O SACERDOTE - VÍTIMA PELA NATUREZA DO SACERDÓCIO

SACERDOS ALTER CHRISTUS

- 30.11.1976 - Revelações ao Padre Otavio Michelini  -


Escreve, meu filho:

Quis dar-te um esclarecimento sobre as almas vítimas, antes de te dizer que cada sacerdote deve ser uma alma vítima.
Esta afirmação suscitará em muitos a surpresa, noutros, o espanto, noutros a incredulidade, ou seja, esta verdade provocará diversas reações, correspondentes aos diversos estado de alma dos que lerem estas mensagens.

Contudo, mantenho firmemente que cada sacerdote deve ser uma alma vítima.
Com efeito, meu filho, sou ou não sou eu a Vítima por excelência? Diz-me,meu filho, não sou eu a Vítima pura, santa e imaculada que aplacou a cólera divina, satisfez a divina justiça? E quem é o sacerdote senão um "alter Christus"? Quem são os meus sacerdotes senão os meus naturais co-redentores, e que co-redenção seria possível sem se fazerem vítimas, como eu me fiz vítima pela vossa salvação?

Não fui eu Sumo Sacerdote e, ao mesmo tempo, Vítima, que me imolei a mim mesmo pela vida do mundo?
Filho numa anterior mensagem está claramente explicada a participação que o sacerdote deve ter na celebração da Santa Missa, e eu disse-te: Ai dos sacerdotes que um dia descobrirão que, na Santa Missa, foram apenas protagonistas inconscientes, passivos e presentes apenas materialmente, em lugar de estarem conscientemente presentes, constantes e participantes comigo.

Estiveram presentes sob a Cruz e estão presentes comigo em cada Santa Missa a minha Mãe e São João!


Fundir-se com a Vítima Divina

Se um sacerdote não está presente no Santo Sacrifício com a firme e efetiva vontade de se oferecer a si mesmo, em união comigo, ao Pai Celeste, pela remissão dos pecados, razão de ser do sacrifício oferecido, o sacerdote esvazia praticamente o seu sacerdócio da sua essência, desnaturando e deformando a natureza do caráter sacerdotal, mutilando o seu sacerdócio do seu objetivo; em suma, este sacerdote massacra o seu sacerdócio real, participação do meu. Imagina um assassino que massacra a sua vítima despedaçando o seu corpo.
Filho, mas que fizeram então os pastores e os educadores, se não foram capazes, se não souberam introduzir nas almas dos "chamados" o conhecimento da natureza, da essência, do objetivo do caráter sacerdotal?

Dois esposos que chegam ao casamento sem conhecerem a sua natureza e o seu objetivo, não são eles dois pobres infelizes? Um clérigo que chega ao sacerdócio sem conhecer, a fundo, a sua essência, natureza e objetivo, é muito mais que um pobre infeliz, pois não só põe em perigo a sua alma, como também um grande número de almas ligadas ao seu sacerdócio no plano da economia divina.

O sacerdote, não só deve ser vítima, com se torna vítima da própria natureza do seu sacerdócio; se, em seguida, recusa este estado de vítima, transforma-se num traidor em relação ao mistério da Redenção, com Judas.


O sacerdote, vítima pela própria natureza do seu sacerdócio

Feliz daquele que está consciente da grandiosa e sublime vocação e missão sacerdotal, e docilmente se oferece ao amor infinito de Deus, que se dignou tirá-lo do excremento e do pó da terra, para o elevar à maior e mais sublime dignidade à qual pode aspirar uma criatura.
Feliz daquele que, consciente de ter sido feito um 'vaso de eleição', se esforça, com Cristo, por segui-lo ao Calvário, para fundir os seus sofrimentos com os da Vítima Divina, para ser depois, com a Vítima Três-Vezes-Santa, libertador de tantas almas do jugo e da brutal tirania de Satanás.

Feliz do sacerdote que não aceita, nem pactua, nem se compromete com os inimigos de Deus, com os inimigos da Igreja e com os inimigos da sua alma e da sua consciência.
Feliz do sacerdote que recusa qualquer colaboração com as forças obscuras do Inferno e caminha pela estrada da perfeição e da santidade, segundo o preceito: "Sancti estote"; porque se um tal preceito de santidade é para todos, é claro e evidente que o é especialmente para os meus ministros, que têm de ser santos para santificar.

 

Que dizer da formação dada hoje nos seminários?

Meu filho, que pavorosa distorção, em nome de um progresso e de uma evolução subversiva, que contrasta claramente com os meus exemplos e ensinamentos!
Pastores, que assististes e assistis passivamente a uma tal perversão espiritual, não julgueis que escapais às vossas gravíssimas responsabilidades; os vosso sofismas não servem para fechar os olhos de Deus.
Em breve vereis com os vossos olhos e em breve pagareis do vosso bolso, por todo mal que não soubestes ou não quisestes impedir, por todo bem que não fizestes.
Eu te abençôo, meu filho. 
 

VERDADE FUNDAMENTAL
01.12.1976
Meu filho, sou eu, Jesus, escreve e não temas.
Ontem disse-te que cada sacerdote deve ser uma vítima que se oferece a si mesma comigo ao Pai, pela remissão dos pecados e pela libertação das almas da tirania do Maligno; agora, pensas que esta verdade fundamental é inculcada nos seminários? Pensas que os pastores vigiam e se asseguram de que os aspirantes ao sacerdócio sejam esclarecidos, iniciados e sensibilizados a respeito da responsabilidade, mais que humana, divina, que eles terão amanhã enquanto sacerdotes, meus ministros e administradores dos frutos do meu Sangue e da minha Paixão?

Não, meu filho; nunca se pode dar ou comunicar a outros o que não se tem. A orientação, a formação dada aos aspirantes ao sacerdócio é completamente diferente da que eu reclamo, ou até lhe é mesmo diretamente oposta.Se os pastores e os educadores não são almas vítima, não poderão formar almas generosas e santas; a razão, já ta dei.

 

Dinamismo febril = Heresia da ação

Mas, Jesus, há pastores e sacerdotes muitos zelosos, e não são poucos!
Não, meu filho; confirmo-te que há pastores e padres santos, mas confirmo-te também que eles são pouquíssimos!

Há pastores e sacerdotes animados de um dinamismo febril; estão contaminados pela heresia da ação. Eu não julgo pelas aparências, julgo uma realidade objetiva, só de mim conhecida.
As almas vítimas gostam de se esconder, as almas vítimas gostam de dialogar comigo, numa oração ininterrupta, as almas vítimas distinguem-se bem das outras que não o são. Hoje, nos seminários, nas congregações religiosas, ficou pouca coisa positiva; eles aboliram as antigas regras e substituíram-nas por outras novas, quase todas inspiradas em princípios errados, não conformes à minha vontade, ao meu Evangelho.

 

Liberdade não significa licenciosidade nem anarquia!

Filho, procurarei que me entendas melhor; confundiu-se a idéia de liberdade com a anarquia... o que é a liberdade para muitos educadores, para muitos sacerdotes e para muitos pastores? Eles confundiram e trocaram a liberdade pela licenciosidade; daí que o laxismo tenha entrado nos seminários, de modo que os aspirantes ao sacerdócio não se diferenciam em nada, ou quase nada, de tantos outros jovens, mais ou menos materialistas, que não recusam nada à voluptuosidade dos sentidos.

Vêem filmes pornográficos, violentos, de qualquer modo imorais e impregnados de materialismo, de experiências sexuais de toda espécie... é preciso conhecer a vida – dizem -, para se poder escolher. A vida – dizem - , é movimento, não há vida sem movimento, até mesmo a vida do homem, criatura feita à imagem e semelhança de Deus, é movimento.

O homem é livre de se mover, para o bem e também para o mal; mas é apenas quando ele se move para o bem que ele cumpre o objetivo da sua vida, da sua vocação, da sua razão de ser, porque ele foi criado para o bem; pelo contrário, avilta a sua liberdade e, consequentemente, a sua dignidade, quando se volta para o mal. A liberdade não significa licenciosidade nem anarquia!


Pavorosa subversão moral e espiritual

Meu filho, a partir do momento em que Deus lança a sua semente na alma daquele que foi escolhido " ab aeterno" , a semente deve ser guardada, protegida e defendida por aquele que recebe a semente, mas também pelos que, por vontade da Providência, têm a obrigação de realizar a sua vocação, desempenhando, com fé e amor, o seu dever de educadores.
Filho, confirmo-te de novo, e sou eu, Jesus, que te dou esta confirmação: Eu renuncio a dizer-te a que ponto de subversão moral e espiritual chegaram certos seminários, verdadeiros alfobres de heresias e de corrupção; sou obrigado a sanear um terreno infecto e terrivelmente contaminado por tantos males.

Fizeste bem, meu filho, em desaconselhar seminários e instituições religiosas àqueles que se dirigiram a ti, porque também eles, na dúvida e na incerteza, não sabiam resolver o problema pessoal da sua vocação religiosa.
Foi apenas por covardia, medo, respeito humano, que não foram tomadas as devidas medidas para corrigir tristíssimas situações, por parte daqueles que tinham o dever de o fazer, sem se preocuparem com nada.
Quem tem uma fé firme não associa a sua ação aos juízos do mundo, mas apenas ao juízo de Deus.

Eu te abençôo, meu filho, ama-me.

Jesus aos seus sacerdotes e fiéis, Vol. 4