O LIMBO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

O Limbo é designado no credo como "inferno" quando é afirmado que "Jesus Cristo desceu aos infernos". O Catecismo explica:

"A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, Visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o
estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no "seio de Abraão". "São precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos Infernos". Jesus não desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido." ( § 633 )

E mais adiante no § 635 : "Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que "os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da vida", "destruiu pela morte o dominador da
morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte" (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 1,18), e "ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos" (Fl 2,10).

O Catecismo de Trento, promulgado após o Concílio de Trento ao explicar o lugar onde as almas privadas da Glória estão detida depois da morte, ensina que " existe uma terceira classe de cavidade, onde residiam as almas dos Santos antes da vinda de Cristo Nosso Senhor, onde sem sentir dor alguma, sustentadas com a esperança ditosa da redenção, desfrutavam da pacífica morada. A estas almas piedosas que estavam esperando o Salvador no seio de Abrãao, foram libertas por Cristo Nosso Senhor ao descer aos Infernos"
( Catecismo de Trento, parte 1, cap. 6, n. 3 ).

Na mais recente literatura a palavra limbo é empregada para indicar o lugar e a situação em que se encontram as crianças e quem se equipara a eles e que morrem sem haver recebido o sacramento do batismo: " o limbo das crianças".

A questão de quem morre sem haver chegado ao uso da razão e sem ter sido batizado tem nos dado diversas teorias:

- Sauras afirma que se obtêm a glória pelo voto real do batismo
- Boudes também o afirma, mas em razão da solidariedade com Cristo
- Héris e antigamente Caetano, crêem que se salvam pela fé dos pais
- Laurenge opina o mesmo mas em razão de uma opção pessoal depois da morte
- Garca-Plaza supõe uma iluminação extraordinaria que se faz num ato de caridade perfeita
- Schell crê que a própria morte se computa como martírio, etc.

Com a falta de dados escriturístico se faz necessário recorrer aos pensamentos dos Santos Padres que afirma claramente a existência do limbo (cf. por exemplo, São Gregório de Nacianceno, Pg.36, 385-390; Santo Agostinho, PL 40, 275).

Em geral os Santos Padres e teólogos são unânimes em afirmar o limbo como lugar e estado daqueles que havendo morrido antes de chegar ao uso da razão sem o batismo e portanto com o pecado original e somente ele, sem pecado particular estão privadas da visão de Deus, que é dom gratuito e pessoal, ainda que não sejam castigados com penas aflitivas podem gozar de uma felicidade natural.

O Magistério não tem se pronunciado sobre esta questão, mesmo possuindo alguns documentos escritos pelo Papa João Paulo II:

- O primeiro documento se refere aos que morrem em razão do aborto, o Papa escreve às mães que realizaram o aborto:

" Se embora não o tenha feito e abriu-se com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericordia os espera para oferecê-los seu perdão e sua paz no Sacramento da Reconciliação. Os darei conta de que nada está perdido e podereis pedir perdão a vosso filho que agora vive com o Senhor."(Evangelium vitae, 99);

- O segundo está no Catecismo:

" Quanto às crianças mortas sem Batismo, a Igreja só pode confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito das exéquias por elas. Com efeito, a grande misericórdia de Deus, "que quer que todos os homens se salvem" (1Tm 2,4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que o levou a dizer: "Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais" (Mc 10,14), nos permitem esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo. Eis por que é tão premente o apelo da Igreja de não impedir as crianças de virem a Cristo pelo dom do santo Batismo.
( Catecismo da Igreja Catolica § 1261 ).