 

Explicação da gravura

15. Esta gravura representa a obra divina por meio de seis zonas circulares, cada uma das quais reproduz uma dos seis dias da Criação e a atitude de Deus realizando a sua obra.

16. A primeira zona representa a obra do primeiro dia, isto é, Deus criando a luz.

17. A segunda representa a obra do segundo dia, isto é, Deus criando o firmamento, e separando-o da Terra e dos Céus.

18.A terceira representa a obra do terceiro dia, isto é, Deus separando a terra das águas e mandando à terra que produzisse todas as espécies de plantas.

19. A quarta representa a obra do quarto dia, isto é, Deus criando o sol, a lua e as estrela.

20. A quinta representa a obra do quinto dia, isto é, Deus criando as aves no espaço e os peixes na água.

21. A sexta representa a obra do sexto dia, isto é, Deus criando os animais terrestres e fazendo o homem à sua imagem e semelhança.

22. No alto da gravura, Deus descansa ao sétimo dia e consagra-o ao seu serviço. Este descanso é simbolizado pelo sol velado e pelos astros que presidem à noite, a lua e as estrelas. O triângulo formado por uma nuvem e no qual Deus descansa, significa que as três pessoas divinas cooperam, todas elas, na obra da criação. É o que estas palavras nos revelam: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança.”

 

O Homem

23. O homem é criatura racional, composta de alma e corpo.

24. A alma é um espírito criado à imagem de Deus pra ser unido a um corpo, e que jamais morrerá.

25. A nossa alma é criada à imagem de Deus no que esta é capaz de conhecer, amar e agir livremente.

26. É certo que a nossa alma é imortal, é por isso que, depois desta vida, Deus deve na sua Justiça recompensar a virtude ou punir o vício.

27. Deus criou o primeiro homem, formando o seu corpo com terra e unindo a esse corpo uma alma que tirou do nada.

28. Para criar a primeira mulher Deus mergulhou Adão num sono misterioso, e enquanto ele dormia tirou-lhe uma costela da qual formou a primeira mulher, unindo uma alma a esse corpo.

29. O primeiro homem chamou-se Adão e a primeira mulher Eva, e deles somos todos nós descendentes; por isso, os chamamos os nossos primeiros pais. Deus colocou Adão e Eva num lugar de delícias chamado o paraíso.

 

E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR

Promessa de um Redentor

1. Deus criou Adão e Eva, como os Anjos, num estado de inocência e de justiça em que não estavam sujeitos nem às dores, nem à morte.

2. O demônio, disfarçado de serpente, levou os nossos primeiros pais a desobedecerem a Deus, comendo do fruto proibido.

3. Em castigo da sua desobediência foram expulsos do paraíso terrestre, e condenados a comer o pão com o suor do seu rosto: ficaram sujeitos à ignorância, à concupiscência, à dor, à morte, e excluídos da felicidade do Céu.

4. O pecado de Adão transmitiu-se a todos os seus descendentes, de forma que estes nascem culpados do pecado dos seus primeiros pais e sujeitos às mesmas misérias.

5. O pecado de que todos os homens nascem réus chama-se pecado original, isto é, que vem da nossa origem.

6. A Santíssima Virgem foi isenta, por um privilégio especial, do pecado original, porque devia ser a Mãe do Filho de Deus.

7. Deus não abandonou o homem depois do seu pecado. Compadeceu-se dele, e prometeu-lhe um Salvador que se chamou o Messias.

8. Deus renovou aos patriarcas Abraão e Jacob a promessa dum Salvador.

9. Deus fez anunciar pelos profetas com muita antecipação a vinda do Salvador.

10. Os profetas predisseram a época da vinda do Messias, o seu nascimento de uma virgem em Belém, os seus milagres, a sua paixão, a sua morte, a sua Ressurreição, e finalmente o estabelecimento da sua religião por toda a Terra.

11. O Salvador prometido ao mundo é Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

O Verbo Eterno

12. São João, ao começar o seu Evangelho, descreve assim a geração eterna do Redentor: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Este estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as  trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus que se chamava João. Veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”.

 

O Verbo Encarnado

13. “O Verbo era a luz verdadeira que vindo a este mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas a todos os que O receberam, àqueles que crêem no Seu nome, deu poder de se tornarem filhos de Deus:  eles que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-se carne, e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de Graça e de verdade.” (João I, 1-14).

 

Testemunho do Precursor

14. “João dá testemunho d’Ele e clama: » Este era Aquele de Quem eu disse: O que há de vir depois de mim, é mais do que eu, porque era antes de mim. Todos nós participamos da Sua plenitude e recebemos Graça sobre Graça; porque a lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Unigênito de Deus, que está no seio do Pai, Ele mesmo é que O deu a conhecer».” (João I, 15-18).

 

Explicação da gravura

15. Esta gravura representa o milagre da Transfiguração, no qual Deus Pai proclama Jesus Cristo seu Filho.

16. “Jesus Cristo tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os à parte ao monte Tabor, e transfigurou-se diante deles. O seu rosto ficou como o sol e as Suas vestes tornaram-se luminosas de brancas que estavam. Eis que lhes apareceram Moisés e Elias falando com Ele. Pedro tomando a palavra, disse a Jesus: «Senhor que bom é nós estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas, uma para Ti, uma para Moisés, e outra para Elias». Estando ele ainda a falar eis que uma nuvem resplandecente os envolveu; e saiu da nuvem luminosa uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a Minha complacência; ouvi-O». Ouvindo isto, os Apóstolos caíram de bruços, e tiveram grande medo”. (Mat. XVII, 1-9).


CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO

O mistério da Encarnação

1. O mistério da Encarnação, contido no 2º e no 3º artigo do Símbolo, é o mistério do Filho de Deus feito homem.

2. O Filho de Deus fez-se homem tomando um corpo e uma alma semelhantes aos nossos no seio da bem-aventurada Virgem Maria, sua Mãe, por obra e Graça do Espírito Santo.

3. O Filho de Deus feito homem chama-se Jesus Cristo.

4. O nome de Jesus significa Salvador. «E lhe chamarão por nome Jesus, disse o anjo a São José, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.»

5. Chamamos ainda a Jesus Cristo Nosso Senhor, isto é, nosso Mestre, porque Ele nos criou e nos resgatou com o Seu sangue.

6. Jesus Cristo é Deus e homem no todo, porque tem duas naturezas, a natureza divina e a natureza humana.

7. Só há em Jesus Cristo uma pessoa, que é a pessoa do Filho de Deus.

Explicação da gravura

8. Esta gravura representa o anjo Gabriel saudando a Santíssima Virgem, quando ela orava na sua casa de Nazaré, e anunciando-lhe que Deus a escolhera para ser a mãe do Salvador. No mesmo instante, o Espírito Santo operou em Maria, por um grande milagre, o mistério da Encarnação.

 

Damos a seguir a narração da Anunciação e da Visitação, segundo o Evangelho de São Lucas.

A Anunciação

9. “Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de Graça; o Senhor é contigo».

Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste Graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu Reino não terá fim».

10. Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não começo homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo, o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; porque a Deus nada é impossível». Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo retirou-se dela.” (Lucas I, 26).

 

Visitação

11. “Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que venha ter comigo a mãe do seu Senhor? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor». Então Maria disse:

 

Cântico de Maria

“A minha alma glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para a humildade da Sua serva. Portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão ditosa, porque o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas. O Seu nome é Santo, e a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço, dispersou os homens de coração soberbo. Depôs do trono os poderosos, elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e aos ricos despediu de mãos vazias. Tomou cuidado de Israel, Seu servo, lembrado da Sua misericórdia; conforme tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à descendência para sempre».” (Lucas I, 39-56)

 

NASCEU DA MARIA VIRGEM

Explicação da gravura

1. Ao centro, o Menino Jesus nasce no estábulo de Belém, cercado dos cuidados de Maria, sua Mãe, e de São José, seu pai adotivo. Perto da manjedoura onde o Menino repousa, um boi e um jumento, animais que, segundo a Tradição, lá se encontravam.

2. Os pastores vêm adorá-lO e no Céu os anjos entoam o alegre cântico: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade».

 

Nascimento de Jesus Cristo

3. “Naqueles dias, saiu um édito de César Augusto, prescrevendo o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito por Quirino, governador da Síria. Iam todos recensear-se, cada um à sua cidade. José foi também da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de David, que se chamava Belém, porque era da casa e família de David, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que ela devia dar à luz, e deu à luz o seu Filho primogênito, e O enfaixou e O reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas II, 1-7).

 

Vida oculta de Jesus

4. Guiados por uma estrela milagrosa, os Magos, em número de três, vieram adorar o Menino Jesus, e ofereceram-lhe ouro como a um rei, incenso como a um Deus e mirra como a um homem mortal, visto que a mirra era empregada para embalsamar os mortos.

5. Nosso Senhor foi apresentado no templo quarenta dias depois do seu nascimento, no segundo dia de fevereiro. A Santíssima Virgem cumpriu nesse dia a cerimônia da purificação, prescrita pela lei de Moisés.

6. Depois da apresentação no templo, os pais de Jesus levaram-no para o Egito, afim de escapar à perseguição de Herodes, que o queria mandar matar.

7. Para conseguir o seu fim, Herodes mandou degolar todas as crianças até a idade de dois anos em Belém e seus arredores. Estas crianças são os chamados Santos Inocentes.

8. Morto Herodes, o Menino Jesus voltou para Nazaré, na Galiléia, onde permaneceu até à idade de trinta anos.

9. A vida de Jesus em Nazaré foi uma vida ignorada, pobre e de trabalho.

10. Ensina-nos o Evangelho que durante este tempo Jesus Cristo freqüentava o templo nos dias de festa, era obediente e seus pais, e à medida que ia crescendo em idade, mais dava provas de sabedoria e santidade.

 

Vida pública de Jesus

11. Com a idade de trinta anos, Jesus Cristo recebeu o batismo das mãos de São João Baptista, nas águas do Jordão. (Mat. IV, 13-17)

12. E retirou-se em seguida para o deserto onde jejuou durante quarenta dias permitindo ao demônio que O tentasse, para nos ensinar como devemos resistir às tentações. (Mat. IV, 1-11)

13. Saindo do deserto, Jesus Cristo escolheu os Seus doze Apóstolos, e começou a pregar o Evangelho na Judéia.

14. Nosso Senhor tomou para Seus Apóstolos uns pobres pescadores que não tinham nenhuma instrução e viviam do seu trabalho.

15. São os seus nomes: Simão chamado Pedro, e seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu, Tomé, Mateus o publicano, Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes, o traidor.

16. A palavra “Evangelho” quer dizer boa nova. A  boa nova, que Jesus Cristo anunciava, era ser Ele Filho de Deus, o Messias ou Salvador prometido desde o princípio do mundo.

17. Jesus Cristo reforçava a sua doutrina coma prática de numerosos milagres. Fez o primeiro a pedido da sua Santíssima Mãe, mudando a água em vinho nas bodas de Cana, na Galiléia. (Jo. II, 1-11)

18. Para testemunhar o seu amor às crianças, Jesus acariciava-as com as mãos, abraçava-as e abençoava-as dizendo: «Deixai vir a mim as crianças, porque dos que são como elas é o Reino de Deus». (Marcos X, 13-17)

19. Falando aos infelizes, Jesus dizia: «Vinde a mim, todos os que estais fatigados, e eu vos aliviarei». (Mat. XI, 28)

20.Jesus recebia os pecadores com bondade, e dizia: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência». (Lucas V, 31).

 

PADECEU, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO

O mistério da Redenção

1. O mistério da Redenção é o mistério do Filho de Deus morto na Cruz para resgatar todos os homens.

2. Estas palavras, “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos”, significam que durante o governo de Pôncio Pilatos na Judéia foi que Jesus Cristo sofreu as maiores dores na sua alma e no seu corpo.

3. Na sua alma Jesus sofreu o desconforto, o pavor, uma tristeza mortal: «A minha alma, dizia, está triste até a morte».

4. No seu corpo Jesus Cristo sofreu tais tormentos que o profeta Isaías o chamava “Homem de dores”, “Homem ferido por Deus”, e “despedaçado por causa dos nossos pecados”.

5. Não eram necessários tantos sofrimentos para a nossa redenção, pois que teria bastado a Jesus Cristo derramar uma só gota de sangue, pelo seu merecimento infinito, para a obra da redenção.

6. Quis Nosso Senhor sofrer assim para nos mostrar bem o seu amor e para nos inspirar um maior horror pelo pecado que foi a causa da nossa morte.

7. Jesus Cristo sofreu: 1º no jardim das Oliveiras; 2º em casa de Caifás; 3º em casa de Herodes; 4º em casa de Pilatos; 5º no Calvário.

8. No jardim das Oliveiras Jesus Cristo sofreu as dores da agonia, tão grandes que o fizerem suar um suor de sangue. Foi nesse jardim que Judas, um dos seus Apóstolos, o entregou aos seus inimigos, dando-lhe um beijo.

9. Em casa de Caifás,Jesus foi negado três vezes por São Pedro, esbofeteado, coberto de opróbios, declarado réu de morte por dizer-se Filho de Deus.

10.Em casa de Herodes, Tetrarca da Galiléia, vindo a Jerusalém para celebrar a Páscoa, vestiram a Jesus uma túnica branca, por escárnio, tratando-O como a um louco.

11. Em casa de Pilatos, açoitaram Jesus Cristo, coroaram-n’O de espinhos e condenaram-n’O a morrer na Cruz, embora o juiz tivesse reconhecido a sua inocência.

12. No Calvário, deram a beber a Jesus Cristo fel e vinagre e crucificaram-n’O entre dois ladrões. Pregado na Cruz, pediu ao seu Pai que perdoasse aos algozes; prometeu o paraíso ao bom ladrão; recomendou a sua Mãe a São João e deu São João por filho à sua Mãe, e depois de ter dito que tudo estava consumado, entregou o espírito nas mãos do Seu Pai.

13. Estas palavras do Símbolo “foi morto” significam que a alma de Jesus Cristo se separou de seu corpo, mas a divindade permaneceu unida à Sua alma e ao Seu corpo.

14. Jesus Cristo morreu na Sexta-Feira Santa, perto das três horas da tarde.

15. Quando Jesus cristo morreu, o sol eclipsou-se, a terra tremeu, as rochas abriram-se, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, e muitos mortos ressuscitaram.

16. Após a morte de Jesus, um soldado rasgou-lhe o lado com uma lança, saindo da ferida sangue e água.

17. Nosso Senhor permitiu que lhe fizessem esta ferida para mostrar: 1º que nos tinha amado em extremo, vertendo por nós até à última gota do Seu sangue; 2º que o Seu coração permaneceria sempre aberto para derramar sobre nós a abundância de Suas graças.

18. As palavras do Símbolo “e sepultado” significam que depois de morto, o corpo de Jesus Cristo foi despregado da Cruz e metido no túmulo.

19. Depois de sepultado Jesus, taparam a entrada do sepulcro com uma grande pedra, que Pilatos mandou selar, encarregando soldados de guardarem o túmulo.

20. Os Judeus tomaram estas precauções para impedir que fosse roubado o corpo de Jesus, e Deus permitiu-as para tornar mais manifesta a sua Ressurreição.

 

Via sacra

21. A Igreja recomenda aos fiéis o piedoso exercício chamado “Via sacra”, que lhes recorda em 14 estações a Paixão do Salvador. Concede numerosas indulgências a quem rezar a Via sacra com sincera devoção e contrição.

Explicação da gravura

22. A gravura representa a condenação de Jesus por Pilatos, Jesus açoitado, Jesus pregado na Cruz e colocado entre dois ladrões, e a sepultura de Jesus.


E DESCEU AOS INFERNOS

1. As palavras “e desceu aos infernos” significam que, morto Jesus Cristo, a Sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o Seu corpo permaneceu no sepulcro, e ainda que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho, pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do Seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à Sua alma e ao Seu corpo.

2. Deve entender-se pela palavra “Inferno” os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no Céu, na terra e nos infernos.

3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que se não pode extinguir. Denomina-se este lugar a Geena, o abismo, ou mais comumente, o Inferno.

4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do Purgatório. As almas dos que morreram em estado de Graça permaneceram aí durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não se pode ter guarida nem haver sombra de pecado.

5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam aí em descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram as almas destes santos que esperavam o seu Salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.

6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar aí o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que aí se fez realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: «Não deixareis a minha alma nos infernos.»

7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não ofuscaram no mundo o brilho da sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.

8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como Aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.

9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Patriarcas e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no Céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações com uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.

Explicação da gravura

10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram, em primeiro plano, Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gládio contra Isaac; Jacob com seu cajado na mão; David com sua Lyra, etc., à direita, Moisés de cuja fronte irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até à sua Ressurreição.

11. No plano superior, vê-se o Inferno onde ardem os demônios e os condenados; Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao Purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do Purgatório dando-lhes a esperança da glória.

 

Continua na 2ª parte

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