A VIGILÂNCIA DO CORAÇÃO

ESTAIS VÓS PREPARADOS?

- Estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais é que vem o Filho do Homem.

Num tempo em que a segurança social faz multiplicar as empresas de vigilância, Jesus Cristo fala-nos da Vigilância do coração que não é determinada pelo medo, mas ditada pela esperança jubilosa dum encontro feliz, com aqueles que amamos.

* A Vigilância do coração, porém, pode ter objetivos menos nobres, quando o egoísmo ou a ganância, a vaidade ou a luxúria, polarizam os nossos afetos e os nossos sentimentos.
* A Vigilância do coração, quando positiva, supõe a convicção interior que, pessoas e acontecimentos, são portadores de sinais e bênçãos que falam de Deus.
* A Vigilância do coração, quando positiva, significa a capacidade de ler para lá do imediato, descobrindo com alegria o segredo surpreendente que cada realidade, pesssoal ou cultural, encerra.
* A Vigilância do coração, quando positiva, traduz-se numa atitude de expectativa paciente, que respeita os ritmos e as formas, e acompanha o desabrochar natural das coisas, para lhes captar o mistério sem o profanar.

Quando sabemos que um amigo querido está próximo, o nosso coração fica vigilante, desde o momento em que o sabemos.
Assim é o Reino de Deus, acontecimento feliz por excelência..

O Reino de Deus é o anúncio da aliança de Deus com a humanidade, e somos convidados para irmos ao seu encontro, porque é Ele que toma a iniciativa de vir ter conosco; e vem ter conosco, em todos os tempos e em todas as circunstâncias, para realizar conosco um encontro de alegria e estabelecer conosco uma aliança criativa.

Mas nem sempre esse encontro é imediato e evidente...
A confiança é posta à prova, quando nos parece que Deus está a demorar-se...já não vem...ou se retira...

Podemos deixar-nos adormecer na dúvida e, pior do que isso, deixar esmorecer ou apagar a chama da fé que nos mantinha vigilantes.

Importa então perceber que Deus habita a nossa fé e que, esperar por Ele é já possuí-l?O na intimidade feliz dum coração que se mantém vigilante, porque sabe que o seu Senhor está sempre a vir.

Uma vinda fácil poderia banalizar o encontro e estiolar a aliança porque, na purificação da espera, se garante a renovação da alegria e a felicidade da aliança.

Daí, a admoestação do Senhor :
- "Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Senhor virá".

E nós, que escutamos estas palavras, logo pensamos que Ele nos está a advertir relativamente à incerteza da hora da morte...

Enganamos-nos, porém, porque não é a morte que temos de vigiar, mas sim a vida, e vigiar a vida é estar preparado para amar.

Uma vez que o Senhor está sempre a vir, Ele vem :
- Quando uma visita inesperada nos perturba o nosso programa.
- Quando um desconhecido irrompe os nossos afazeres.
- Quando o filho ou o cônjuge iniciam uma nova conversa, exatamente quando nos preparávamos para uma nova atividade.
- Quando o correio, o jornal ou televisão nos dão tristes notícias.
Nessas alturas a Vigilância do coração, se existir, far-nos-á dominar a contrariedade natural e acolher com cordialidade aquele que nos incomoda porque nos faz alterar os nossos planos.

Mas a Vigilância do coração manifesta-se também na coragem de interromper o lufa-lufa diário para elevarmos o olhar para o alto e escutarmos a Deus que nos fala pela sua Palavra, ou simplesmente através dos acontecimentos.

Então começaremos a entender de outro modo aquela Palavra que Jesus acrescentou :
- "Estai preparados, porque na hora em que menos esperais é que virá o Filho do Homem"
Viver segundo esta exigência da Vigilância do coração é a maior garantia de que estamos dentro do plano da História da Salvação.

John Nascimento