CREDIBILIDADE DAS REVELAÇÕES PRIVADAS

"Não extingais o Espírito" (1 Tess 5,19).
"Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça". (Mc 4,23)

O Papa Pio XI dá a seguinte orientação: que se estudem as revelações particulares e as aparições com prudência, seriedade e profundidade. Entretanto, depois de se terem esgotados os estudos e as pesquisas, alguma dúvida permanecer, ele diz que é melhor acreditar do que não acreditar, pois mesmo que a aparição ou a revelação não sejam autênticas, ter-se-ão os méritos espirituais como se fossem autênticas; claro, se estiverem de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica.


Da mesma forma que Deus suscitou e orientou seu povo eleito por meio de profetas, assim também, Ele continua a fazê-lo na Igreja de Cristo pelos nossos confidentes, videntes e mensageiros.


O Emmo. Cardeal Ratzinger em entrevista à revista "30 Giorni", dá uma orientação sobre como se devem entender as revelações particulares.


Nesta entrevista Ratzinger explica que o artigo do Credo "O Espírito Santo falou pelos Profetas" deve ser entendido que continua falando pelos profetas de hoje.


Segundo Ratzinger, cabe aos profetas (os antigos e os atuais) reavivar a virtude da esperança do Povo de Deus. Essa virtude está relacionada à escatologia; a esperança está especialmente focalizada em dois documentos da Igreja: ECCLESIA IN EUROPA, de João Paulo II e SPE SALVI, de Bento XVI, há pouco publicada.


Com efeito, o Catecismo da Igreja Católica, em seu número 67, afirma que as revelações particulares devem ser discernidas e acolhidas pelos fiéis, devidamente orientados pelo Magistério da Igreja. Não somente discernidas, mas também acolhidas.


Quanto à utilidade dessas revelações: esse número 67 do Catecismo destaca também a importância das revelações particulares e não é pequena essa sua importância quando tais revelações particulares, segundo o mesmo Catecismo, devem tornar a REVELAÇÃO PÚBLICA mais acessível aos próprios fiéis, ajudando-os a vivê-la mais plenamente em cada determinada época da história.


Igualmente João Paulo II: Também o Santo Padre João Paulo II, por ocasião da Canonização de Santa Faustina Kowalska se refere a isso que diz o Catecismo, em termos análogos:



A mensagem de Santa Faustina (revelação particular) "não é uma mensagem nova, mas pode-se considerar um Dom de especial iluminação, que nos ajuda a reviver de maneira mais intensa o Evangelho da Páscoa, para o oferecer como um raio de luz aos homens e mulheres de nosso tempo"


Dificilmente se poderia exagerar a importância da inculturação tão insistente e repetidamente pedida por João Paulo II.


Pois bem, a revelação particular, como se pode verificar, outra coisa não é senão uma "inculturação do céu" da revelação pública nos diferentes contextos e épocas da história.


Pois "embora a revelação pública esteja terminada, afirma o Catecismo, não está explicitada por completo. Caberá à fé cristã captar gradualmente todo o seu alcance ao logo dos séculos" (n° 66 do Catecismo) e ela o faz também mediante revelações particulares, que são "como um raio de luz" ou "dom de especial iluminação"como diz o Papa.


Numa dessas revelações, Jesus explica a Vassula (profetiza aceita pelo Vaticano):


"Nas mensagens, (revelações particulares) afirma Jesus através de Vassula - há uma clara e contínua insistência em se concentrar na Santa Bíblia e em viver pela sua verdade. Os escritos são uma atualização e uma lembrança da única Revelação em Cristo, contida na Escritura e na Tradição, transmitida pela Igreja; eles não são mais que um apelo a esta revelação" "Todas estas mensagens vêm do alto e são inspiradas por Mim. Podem ser utilizadas com proveito para o ensino e para refutar o erro. Podem ser utilizadas para guiar a Igreja para a União e para orientar a vida das pessoas e para as ensinar a ser santas. São-te dadas para uma explicação da Revelação que vos foi dada. São uma fonte inesgotável de uma graça espantosa para todos vós, a fim de vos renovar".


Testemunhas das revelações particulares são os santos, as ordens religiosas, festas litúrgicas e santuários.


Jesus, dirigindo-se a São Francisco de Assis: "Reconstrói a Minha Igreja". Daí resultaram várias ordens religiosas que encantaram o mundo com o seu testemunho de pobreza e de humildade.


São João Bosco, através dos sonhos, que são verdadeiras revelações e pérolas da Sabedoria Divina, tornou-se um gigante na educação cristã dos jovens e um apóstolo no zelo pela salvação das almas.


Para os Redentoristas: a obra clássica do Doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório (fundador dessa Congregação) GLÓRIAS DE MARIA SANTÍSSIMA, consiste num extenso apanhado de revelações particulares, a ponto de que, em cada 3 páginas do livro, uma página contém a narrativa de uma dessas revelações, nem sempre previamente reconhecida pela Igreja.


Os Jesuítas: "Todos tenham em grande estima o encargo suavíssimo feito por Jesus Cristo " nossa Companhia (em revelação particular) e aceito por ela com ânimo prontíssimo e agradecidíssimo, de praticar, fomentar e propagar a devoção ao Sagrado Coração.? (Decreto da Congregação Geral XXVII).




Festas Litúrgicas: várias Festas Litúrgicas foram instituídas pela Igreja como conseqüência de revelações particulares.


Dentre estas, a mais relevante é a Festa do Coração de Jesus, a qual a Igreja deu a solenidade máxima. A Igreja determinou o dia dessa Festa exatamente o dia pedido pelo Coração de Jesus a Santa Margarida Maria, isto é, na oitava de Corpus Christi, outra Festa Litúrgica instituída por causa de uma revelação particular.


Temos ainda - e sem pretender esgotar o assunto - Festas Litúrgicas de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora de Lourdes, de Nossa Senhora da Salette, de Nossa Senhora das Neves, Festa Litúrgica da Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano, etc...


Vários Santuários surgiram nos locais das Aparições e Revelações de Maria e dos Santos. Basta lembrar Fátima, Lourdes, Guadalupe, e tantos outros.


Ao Céu não agradam dúvidas quando há elementos para certificar-se:



Várias vezes apareceu a Santa Faustina uma alma do Purgatório solicitando orações, "na primeira vez eu a vi em estado muito sofredor e depois, gradualmente, e, sofrimentos menores. Essa noite eu a vi radiante de felicidade; disse-me que já está no céu, e disse-me que Deus mandou essa aflição sobre essa casa porque a Madre Geral deixou-se dominar por dúvidas, como que não acreditando no que eu tinha dito sobre essa alma." (Diário,594 " em 595 "Deus expôs à prova um certo Arcebispo... porque não acreditava.")



CONCÍLIO DE TRENTO E REVELAÇÁO PARTICULAR:


826. Cân. 16. Se alguém disser que com absoluta e infalível certeza há de ter aquele grande dom da perseverança final, sem o ter sabido por especial revelação " seja excomungado [cfr. n° 805 s]. Segue-se que, se o tiver sabido por especial revelação pode ter "absoluta e infalível certeza" a certeza absoluta e infalível proveniente de uma revelação particular.