A REVERÊNCIA AOS ENTES QUERIDOS - Comemoração dos fiéis mortos

A Comemoração dos Mortos é o complemento da Festa de Todos os Santos: estes dois dias nos lembram e nos mostram concretamente, de uma maneira excelente e sublime, o Dogma consolador denominado pela Igreja A COMUNHÃO DOS SANTOS.

A terra, o purgatório, o Céu, são a mesma Igreja de Jesus Cristo em estados diferentes; os fiéis vivos, os defuntos cujas almas têm necessidade de serem purificadas, os eleitos já admitidos no seio da glória, somos todos irmãos; uns foram ontem o que nós somos, e amanhã, COM O SOCORRO DA GRAÇA, nós seremos da maneira que eles já são.

Choramos nossos defuntos, acompanhamos nossos pais, parentes e amigos defuntos até a sepultura, guardamos deles a lembrança, mas isto não é suficiente: nós devemos rezar por eles.

 A Fé nos ensina que entre o Céu e a terra há um lugar intermediário chamado Purgatório, lugar de purificação, onde as almas dos eleitos cuja pureza não é perfeita, expiam, dentro de um fogo misterioso, mas temível, o resto de suas faltas. Deus é tão puro, Deus é tão Santo, que ninguém pode ver a Sua face nem ser admitido em Sua presença, se não tiver isento da mais leve mácula.

Nós todos devemos nos preocupar por nossos defuntos, para que suas almas não fiquem retidas nesse lugar de expiação; não devemos nos tranqüilizar achando que já foram para o Céu logo após a sua morte: rezemos por eles, ofereçamos a Cristo, pelo seu alívio, nossas boas obras, nossos sofrimentos, as indulgências, sobretudo o Santo Sacrifício da Missa.

Essas almas pedem em grande clamor nosso socorro, elas se ressentem de nosso abandono; nossas preces e nossas boas obras são para elas um refrigério, uma doce consolação, uma causa da diminuição de seus sofrimentos, uma maneira de um mais rápido livramento.

 A Vida dos Santos, por mil provas do mais alto interesse, nos lembra que a Igreja da terra deve à do Purgatório. Se nossos queridos defuntos vêm raramente, através de aparições, evidenciar nossa negligência e nossa fraca caridade, possamos nós de modo freqüente, cada dia, estar conscientes do seguinte pensamento: “As almas que sofrem me imploram; eu posso facilmente ir em ajuda delas; mãos à obra, sem demora e sem cessar!”

 

A devoção para com as almas do Purgatório trará para nós mesmos um duplo resultado salutar. Essa devoção: nos fará deixar de praticar determinados pecados, devido à lembrança dos castigos que teremos que expiar; e atrairá sobre nossa alma, após nossa morte, as misericórdias divinas prometidas aos corações misericordiosos. (Adaptado de texto do Abade L. Jaud).

 

 

VOZ DO SAGRADO MAGISTÉRIO

 Trechos finais de CREDO DO POVO DE DEUS,

              Papa Paulo VI

Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos.Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna.

Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 11,9-10; Jo 16,24). Professando está fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.

Bendito seja Deus: Santo, Santo, Santo! Amém.

Pronunciado diante da Basílica de São Pedro, dia 30 de junho do ano de 1968, sexto de nosso Pontificado.

 

PAPA PAULO VI