O RICO E O POBRE LÁZARO - Havia um homem rico que se vestia de púrpura ...

Lázaro, o pobre faminto e o rico que se vestia de púrpura e se banqueteava, indiferente à miséria do próximo, configuram a triste condição duma sociedade mal dividida, onde os abastados se distanciam cada vez mais dos indigentes.

Este rico, cujo nome desconhecemos, pode ser qualquer um de nós, que se torna merecedor de igual advertência sempre que não souber fazer da sua riqueza um uso social.

O Senhor Jesus não discrimina ninguém na sua convivência e acolhe a todos sem excepção, porque a conversão que Ele quer operar começa pela mudança do coração.

Por isso, o que Jesus nos quer mostrar é a indiferença daquele rico, cujos cães parecen ser mais misericordiosos do que o seu dono :

- "Ele bem desejava saciar-se com os restos caídos da mesa do rico. E até os cães vinham lamber-lhe as chagas". (Evangelho).

O que está aqui em jogo são os relacionamentos das pessoas entre si.

As pessoas que partem em missões de solideriedade para a Guiné, Angola, Afeganistão e outros países mais carenciados, ou mesmo em regime de férias, vêm de lá com outra compreensão da realidade e outra visão da pobreza.

Em troca do que presenciaram e do que fizeram, voltam a contar o que por lá receberam :

- As lições da vida que os pobres sabem dar.

- Lições de hospitalidade cordial, de generosidade e de partilha.

- Uma vontade de saberem mais.

- Uma fé comemorativa e bem celebrada.

Ficam com os seus paradigmas culturais todos baralhados, porque descobrem outras riquezas, outras sabedorias de vida e outras qualidades nos relacionamentos entre as pessoas.

Ainda há bem pouco tempo e segundo as estastísticas mais alarmantes, a quinta parte ( 20 % ) da população mundial, que vive nos países mais ricos :

- Consome 45% de toda a carne e peixe disponível.

- Consome 58% da energia.

- Monopoliza 74% das linhas telefónicas.

- Dispõe e usa 84% do papel que se fabrica.

- Utiliza 87% dos automóveis que circulam.

Deste "grande abismo" nos fala Jesus no Evangelho do rico e do pobre Lázaro, abismo que já não é possível ignorar, porque os dados e as imagens aí estão diante de nós a interpelar-nos.

Este rico de que fala o Evangelho sem lhe dar o nome, simboliza pois, cada um daqueles que, como ele, se consideram nos seus direitos :

- Fizeram fortuna e usam o dinheiro que é seu.

- Fazem mexer os seus negócios.

- Tiram partido dos seus bens.

- Activam e manobram o consumo.

Tudo isto é para eles o nornal, o verdadeiro, mas ignoram ou fingem que desconhecem :

- A situação de outros que têm um nome e são gente.

- Dos incapacitados, por falta de força ou de uma oportunidade.

- Dos amargurados que não debelaram a sua indigência.

- Dos que sofrem à míngua perante o esbanjamento dos ricos.

- Dos que foram vítimas das forças da natureza em fúria.

Honra seja feita àqueles que oferecem o seu trabalho e os seus recursos para ajudar de qualquer modo os mais pobres.

Esses acabarão por receber muito mais do que o que dão, porque se sentem felizes por fazerem o bem e o que se dá por amor nunca fez falta a ninguém.

É esta a grande força que vence o mundo que Jesus nos quer dar e nos recomenda para nos abranger no plano da História da Salvação,

John Nascimento