O SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS ( 3ª Parte )

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA – CONSTITUIÇÃO DA IGREJA


Constituição da Igreja

1. A Igreja é a sociedade dos fiéis que professam a religião de Nosso Senhor Jesus Cristo sob a direção do Papa e dos bispos.

2. Entende-se por fiéis, aqueles que, estando batizados, crêem tudo o que a Igreja ensina, submetendo-se aos pastores legítimos.

3. O Papa é o vigário de Jesus Cristo, o sucessor de São Pedro, o chefe visível e o doutor de toda a Igreja, e pai comum dos pastores e dos fiéis.

4. O primeiro Papa foi São Pedro, que Jesus Cristo nomeou chefe da Igreja universal.

5. O Papa é sucessor de São Pedro porque é Bispo de Roma, e foi em Roma que São Pedro estabeleceu a sua residência e sofreu o martírio.

6. Os pastores legítimos da Igreja são, com o Papa, os bispos, que Jesus Cristo encarregou de instruir e governar a sua Igreja.

7. Os bispos são sucessores dos Apóstolos, encarregados de governar as dioceses, sob a autoridade do Papa.

8. Os Párocos são padres que os Bispos escolhem para estarem à frente das paróquias.

9. Os membros da Igreja são os indivíduos batizados e que acreditam o que a Igreja ensina, estando sujeitos ao nosso Santo Padre o Papa, e ao seu Bispo.

10. Não fazem parte da Igreja os infiéis, os hereges, os cismáticos, os apóstatas e os excomungados.

11. Um infiel é o indivíduo não batizado e que não crê em Jesus Cristo.

12. Um herege é o indivíduo batizado que recusa obstinadamente crer uma ou mais verdades reveladas por Deus, e que a Igreja ensina como artigo de Fé.

13. Um cismático é o indivíduo batizado que se separa da Igreja negando-se a reconhecer os pastores legítimos, e a obedecer-lhes.

14. Um apóstata é o indivíduo batizado que renega a Fé de Jesus Cristo depois de a ter professado.

15. Um excomungado é o indivíduo batizado que a Igreja eliminou do seu seio por causa dos seus crimes.

16.Os pecadores são membros da Igreja, mas são membros mortos.

17. É uma grande desgraça não pertencer à Igreja, porque não podem ser salvos aqueles que voluntariamente e por sua culpa estão fora do grêmio da Igreja.

 

Caracteres da verdadeira Igreja

18. Há uma só Igreja verdadeira, porque uma só foi fundada por Jesus Cristo. São quatro os caracteres ou sinais para a reconhecer: é uma, santa, católica e apostólica.

19. A verdadeira Igreja é a Igreja romana, que tem por chefe o Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro.

20. A Igreja romana é uma, porque todos os seus membros crêem as mesmas verdades e obedecem ao mesmo chefe visível, que é o Papa.

21. É santa, porque nos oferece todo os meios para nos santificarmos, e sempre tem formado santos.

22. É católica ou universal, porque está espalhada por toda a terra e sempre tem subsistido desde Jesus Cristo.

23. É apostólica, porque foi fundada pelos Apóstolos, é governada pelos seus sucessores, e crê e ensina a sua doutrina.

Explicação da gravura

24. Ao alto, Jesus Cristo institui São Pedro chefe visível da Igreja. Entregando-lhe o báculo pastoral, dá-lhe a missão de apascentar os seus cordeiros e as suas ovelhas, isto é, de governar os pastores e os fiéis de que se compõe a Igreja e que constituem o rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

25. Em baixo vê-se: 1º o Papa, vestido de hábitos brancos e tendo na cabeça uma tiara; 2º de ambos os lados do Papa vêem-se os cardeais; 3º em frente do papa um Arcebispo com o pálio; um Bispo com a mitra e o báculo, e numerosos prelados, religiosos e religiosas; 4º mais acima e à direita, um padre ministrando a sagrada comunhão, um outro pregando o Evangelho aos fiéis, e um missionário que de crucifixo na mão anuncia Jesus Cristo aos infiéis.

26. A Igreja durará até ao fim do mundo, e triunfará de todas as perseguições, segundo a promessa de seu divino fundador, Jesus Cristo.

 

NA COMUNHÃO DOS SANTOS

1. Estas palavras, “Creio na Comunhão dos Santos”, significam que os bens espirituais da Igreja são comuns a todos os seus membros unidos entre si como os membros de uma mesma família ou de um mesmo corpo.

2. A palavra “comunhão” quer dizer aqui comunidade. Assim, como há comunidade de bens entre todos os membros de uma mesma família, assim também, há na Igreja comunidade de bens espirituais entre todos aqueles que a compõem.

3. Dá-se o nome de “Santos”, não só aos bem-aventurados que estão no Céu e às almas do Purgatório, como ainda aos fiéis da terra, porque foram santificados pelo Batismo e são chamados a viver uma vida santa.

4. Os bens espirituais da Igreja são: os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Santíssima Virgem e dos Santos, os Sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa, as orações e as boas obras.

5. A Comunhão dos Santos não existe apenas entre os fiéis que vivem sobre a terra, mas ainda entre a Igreja triunfante, a Igreja militante e a Igreja padecente.

6. A igreja triunfante é a reunião dos santos que triunfam com Jesus Cristo no Céu.

7. A Igreja militante é a reunião dos fiéis que combatem na terra contra os inimigos da Salvação.

8. A Igreja padecente é a reunião das almas dos justos que acabam de expiar as suas culpas nas penas do Purgatório.

9. O Purgatório é este lugar de sofrimentos onde as almas dos justos acabam de expiar as suas culpas antes de entrar no Céu.

10. Estão no Purgatório aqueles que morreram em estado de Graça, não se achando todavia completamente isentos de pecados veniais ou que não satisfizeram ainda inteiramente à justiça de Deus.

11. A existência do Purgatório é certa. Com efeito Jesus Cristo diz no Evangelho que as blasfêmias contra o Espírito Santo não serão perdoadas neste mundo nem no outro. Nosso Senhor dá-nos assim a entender que outros pecados serão perdoados depois desta vida. Ora não o podem ser no Céu, onde não entra o pecado, nem no Inferno, onde não há perdão. Portanto sê-lo-ão no Purgatório.

12. Encontramo-nos em comunhão com os santos que estão no Céu enquanto oramos por eles, e eles intercedem por nós.

13. Estamos em comunhão com as almas do Purgatório, enquanto as aliviamos com as nossas orações, as nossas boas obras, pelas indulgências, e sobretudo pelo Santo Sacrifício da Missa.

14. As orações que ordinariamente se rezam para as almas do Purgatório são: o ofício dos mortos, o salmo “De profundis”, e a invocação: “Que as almas dos fiéis defuntos descansem em paz pela misericórdia de Deus”.

15. Os fiéis da terra estão em comunhão entre si enquanto cada um deles aproveita das orações e boas obras que se fazem em toda a Igreja.

16. Nem todos participamos destes bens no mesmo grau, que é maior ou menor segundo os nossos merecimentos.

17. Os próprios pecadores têm alguma parte nesta comunhão de bens espirituais, de que lhes advêm graças, que podem aproveitar para se converterem.

18. Não participam de modo algum, dos bens espirituais da Igreja aqueles que não são membros dela, como os hereges, cismáticos, e excomungados.

19. Por estas palavras “Fora da Igreja não há salvação”, devemos entender que é absolutamente impossível a salvação aqueles que voluntariamente e de má fé se conservam fora da verdadeira Igreja.

Explicação da gravura

20. Esta gravura representa a comunicação dos santos na multidão dos Santos e dos Anjos que estão no Céu, nos fiéis da Terra e nas almas do Purgatório.

21. Na parte superior da gravura os Anjos e os Santos adoram as três pessoas da Santíssima Trindade, rogando-lhes pelos fiéis que vivem sobre a terra.

22. Ao centro, estes fiéis assistem ao Santo Sacrifício da Missa, invocando os Santos do Céu, orando uns pelos outros e pedindo a libertação das almas do Purgatório.

23. O plano inferior representa o Purgatório. As águas refrescantes que os dois anjos derramam sobre as almas simbolizam o alívio que se lhes obtém pelo Santo Sacrifício da Missa.

 

CREIO NA REMISSÃO DOS PECADOS

1. Cremos por este artigo: 1º que podemos alcançar de Deus a remissão dos nossos pecados; 2º que Jesus cristo deixou à sua Igreja o remédio para perdoar todo tipo de pecado.

2. Podemos alcançar perdão de todos os pecados, por muito graves que sejam.

3. Deus perdoa os pecados por meio dos ministros da Igreja a quem Jesus Cristo conferiu esse poder. Esses ministros são os bispos e os sacerdotes.

4. Recebemos o perdão dos pecados principalmente pelos sacramentos do Batismo e da Penitência. O pecado original é nos perdoado pelo Batismo e os pecados mortais pelo sacramento da Penitência e também pela contrição perfeita acompanhada do voto de nos confessarmos.

5. Os pecados veniais podem ser perdoados sem o mistério exterior da Igreja; além dos sacramentos, as orações, as esmolas e outras boas obras podem obter a remissão deles.

6. Os pecados são perdoados pelos merecimentos de Jesus Cristo.

7. O Benefício da Remissão dos pecados é uma obra não inferior à criação do mundo, e ao ressuscitar dos mortos.

8. Só Deus é que pode perdoar os pecados. Sendo Jesus Cristo Deus, tinha também aquele poder; tinha-o também como homem, porque a natureza humana estava unida n’Ele à divindade, e vemos no Evangelho que usou muitas vezes daquele poder. Como primeiro exemplo está a cura do paralítico.

            “Um dia entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que Ele estava em casa, juntou-se muita gente, de modo que não se cabia, nem mesmo à porta. Nisto chegaram alguns conduzindo um paralítico que era transportado por quatro homens. Como não pudessem levá-lo junto d’Ele por causa da multidão, descobriram o teto na parte debaixo do qual estava Jesus e, tendo feito uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico. Vendo a Fé daqueles homens, disse ao paralítico: “São-te perdoados os pecados”. Estava ali sentados alguns escribas que diziam nos seus corações: “como é que Ele fala assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?” Jesus conhecendo logo no seu espírito que eles pensavam desta maneira dentro de si, disse-lhes: “porque pensais isto nos vossos corações? O que é mais fácil dizer ao paralítico: São-te perdoados os pecados ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibas que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar os pecados,- disse ao paralítico-: “Eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. Imediatamente ele se levantou e, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, de maneira que se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: “ Nunca vimos coisa semelhante”. (Marcos II, 3-13)

9. Na sua infinita bondade, Nosso Senhor comunicou esse poder a São Pedro, e de seguida, no mesmo dia da sua ressurreição, a todos os Apóstolos e por eles a todos os seus sucessores legítimos.

            “Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus interrogou os  discípulos, dizendo: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” E eles responderam: “Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas”. Jesus disse-lhes: “E Vós quem dizeis que Eu sou?” Respondendo Simão Pedro, disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Respondendo Jesus, disse-lhe: “Bem-aventurado és, Simão, filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos Céus. E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos Céus e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos Céus”. (Mateus XVI, 13-19).

Chegada a tarde daquele dia (da ressurreição) e estando fechadas as portas da casa onde os discípulos estavam juntos, por medo dos Judeus, foi Jesus, colocou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, também vos envio a vós”. Tendo dito estas palavras soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebi o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos”. (João XX, 19-23).

Explicação da gravura

10. A gravura representa São Pedro recebendo de Nosso Senhor as chaves, com o poder de fechar e abrir, de ligar e desligar, isto é de perdoar ou não os pecados.

 

CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE

1. Este artigo ensina-nos que, no Fim do Mundo, todos os homens hão de ressuscitar tomando cada um o mesmo corpo que dantes tinha.

2. Isso é possível pela onipotência divina, à qual nada é impossível.

3. Dizemos “Ressurreição da Carne” e não do homem todo, para denotar que a alma não morre, mas só o corpo, e por isso deve ressurgir somente a carne.

4.Os corpos hão de ressuscitar para terem parte no prêmio ou na pena, já que tiveram parte no bem ou no mal durante a vida.

5.Todos os homens ressuscitarão, tanto os bons como os maus, mas com esta diferença: que os escolhidos terão os dotes dos corpos gloriosos, e não assim os condenados.

6. Os dotes dos corpos gloriosos são: impassibilidade, que é a isenção de toda a dor e miséria; a claridade, que é o resplendor da alma redundando no corpo; a agilidade, que é a isenção do peso que hoje subjuga o corpo; a subtileza que designa a perfeita submissão do corpo ao comando da alma.

7. Os corpos dos condenados não terão esses dotes e serão susceptíveis de toda a espécie de sofrimentos.

8. A Ressurreição será no Fim do Mundo, antes do Juízo Final. Ouvida a sentença do Juízo Final, os ressuscitados hão de ficar no mesmo lugar onde Deus puser, os bons na bem-aventurança eterna em companhia de Jesus Cristo e dos Anjos; os condenados, no Inferno para sempre em companhia dos Demônios.

9. Milagre de Jesus ressuscitando Lázaro, no Evangelho de São João: “Tendo, pois, ouvido que Lázaro estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde Se encontrava. Depois disto, disse aos seus discípulos:”Voltemos para a Judéia”. Os discípulos disseram-lhe: “Mestre, ainda há pouco os judeus te quiseram apedrejar, e Tu vais novamente para lá?”. Jesus respondeu: “Não são doze as horas do dia? Aquele que caminhar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; porém, o que andar de noite tropeça, porque lhe falta a luz”. Assim falou, depois disse-lhes: “Nosso amigo Lázaro dorme; mas vou despertá-lo. Os seus discípulos disseram-lhe: “Senhor, se ele dorme, também se há-de levantar”. Mas Jesus falava da sua morte; e eles julgavam que falava do repouso do sono. Jesus disse-lhes então claramente: “Lázaro morreu, e Eu, por vossa causa, estou contente por não ter estado lá, para que acrediteis: mas vamos ter com ele. Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros discípulos: “Vamos nós também, para morrer com Ele”. Chegou Jesus, e encontrou-o já há quatro dias no sepulcro, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios (três kilômetros). Muitos judeus tinham ido ter com Marta e Maria, para as consolarem pela morte de seu irmão. Marta, pois, logo que ouviu que  vinha Jesus, saiu-lhe ao encontro: E Maria ficou sentada em casa. Marta disse então a Jesus:”Senhor, se estivesses cá, meu irmão  irmão não teria morrido. Mas também sei agora que tudo o que pedires a Deus to concederá”. Jesus disse-lhe: “Teu irmão há-de ressuscitar”. Marta disse-lhe: “Eu sei que há-de ressuscitar na Ressurreição do último dia”. Jesus disse-lhe: “Eu sou a Ressurreição e a Vida: aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá: e todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente. Crês nisto? Ela respondeu: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vieste a este mundo”. Dito isto, retirou-se, e foi chamar em segredo sua irmã Maria, dizendo: “O Mestre está cá e chama-te”. Ela, logo que ouviu isto, levantou-se rapidamente, e foi ter com Ele.

Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta saíra ao seu encontro. Então os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, vendo que Maria se tinha levantado tão depressa e tinha saído, seguiram-na, julgando que ia chorar ao sepulcro. Maria, porém, tendo chegado onde Jesus estava, logo que o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: “Senhor, se tivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus, vendo-a chorar, a ela e aos judeus que tinham ido com ela, comoveu-se profundamente e emocionou-se: depois perguntou: “Onde o pusestes?. Eles responderam: “Senhor vem ver”. Jesus chorou. Os Judeus, por isso, disseram:” Vede como Ele o amava. Porém,  alguns deles disseram: “Este, que abriu os olhos ao que era cego de nascença, não podia fazer que este não morresse?”.”Jesus, pois, novamente emocionado no seu interior, foi ao sepulcro. Era este uma gruta com uma pedra colocada à entrada. Jesus disse: “Tirai a pedra a pedra.” Marta, irmã do defunto, disse-lhe:”Senhor, ele já cheira mal, porque está aí há quatro dias”. Jesus disse-lhe: “Não te disse se creres, verás a glória de Deus?”. Tiraram, pois a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: “Pai, dou-te graças por me teres ouvido. Eu bem sabia que me ouves sempre, mas falei assim por causa do povo que está em volta de Mim, para que acreditem que tu me enviastes”. Tendo dito estas palavras, bradou em voz forte:”Lázaro, sai para fora!”. E saiu o que estivera morto, ligado de pés e mãos, com as ataduras, e o seu rosto envolto num sudário.Jesus disse-lhes: “Desligai-o e deixai-o ir”. Então muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria e Marta, vendo o que Jesus fizera, acreditaram n’ele.” (S. João XI, 1-46)    

 

 

CREIO NA VIDA ETERNA

 

1. Devemos ver neste artigo que depois desta vida há-de haver outra vida que há-de durar para sempre, os bons com a glória eterna no Céu, e os maus com as penas eternas no Inferno.

2. Sabemos que há-de haver outra vida depois desta, porque Deus no-lo revelou, e que uma outra vida é necessária para o prémio dos bons e o castigo dos maus.

 

O Céu

 

3. O Céu ou paraíso é um lugar de delícias, no qual os Anjos e os Santos gozam duma felicidade eterna e perfeita pela vista e posse de Deus.

4.Os que vão para o Céu são aqueles que, tendo morrido em estado de Graça, satisfizeram inteiramente a justiça de Deus.

5.Nem todos os bem-aventurados gozarão do mesmo prémio; todos verão a Deus, mas a felicitado será em proporção dos seus merecimentos.

6. Sabemos que os santos vêem Deus no Céu, pelas palavras de Nosso Senhor dizendo: «Bem-aventurados os de coração puro, porque verão a Deus.»

7. A felicidade dos Céus é tão grande, que não podemos compreendê-la cá na Terra, onde nada pode dar-nos uma idéia do que é o Céu. São Paulo diz: «Os olhos do homem não viram, nem os ouvidos ouviram, nem jamais veio ao coração do homem o que Deus tem preparado para aqueles que O amam.»

8. A felicidade eterna consiste, dizem os santos Padres, na ausência de todo o mal e na posse de todo o bem. No que diz respeito ao mal, lemos no Apocalipse (XXI,4) de São João: “Os bem-aventurados não terão fome nem sede jamais, nem cairá sobre eles o sol nem ardor algum. Deus enxugar-lhes-á todas as lágrimas dos seus olhos, e não haverá mais morte, nem mais choro, nem mais gritos, nem mais dor, porque as primeiras coisas são passadas.” No que diz respeito aos bens, a glória dos escolhidos será imensa, possuirão ao mesmo tempo todos os gozos, todas as delícias, porque possuirão a Deus, fonte da infinita felicidade.

9. Actualmente, os santos estão no Céu só em alma; os seus corpos não entrarão ali senão depois da ressurreição e do Juízo Final.

10. Os bem-aventurados hão-de contemplar Deus eternamente, e esse dom, o mais excelente e admirável de todos, torna-los-á participantes da natureza mesmo de Deus e dar-lhes-á a posse completa e definitiva da verdadeira felicidade.

 

 

Explicação da gravura

11. Esta gravura representa o Céu. Ao centro estão as três Pessoas divinas assentadas num triângulo sobre um trono de glória, cercado pelos anjos. Muitos deles tocam instrumentos diversos, outros queimam incenso em turíbulos. A Virgem Santíssima, sua Rainha, está à frente deles, à direita de Jesus Cristo seu filho e num trono inferior ao trono de Deus mas superior a tudo o que não é Deus.

12. No segundo plano, figuram, à direita, São João Baptista, Moisés, David, Abraão e outros santos do Antigo Testamento; à esquerda, São José, São Pedro e os outros Apóstolos, um Evangelista com um livro, e muitos santos do Novo Testamento.

13. No terceiro plano vêem-se outros santos, entre os quais alguns mártires como Santo Estêvão; santos Pontífices, um santo Rei, virgem santas e mártires, como Santa Cecília e Santa Catarina e santas mulheres, como Santa Marta Madalena.

14. Santo Estêvão segura na mão uma pedra, porque sofreu o martírio do apedrejamento.

15. Santa Cecília tem uma harpa, porque cantava louvores a Deus ao som dos instrumentos musicais.

16. Santa Catarina tem aos pés um roda quebrada, porque a condenaram à morte por meio de uma roda armada de instrumentos cortantes, mas a roda quebrou-se, mal a puseram em movimento.

17. Santa Maria Madalena segura um vaso, porque derramou um dia sobre a cabeça de Nosso Senhor um vaso cheio de precioso perfume.

FIM