QUANDO DEUS É ULTRAJADO - Cóleras mais santas que a mansidão

(De uma carta de Santo Isidoro de Pelúsio, monge do deserto de Lychnos, no século V, ao Bispo de Theon).


“Somo igualmente culpados tanto ao querer vingar as injúrias que nos são feitas, quanto ao não nos sentirmos tocados por aquelas que se fazem a Deus. Se se trata de nós, muito bem: usemos de mansidão e indulgência quando nos ofendem; mas quando Deus é o ultrajado, não o convém absolutamente suportar. É preciso externar nossa indignação pelo fato. Vêde, entretanto, qual é a nossa fraqueza! Somo sensíveis até o ponto de não querer perdoar os nossos inimigos, e não temos senão afabilidade para os que se levantam contra Deus! Moisés não agia assim, conquanto fosse o mais afável dos homens. Ele não deixou de encolerizar-se contra os israelitas quando estes fizeram o bezerro de ouro, e sua cólera, nessa ocasião, foi muito mais santa do que toda a mansidão que ele pudesse ter mostrado.”

(Apud “Esprit de Saints illustres”, Abbé L. Grimes, Sagnier et Bray Libraires-Editeurs, Paris: 1853, vol. I, p. 149).