AS VERDADES E AS MENTIRAS SOBRE O LIMBO

Como sempre, vou falar, vou ponderar, vou meditar como um leigo qualquer, como um católico que nos últimos anos viveu 95% de seu tempo para as almas, e a salvação eterna. Eu não tenho outro cacife a apresentar que este: nem qualquer teologia, muito menos autoridade eclesial para falar sobre este assunto: o Limbo!
 
Durante muitos séculos, a Igreja nos deixou entreaberta uma porta, que dava neste ponto sensível de sua doutrina. Digamos: não de sua Doutrina oficial, porque tanto o pequeno Catecismo, quanto o Catecismo da Igreja não contemplam hoje esta situação, o Limbo!  O pequeno, antigo, tinha sim! Que seria o Limbo? Seria um local, ou um estado de alma, que ampararia em especial às crianças que morreram sem batismo, e também as almas dos adultos falecidos nesta situação. Mas agora, parece, querem fechar esta porta!
 
     Os fatos! Recentemente o Santo Padre o Papa Bento XVI, sensibilizado com a situação das crianças – também abortos – que morrem sem batismo, resolveu nomear uma comissão de estudiosos, para definir esta questão. Naturalmente que se trata de algo polêmico, pois tal como a palavra “Purgatório” não existe na Bíblia, também “limbo” não existe, o que dificulta a sua fundamentação teológica nas Escrituras. Entretanto, o que se está vendo é uma balburdia geral das cassandras modernistas, dizendo que “o Papa quer acabar com o Limbo”, quando na verdade apenas se começam os estudos.
 
     Mais que isso: já surgem das trevas os apóstolos do demônio, que espalham isso como um maldito rastilho e com gozações que acrescentam: então ele pode acabar também com o inferno? E dizem como resposta: sim, se ele quiser, porque também isso não existe! É outra invenção dos padres para converter pelo medo! Opa! Espera aí! Somente Jesus falou por 19 vezes no demônio e nos castigos do inferno! Então esta é uma constatação real que não precisa de fundamento teológico, nem Concílio para dogmatizar. Não vamos colocar a carruagem na frente dos cavalos, porque afinal, os estudos sobre o Limbo devem demorar até dois anos ou mais. E até lá, muita água deve ainda passar por baixo desta ponte.
 
     A sensibilidade do Santo Padre em relação aos não batizados que morrem, é obra do divino Espírito Santo, a mesma que tem motivado já inumeráveis experiências de leigos. Os primeiros movimentos leigos no sentido de batizar as crianças do Limbo, surgiram através de profetas atuais, ao que consta na Alemanha, onde o próprio Céu se manifestou pedindo este batismo, e orientando como fazer. Muito combatida pelas cassandras da “alta” teologia, esta prática piedosa, entretanto chegou até nós, e inclusive nosso singelo Movimento: Salvai Almas tem batizado milhares e milhares destes inocentes.
 
     Na realidade, três pontos contam a favor desta nossa iniciativa: 1 – O pedido do Céu para que o façamos, e nós cremos nisso! 2 – A existência de pessoas como em especial o Sálvio que tem o dom de saber, nos cemitérios, as crianças sem batismo, o seu nome, e por ele o batiza! Sabe se é menino ou menina, e nós cremos nisso. 3 – A ocorrência de centenas de situações onde esta realidade nos é mostrada na prática, através das mensagens ao Cláudio – abaixo seguem exemplos – e nós cremos nisso! Assim, com os batismos que o Sálvio realiza – um ou dois por cemitério – são batizadas todas as crianças daquela região, inclusive os abortos, provocados e espontâneos. Vamos a exemplos!
 
     1 – Caso ocorrido num cemitério de Guabiruba – SC: Esta mãe solteira, tendo nascido sua criança num hospital, esta veio à luz com uma gravíssima deficiência congênita, que fez a mãe apavorada abandonar seu menino. Ele morreu dois meses depois, e a mãe veio a se casar. Teve outros filhos e morreu. Bem, ela estava já há 23 anos no Purgatório a espera de alguém que lhe batizasse o filho! Quando o Sálvio fez isso, ambos foram para o Céu, ele nos braços da mãe. Custamos a achar o túmulo desta mãe, porque ela mudara de sobrenome, pois só sabíamos o nome da mãe e da criança, que não estava no túmulo.
 
     2 – Este caso ocorreu num cemitério de Gaspar – SC: Aqui também o Cláudio recebeu a mensagem desta criança, que morrera sem batismo, com já um ano, por relaxamento da mãe. Nesta época o Sálvio ainda não tinha o carisma. Então foi feito o batismo deste menino pelo Cláudio e mais uma vez subiram ambos ao Céu: a criança nos braços da mãe, que ficara por 26 anos no Purgatório esperando este batismo. Naquele dia subiram junto com eles mais de 400 crianças da região, que tinham situação idêntica.
 
     3 – Este caso aconteceu num cemitério de Blumenau – SC: Este casal, que residia no interior do município, ainda no namoro viram a moça engravidar. Então, em surdina, eles combinaram de ela ir para a cidade fazer o aborto, e a comunidade nunca soube disso. Eles casaram, tiveram outros filhos, mas seu sofrimento foi terrível, porque o crime que eles praticaram estava sempre diante deles. Este sofrimento lhes deu a graça da contrição e do Purgatório, onde aguardavam por 48 e 46 anos, pelo batismo da criança, que é lógico não estava ali enterrada. Foram também, juntos para o Céu, a criança em seus braços.
 
     4 – Este aconteceu num município do Norte de SC: Quando entramos no cemitério, vi o Cláudio se encaminhar para o túmulo de uma jovem muito linda, de 18 anos, enquanto o Sálvio buscava um pequeno túmulo que ficava bem perto. E pensei: trata-se de um estupro! E foi mesmo! Esta jovem fora estuprada e não suportando seu filho, na verdade o odiando, aos seis meses de gestação loucamente praticou o aborto, do qual veio a falecer também. Estava ali cinco anos esperando o batismo de seu filho, e ambos foram ao Céu.
 
     5 – Este caso aconteceu num cemitério do RS, próximo da Argentina: Também aqui o Cláudio foi a túmulo de um senhor falecido há 20 anos, enquanto o Sálvio buscava o túmulo de um menino. Este senhor, de coração muito duro, havia tardado por mais de um ano o batismo de seu filho, e avarento, tardou também em buscar medicamento para o filho, que morreu em vista desta falta de cuidados. O sofrimento do pai relapso foi horrendo nestes 20 anos, mas agora subiu junto com sua criança batizada, para a glória eterna. Deus é bom! Somente Seu Amor para tão grande misericórdia: salvar tal pai!
 
     6 – Este caso aconteceu em Jaraguá do Sul – SC: Este cemitério comunitário tem enterrados muitos protestantes e muito dos casos de crianças mortas sem o batismo, se deve ao desleixo das mães protestantes. Já no cemitério antes, haviam ficado 17 almas protestantes destinadas até o fim dos tempos, o que nos surpreendeu. Mas aqui, o doloroso foi saber que, quando o Sálvio fez o batismo das crianças através de uma delas, ficaram de fora todas aquelas que eram filhos de protestantes. E a mensagem disse: estas ficam sob responsabilidade das mães, que também ficaram no Purgatório. Até quando?
 
     Estes são alguns exemplos que lembro agora! São exemplos da prática, que ilustram bem a situação. Nós acreditamos piamente naquilo que fazemos. Portanto, se eu achasse que o Limbo não existe, teria que desacreditar do Movimento e de pessoas como Cláudio e Sálvio, com seus carismas tão especiais. Aliás, Sálvio deve ter milhares de histórias neste sentido. E assim, a primeira pergunta que eu feria é: Faz algum mal, comete-se algum tipo de crime, algum pecado grave, batizando estas crianças, mesmo que a Igreja não tenha ainda doutrinalmente definido esta situação? A resposta clara é: não!
 
     Ora, se não é pecado, se a Igreja tardou em definir esta situação, e se não faz mal, então faz bem, porque Jesus disse: quem não é contra nós, é a nosso favor! Importa então que todas as pessoas, de todos os lugares do mundo, que promovem estes batismos, que continuem sua obra, mesmo que, por eventual desgraça, por pressões vindas do inferno modernista, o Santo Padre venha a decretar o fim do Limbo. Mesmo que isso venha a ser feito, ainda assim o limbo continuará existindo, pois certamente isso não viria do Papa como Dogma de Fé e sim como simples instrução. Portanto, como já se faz tanta coisa errada contra a ordem do Papa, fazer uma boa obra sem ordem dele, não seria pecado.
 
     Vejamos algumas questões de doutrina cuja chave eu extraí do site Montfort.org! Que seria este “limbo” no entender de parte da Igreja Católica? Seria um local – ou um estado de alma – com duas conotações diferentes. A primeira seria de um lugar temporário onde as almas dos justos e patriarcas, já livres dos pecados, estavam excluídas da visão de Deus, aguardando a ascensão de Cristo, e a abertura das portas do Céu. O segundo seria um lugar permanente, onde estariam as almas das crianças mortas sem batismo, excluídas da visão de Deus, tendo em vista a presença nelas do pecado original.
 
     Restaria ainda uma situação a ser contemplada, que se refere aos adultos que morrem sem batismo, principalmente os que pertencem a outros credos. Tudo aquilo que sabemos e nos foi ensinado é que estas almas são julgadas pela lei natural, que está impressa na mente de todos os seres humanos, mesmo dos não cristãos: Não matar! Não Roubar! Não Mentir! Todos sabem que isso é errado, dentro de qualquer religião, raça ou povo! E isso não pode ser deixado de lado, porque na verdade, em uma estatística básica, significa um assombroso número de ¾ partes da humanidade que não conheceu ou conhece a Cristo. 
 
     Mas Jesus falou claramente em Marcos 16, 16: Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Ora este versículo trás duas premissas básicas e um veredicto claro! As premissas são: crer e ser batizado! O veredicto claro: será condenado quem não crer! Não há meio termo! Assim, as premissas são irrefutáveis, ou Jesus mentiria! Para que uma pessoa se salve é preciso que ela antes acredite em Jesus Cristo, e também que seja batizada para se ver livre da mancha original! Em seguimento, é natural e irrefutável, que, quem não acreditar em Jesus será condenado eternamente.
 
     É muito vago, portanto, o conceito de julgamento dos homens pela lei natural, porque ele passaria por cima desta Doutrina de Jesus. Ou seja: almas que não aceitaram Jesus em vida poderiam se salvar também, mesmo sem batismo! Então, para que uma Igreja, para que uma Cruz, a morte e o Sangue de Cristo? Seria bobagem e maluquice de Deus pedir a morte de Seu Filho em resgate dos homens, caso todos pudessem se salvar desta forma. Pela lei natural! Na realidade isso não convence, e precisa de uma explicação.
 
     Na realidade a crença no Limbo é mencionada diversas vezes no Antigo Testamento e também fica clara na passagem de Lázaro e Epulão (Lc 16, 22) onde fala do seio de Abraão. Era, portanto crença corrente entre os judeus! E a tradição advinda dos santos padres da Igreja, através dos séculos suporta sem dúvida a sua existência. Na verdade, grande parte da Doutrina oficial da Igreja sobre o Purgatório se sustenta nas visões e nas experiências destes santos e santas. Por qual motivo então, se eles acertaram em relação ao Purgatório, acaso errariam em relação ao Limbo? Seriam então irresponsáveis?
 
     De fato, já São Gregório Nanzianzo (325-389) dizia assim: as crianças que morrem sem batismo, não serão admitidas pelo Justo Juiz na Glória do Céu, nem serão condenadas a sofrer punições, uma vez que, apesar de não serem batizadas não eram maus. Quanto aos adultos, o Papa Inocêncio II (1160-1216) ensinava que todos aqueles que morrem apenas com o pecado original – sem pecado grave – em suas almas, não sofrem “outra pena, seja fogo material ou verme de consciência, exceto a dor de serem privados para sempre da visão de Deus”. E estes homens são da Igreja! E este último foi inclusive um papa!
 
      Também São Tomás de Aquino, considerado o maior de todos os teólogos da nossa Igreja Católica, ensinava que os não batizados que morrerem sem pecado, não sofrem dor alguma ou “aflição interior”, sequer sentem algum tipo de carência, unicamente não podem gozar da visão beatífica, ou seja, da visão de Deus. Ele explica também que o limbo das crianças não é um mero estado negativo de imunidade contra o sofrimento e a amargura, mas um estado de alegria positiva, no qual a alma é unida a Deus pelo conhecimento e amor por Ele, proporcionado pela capacidade natural da alma.
    Desta forma, então, não se poderá dizer simplesmente que o Limbo não existe, porque seria desacreditar de pessoas de elevada teologia, que inspiradas pelo Espírito Santo nos legaram estes preciosos ensinamentos. Nem se pode dizer que ele não tenha qualquer fundamentação teológica – porque estes foram grandes teólogos – tampouco que não haja na Bíblia passagens que o justifiquem. Há, pois documentos da Igreja neste sentido, inclusive pela mão do maior de todos os seus teólogos! Existe a disposição de um de seus Papas e existe também a fundamentação nas Escrituras. Basta rezar e desenvolver isto!
 
     Ora, no meu modo leigo de entender, trata-se de simples lógica. De fato, com tantos anos pensando, vivendo, sentindo e pulsando estas questões de almas e salvação eterna, e vivendo dentro deste Movimento com todas as suas profecias, não resta dúvida que – mesmo leigo – nos foi possível entender certas coisas. Se o tempo pudesse voltar atrás, e se uma pessoa como o Cláudio fosse contemporâneo de São Tomás de Aquino, com toda a certeza de que este santo, com toda a sua sabedoria, não conseguiria refutar as inúmeras revelações que o Cláudio tem recebido neste sentido. E quem me garante que este grande santo e muitos outros da Igreja, não tenham tido as mesmas revelações do Céu?
 
     Então, como leigo – e até onde posso ir – sinto o seguinte: Em primeiro lugar, o Limbo existe de fato, sem dúvida alguma! Que não tenha no Céu este nome, mas existe este local – prefiro dizer um local, um ambiente comum, para facilitar – onde são guardadas as almas daqueles que morrem sem batismo, crianças e também adultos. Neste local, eles não sofrem qualquer tipo de dor, nem tormento de consciência, e na verdade são felizes. Até porque, nem sabem que existe algo melhor, ou seja, o gozo eterno da visão beatífica! Para estas almas, assim está bom, maravilhoso, extraordinário! Que temer então?
 
     Ou, por qual motivo negar, senão pela busca de um ardil, de envolver a Igreja Católica no descrédito? Como dizem os blasfemos: se o Papa pode acabar com o limbo, pode também acabar com o inferno! De fato, o demônio busca apenas levar a Igreja a uma primeira contradição qualquer – embora o Limbo não seja parte de sua Doutrina, apenas aceitação tácita por parte dela – porque tendo aberta uma só chaga, por ali entram todas as outras bactérias da putrefação modernista. Cremos assim, que o Santo Padre terá prudência em alongar estes estudos, para que através da oração do povo de Deus, o Espírito Santo nos possa conduzir a um verdadeiro entendimento desta questão.
 
     Que é séria, aliás, seriíssima! Porque ela envolve o destino eterno de ¾ partes da humanidade e isso não é pouco! Falo dos natimortos e dos abortos entre os cristãos, e tudo isso e mais, nos povos pagãos, de outros credos. Os que não vivem a Doutrina da Jesus e nem praticam o Batismo ensinado por Ele, feito em nome da Trindade Santa. E os tempos urgem, sendo então preciso definir isso, o que, a meu ver já deveria ter sido feito há séculos atrás. De fato, se houvessem outros teólogos como São Gregório e São Tomas, e outros Papas Inocêncio III, que aprofundassem isso, certamente já teríamos formado tal doutrina, e milhões de almas poderiam se guiar pela decisão sábia da Igreja.
 
     Como leigo então, penso que o Limbo existe e isso está numa mensagem ao Cláudio, datada de 14/05/1998, que trata desta dúvida dele sobre outros credos, São Miguel responde a esta pergunta dele: E quem morre de outra Igreja e tinha uma boa vida e fé? Em estado de graça vão para o Céu, mas apenas quem conheceu o Deus verdadeiro! Outras religiões pregam um deus diferente, céus e inferno diferentes... Quando morrem vão eles mesmos ao encontro de seu deus, que não existe e acabam no limbo eternamente: Num vazio sem sentido... (Eternamente?) Até o fim do mundo! Somente no fim do mundo, Deus escolherá os bons e os outros serão “danados” para sempre...
 
     Ora, aqui temos diversos pontos a considerar, e o primeiro é a menção clara de São Miguel que o limbo existe. Outra coisa é que jamais irá morrer alguém adulto, vindo de outros credos, em estado de graça, porque entre eles não existe o outro Sacramento que permite isso, o da Confissão. Porta que se abriria então, apenas às crianças nascidas nestes credos pagãos, não aos adultos. Que pregam céus e infernos diferentes, que nem existem. E porque isso não existe não os pode acolher. Resta então a Misericórdia do nosso Deus, Único e Verdadeiro, cujos artifícios de salvação eterna são inesgotáveis.
 
     Como, porém, levar estes outros povos à salvação, sem descumprir a palavra de Jesus quanto ao “crer e ser batizado”? Penso num artifício simples, que está implícita nas palavras de Sabedoria de São Tomás de Aquino, quando ele fala da “capacidade natural da alma”, que é capaz de, por si mesma, unir-se a Deus, pelo conhecimento do Amor. Que se daria então? As almas dos pagãos, que morrem sem conhecer Jesus – para poder crer Nele – quando não encontram seu Deus, chegam a este local de paz, onde deveriam – como diz São Miguel – ficar eternamente.
 
     Mas – raciocínio meu – Deus não Se poderia conformar em permitir esta – digamos – meia redenção, e certamente, devido à capacidade natural das almas, permite que – atentem bem para isso – no limbo as almas possam aos poucos, embora difusamente, ir percebendo a existência deste Deus Único, que nada tem a ver com seu ídolo maldito e ineficaz. Na medida em que elas tenham sido pessoas decentes, honestas, verdadeiras e tenham cumprido os artigos inerentes à lei natural, podem abominar os seus conceitos errôneos e aceitar amorosamente a este Deus único. Isso permitiria então o batismo de desejo, que segundo temos aprendido é administrado unicamente pelo próprio Jesus.
 
     Sim, e podem também renegar, ou rejeitar esta proposta amorosa de Deus. Toda alma é livre para decidir, pró ou contra Deus. Eis porque São Miguel nos diz que “... no fim do mundo, Deus escolherá os bons e os outros serão “danados” para sempre...”. Esta questão tem uma lógica muito clara. E nos indica que esta escolha de Deus, que se fará somente no Juízo Final, dará a chance de todos os que tenham sido bons, que tenham aceitado a verdade de Jesus dentre estes pagãos, possam finalmente gozar da visão beatífica, para usufruírem dos méritos preciosos da redenção de Jesus Cristo.
 
     Quanto a aqueles que, mesmo tendo chegado neste estágio, tendo tido a oportunidade de conhecerem e aceitarem ao Deus verdadeiro e único, e ainda assim não aceitarem, a possibilidade de condenação eterna lhes é muito clara. Mas isso mostra também que esta capacidade natural de a alma – no Limbo – compreender ao Amor não é tão difusa assim. Trata-se de uma quase doutrina que lhes é infundida pelo Espírito Santo, naquele local e depois da morte, à qual eles são livres para viver ou renegar. Tudo isso livremente, e sem a ação dos demônios. O que se configuraria numa vantagem excepcional!
 
     Minhas meditações neste sentido, apenas empacam numa situação: a pergunta que fica no ar é se estes renegados que mesmo tendo esta chance ainda assim a rejeitam, se eles podem lá praticar o mal, ou se isso é apenas algo interior, da alma, uma vez que lá estão apenas em espírito e não fisicamente? A resposta é que se trata apenas de negação interior e que elas não podem causar mal ou atrapalhar o progresso das que querem a glória e caminham para a visão beatífica de Deus. E todas ficarão lá – aliás, estão lá agora e são muitos bilhões (em tese mais que no Céu) – esperando o próximo e mesmo iminente Juízo Final, onde terão as suas situações plenamente definidas.
 
     Por outro lado, sentindo sempre este coração amoroso de Deus e pensando Nele acho que esta remissão dos bons já esteja acontecendo agora mesmo, porque afinal, eles se encaixam em uma situação idêntica a dos antigos patriarcas, que não viviam o Batismo e nem precisam crer em Jesus Cristo. Sim, pois Ele nem tinha Se manifestado ao mundo. E não há lógica então em fazer estas almas esperar até o Dia do Juízo – embora Deus possa sim fazer isso – quando podem desde já participarem da felicidade plena; tendo aceitado a Deus, tendo compreendido o Amor, lhes restaria apenas o Batismo de Jesus, para que tudo se consumasse imediatamente, tão logo tenham vivido a aceitação plena da verdade.
 
     Naturalmente que, estas minhas singelas considerações são pessoais, são fruto apenas de meditação constante, e isso não somente do tempo em que estou participando desta caminhada, mas desde criança. Aliás, quando fiz minha catequese da primeira Eucaristia, o Limbo constava deste ensinamento. Mas depois deste Concílio pastoral e tão cheio de contradições, tudo isso foi deixado de lado, certamente para abrir espaço a esta maldição suprema do modernismo – e do falso ecumenismo – de que todos se salvarão um dia, independente de terem sido bons ou maus, e isso destinado a todos os credos.
 
     Então, se “modernamente” já eliminaram o inferno e já suprimiram os demônios, não pregam mais o Purgatório e a necessidade de purificação, que tal erradicar o Limbo como última barreira? Óbvio, isso é doutrina dos adeptos do demônio, de almas renegadas e entulhadas de pecados graves, que imaginam que, se a Igreja rejeitar isso, então o Céu se irá abrir, se escancarar para todos, independentemente de seu estado de alma. Querem então que o Papa elimine tudo por decreto, mal sabendo que, mesmo que ele fizesse tal loucura, isso jamais alteraria uma fagulha da realidade. O inferno é destes maus!
 
     Esta doutrina maldita tem origem no antropocentrismo – o homem e não Deus como centro de tudo – onde se afirma que tudo o homem cria e aceita como verdade, então esta passa a ser a verdade. E Deus – se Ele existe? (bandidos) – deve adaptar-Se a ela. Eis porque já mudaram a Moral que vem de Deus, pela “ética” que vem do diabo. Também trocaram o Amor quem vem de Deus pela “fraternidade” light! E trocaram a caridade cristã, pura e desinteressada, pela fingida “solidariedade”, malsinada e sem compromisso de fé. Disso resultou a pregação de uma falsa “liberdade”, que virou nesta libertinagem.
 
     Quanto ao limbo ainda, quando rezamos no Credo, que Jesus desceu à mansão dos mortos, na realidade devemos acreditar assim: desceu aos infernos! Porque realmente, primeiro Jesus desceu ao inferno, onde foi mostrar aos demônios Sua vitória definitiva, fato que levou estes entes malditos a se baterem furiosamente durante séculos, de tanto ódio, ao se verem vencidos. Depois Jesus foi ao Purgatório buscar as almas que lá estavam em processo purificador, e por fim foi também ao Limbo, onde se encontravam as almas dos justos e patriarcas, e com estes remidos subiu ao Céu.
 
     Ora, se o Céu estava fechado, e se o Purgatório é diferenciado, onde estariam as almas dos patriarcas e santos antigos, que durante milênios aguardavam a vinda do Messias Salvador? Obviamente que “no seio de Abraão”, uma palavra que se poderia substituir por Limbo. Eles não podiam ver Deus, porque o Céu estava-lhes fechado, mas também não mereciam continuar no sofrimento do Purgatório, pois já haviam remido suas penas. Seria injusto então, que eles ficassem no Purgatório, eis o Limbo com toda sua realidade.
 
     Naturalmente que ficam alguns véus de mistério ainda assim. Alguns já o sabemos, mas isso deve ficar no esquecimento, pois o Pai assim o deseja. Nem a Igreja o saberá! E ainda se poderia perguntar - em relação aos pagãos que não aceitarem a verdade – e que serão “danados para sempre”, se os seus castigos eternos correspondem ao inferno, ou Deus tem para estes, reservado algo diferente? Se este: “danados” se referir a inferno, então quer nos dizer que, no Limbo, tais almas dos pagãos realmente conseguem compreender plenamente toda a Verdade. Pois se houvesse uma só chance de não entenderem isso bem, não seria justo que fossem condenadas ao eterno tormento.
 
     No mais, estamos chegando lá! Quem sabe este debate se atrase, e a Igreja não venha a arranhar neste mistério, de forma a abrir espaço aos hereges. Pois, pelo que vemos, o Santo Padre quer apenas resolver a situação das crianças sem batismo, e não eliminar de vez o conceito de Limbo. Rezemos para que o Espírito Santos os ilumine!  E muito!
 
Arnaldo