Neste mês de maio, novo verso eu ensaio.
Mês da mãe celebro e de saudades me requebro.
Mesmo capelão do hospital, ter saudades de mãe é bom sinal.
Da ternura mais pura e verdadeira, minha mãe fostes sempre mensageira.
Nas longas horas caladas, nas noites mornas e abafadas.
Sentado no meu quarto sozinho, das estrelas bebo doce brilho.
Meditando só comigo, criança, mãe fostes meu abrigo.
Hoje de saudades quase choro e a morte da mãe ainda deploro.
Lá longe no berço, lembro-me dela rezando o terço.
Era pequeno e feliz, não me lembro de tudo que fiz.
Enquanto meu pai cantava, minha mãe me afagava.
Tudo era tão lindo, eu pra vida me abrindo.
De noite quase dormia, e a lamparina silenciosa tremia.
Eu gripado tossia, minha mãe mel novo me trazia.
Enquanto o pai me olhava, segurança já me passava.
Enquanto eu sonhava, as estrelas já cedo cavalgava.
Hoje canto feliz como filho, que tal mãe teve no trilho.
Quem na casa paterna viveu, e o carinho dos pais sorveu.
Com a estrela sempre luzente, todos me veem sempre contente.
Obrigado pelos afagos que colhi, pelos beijos que cedo recebi.
Hoje capelão septuagenário, sempre feliz e não otário.
Minha vida é ressurreição, dos outros afugento a solidão.
Faço dos doentes o duro calvário, mas feliz e itinerário.
Graças à mãe querida, gosto de sanar a alma ferida.
O amor de mãe fortalece, ele é a mais verdadeira prece.
Deste a gente não esquece, o cidadão feliz tece.
Com mais carinho Senhor, temos um mundo melhor.
Abençoa as mães de Santa Cruz, a prece delas ao céu nos conduz.
Padre Álvaro Lenhardt