PAZ DO PONCHE

 

No século 18, no Rio Grande a produção era gado e charque.

  Bem localizado, com função política e militar estratégica

              Pintava já então uma futura situação platina bem bélica

              Aos produtos gaúchos já era proibida a venda e o embarque

 

              A sociedade gaúcha era bem militarizada por causa dos castelhanos

              Com uma economia mercantilizada para o consumo interno

              O descaso do poder central deixaram o estado sulino como no inferno

              Por uma solução revolucionaria e beligerante, diziam os lideres, apelamos

 

              O clima da sociedade sulina então respirado era de rusticidade.

              O viver no pago resumia-se em trabalho duro e em tudo frugalidade

              Diferente da aristocracia central e nordestina, e da canavieira.

              O peão e o patrão gaúcho viviam iguais lide campeira

 

               Não havia desigualdade social entre peão e patrão

               A democracia e a liberdade eram nativa neste chão

               Celebrando a paz honrosa do Ponche Verde em Dom Pedrito

               A Paz do vinte oito de fevereiro de 1845 foi assinado sem dor e sem grito

 

              Hoje celebramos 165 anos de paz nesta terra dos farroupilhas

              Vislumbramos hoje o sol da paz que no brasileiro o céu brilha

              Na serra, na cidade e no pampa e em qualquer coxilha.

              Cantamos hoje a luta pela paz em nossa gaúcha família

 

              Os gaúchos construímos um  hoje consciente sobre  o passado

              Para não sermos brasinos arredios, mas um povo atento a historia.

              Recordamos dos antanhos entreveros as vezes  a luta  inglória     

              Do gaúcho sofrido, mas sempre com altivez ao serviço campesino ligado.

 

              Homenageamos a paz honrosa do Ponche Verde, gaúchos e gaúchas amigas.

              Não esqueçamos os peões repontando as tradições antigas

              De bombacha e lenço e desgastados nos longos rodeios

              Na alma triste anseios, no rosto talvez sorridentes galanteios.

 

               Muita vez sem destino mascando tristes solidões

               Muita vez perdidos andarilhos cruzando pelos rincões

               No lombo do pingo de segunda a domingo

               São os farrapos do séculos idos  tristes respingos

 

               A missa quer ser uma prece, quer ser um grito.

               Que sobe desta Praça Sigfried Heuser para o infinito

               Dos que mastigam a dor e sorvem o mate do desamor

               Dos muitos chamados a serem gente, irmãos de nosso Senhor.

 

              O evangelho de hoje entoa: eu sou o bom tropeiro

               Quero levar a paz de Deus ao mundo inteiro

               Jesus deu a sua vida por todos e por cada um

  Para acabar com o egoísmo em vista do bem comum

 

 

 

              O Divino tropeiro Jesus deu a vida pelo nobre e pelo peão

              Para semear no mundo a mentalidade de irmão

Ele ama todos, mas tem carinho especial pelo mais precisado.

              Ele não esquece a ovelha perdida fora do cercado

           

              Para o grande mundo de hoje de violência tomado

              Que eu me apresente de paz e amor pilchado

              Onde irmão sem nome e renome morre sem esperança

              Façamos como João Paulo II e Bento Gonçalves honrosas alianças

 

              Esta cruz que anima nossa crista reza

              Seja símbolo de nossa fé que a vida embeleza

              Arranquemos de nosso meio o ódio e toda a amargura

              Semeemos como em Ponche Verde a paz e a ternura

 

              O lema da Campanha da Fraternidade Ecumênica desse Ano do Senhor

              Não podemos ao mesmo tempo servir o deus dinheiro e ao Deus verdadeiro

              Não podemos dedicar aos dois o mesmo culto a ano inteiro

             Consagremos, pois nosso amor a Javé nosso Deus o Libertador.

 

Santa Cruz do Sul, 23 de Fevereiro de 2010.

 

 

Pe. Álvaro Aloísio Lenhardt