OS MEIOS DE SALVAÇÃO E PERFEIÇÃO

O que devemos fazer para a salvação da nossa alma.
 

I.  Oração:

A Necessidade da Oração.

Os textos a seguir são extraídos e rearranjados para esta “mídia” do tratado Os Grandes Meios de Salvação e Perfeição de Sto. Afonso de Liguori. O texto original está disponível através de Our Blessed Lady of Victory Mission, Inc., R. R. #2, Box 25, Brookings, SD 57006-9307, USA, 605-693-3983.

1.     As Escrituras são suficientemente claras ao indicar quão necessária é a oração para sermos salvos. “...é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo .” (Lucas 18:1). “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mateus 26:41). “Pedi e se vos dará.” (Mateus 7:7). As palavras “é necessário”, “orai” e “pedi”, de acordo com consenso geral dos teólogos, impõem o preceito, e denotam a necessidade de orar. A oração é o meio sem o qual não podemos obter o auxílio necessário para a salvação.

2.     A razão disto é evidente. Sem a assistência da graça de Deus, não podemos fazer nada de bom: “...porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5). Sto. Agostinho acentua nesta passagem, que o Nosso Senhor não disse, “Sem mim vós não podeis completar nada”, porém, “Sem mim não podeis fazer nada”, dando-nos a entender que, sem a graça, não podemos nem começar a fazer nada de bom. Mais ainda, S. Paulo escreve, que por nós mesmos, não podemos nem ter o desejo de fazer o bem. “Não que sejamos capazes por nós mesmos deter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus.” (2 Cor. 3:5). Se nós não podemos nem pensar em uma coisa boa, podemos muito menos desejá-la. A mesma coisa é ensinada em outras passagens da escritura: “Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos.” (Ez. 36:27). De tal maneira que, S. Leão I diz: “O homem não faz boas obras, exceto aquele que Deus, pela sua graça, permite-o a fazer” e, portanto, o Concílio de Trento declara: “Se alguém afirmar que sem a inspiração prévia do Espírito Santo, e a sua assistência, o homem pode crer na esperança, amor, ou arrepender-se, como deve, a fim de obter a graça da justificação, que seja ele anátema.”(Sessão 6, cânone 3).

3.     Cremos que ninguém pode se aproximar da salvação, exceto pelo auxílio de Deus; que ninguém merece seu auxílio, a menos que reze.

4.     Destas duas premissas, por outro lado, de que não podemos fazer nada sem assistência da graça; e, que esta assistência é apenas concedida ordinariamente por Deus ao homem que reza, quem não percebe a conseqüência disso, isto é, de que a oração é absolutamente necessária a nós para a salvação?

5.     Deus nos concede algumas coisas, no começo da fé, mesmo quando nós não oramos. Outras coisas como a perseverança, Ele só concede a quem ora.

6.     Conseqüentemente, a maioria dos teólogos, seguindo S. Basílio, S. Crisóstomo, Clemente da Alexandria, Sto. Agostinho, e outros Padres, ensinam que a oração é necessária para adultos, não apenas por ser a obrigação de preceito, mas porque é necessária como meio de salvação. Isto quer dizer, no curso ordinário da Providência, é impossível a um Cristão ser salvo sem se recomendar a Deus, e pedir pela graça necessária para a salvação. S. Tomás ensina a mesma coisa: “Após o batismo, a oração contínua é necessária ao homem, a fim de que possa entrar no céu, pois embora pelo Batismo nossos pecados são remidos, permanece ainda a concupiscência a nos assaltar do interior, e o mundo e o mal a assaltar-nos do exterior.” A razão então que nos dá a certeza da necessidade da oração é, portanto, o que nos devemos buscar e conquistar a fim de sermos salvos. “Nenhum atleta será coroado, se não tiver lutado segundo as regras.”(2 Tim. 2:5). Porém, sem a divina assistência, não podemos resistir à força de tantos e tão poderosos inimigos: agora esta assistência só é concedida através da oração; portanto, sem a oração, não há salvação.

7.     Somos, em uma palavra, pedintes, que não possui nada além do que Deus nos concede como almas: “Quanto a mim, sou pobre e desvalido.”(Salmo 39:18). O Senhor, diz Sto. Agostinho, deseja e quer fazer cair sobre nós as suas graças, porém não as concederá exceto a aqueles que oram; “Deus deseja conceder, porém concederá apenas a quem pede.” Isto é declarado nas palavras, “Buscai e vos será dado.”

8.     Portanto, diz Sta. Teresa, que aquele que não busca, não recebe. Como a umidade é necessária à vida das plantas, para preveni-las de morrerem secas, assim, diz S. Crisóstomo, a oração é necessária para a nossa salvação. Ou como ele diz em outra passagem, a oração vivifica a alma, como a alma vivifica o corpo: “Como o corpo sem a alma não pode viver, assim a alma sem oração está morta e emite um odor ofensivo.” Ele usa estas palavras, porque o homem que se omite de recomendar-se a Deus, de imediato começa a ser corrompido com os pecados. A oração é também chamada alimento da alma, porque o corpo não pode ser suportado sem o alimento; nem pode a alma, diz Sto. Agostinho, se manter viva sem oração: “Como a carne é alimentada pela comida, assim o homem é suportado pelas orações,” Todas estas comparações usadas pelos santos Padres são por eles utilizadas para ensinar a absoluta necessidade da oração para a salvação de todos. 

O que é oração?

·       O Apóstolo escreve a Timóteo: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens.”(1 Tim. 2:1). S. Tomás explica, que a oração é propriamente a elevação de alma a Deus. A súplica é aquela espécie de oração que rogamos por um determinado objetivo; quando a coisa procurada é indeterminada, como quando nós dizemos, “Vinde em meu auxílio, Ó Deus!” é chamada súplica. Obsecração (prece fervorosa e humilde) é uma solene adjuração, ou representação dos campos sobre os quais nós ousamos pedir um favor; como quando dizemos: “Pela Vossa Cruz e Paixão, Ó Senhor, livrai-nos!” Finalmente, a ação de graças é a retribuição pelos benefícios recebidos, onde, diz S. Tomás, nós merecemos receber favores maiores. A oração no sentido restrito, diz o santo Doutor, significa recorrer a Deus; porém no seu significado geral, inclui todas as espécies acima enumeradas. 

Condições para obter infalivelmente aquilo que pede

S. Tomás lista quatro delas: o homem deve orar para si, para o que é necessário para a sua salvação, orar devotamente e com perseverança.

1.     A razão pela qual cada um deve orar para si é que a concessão da graça divina demanda um sujeito que esteja convenientemente disposto. Por esta razão, oração para outros é sempre ineficaz pois não se tem certeza da disposição de quem nós oramos. Ainda assim, a oração para outros é ainda infalivelmente eficaz se a pessoa a quem oramos não coloca nenhum obstáculo no caminho. Isto é assegurado no S. Tiago 5:16 - “Confessei os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados.”

2.     Porque Deus “deseja que todos os homens sejam salvos”(1 Tim. 2:4), é agradável a Ele quando alguém ora por aquilo que é necessário para a sua salvação. Por exemplo, ele pode suplicar a Deus: “concede-me o pão que me é necessário”(Prov. 30:8), para se salvar, para se prevenir de cometer o pecado mortal, para desempenhar alguma ação salutar, ou mesmo o dom da perseverança final.

3.     Orar devotamente significa: com humildade, confiança, atenção, e súplica em nome de Cristo.

I.      HUMILDADE - O Senhor, de fato, não considera as orações de Seus servos, a não ser dos que são humildes. “Quando ele aceitar a oração dos desvalidos e não mais rejeitar as suas súplicas.”(Salmo 101:18). “O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido.”(Salmo 33:19). Outras Ele não considera, mas os rejeita: “...Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes.”(Tiago 4:6). Deus não ouve a oração dos orgulhosos que crêem na sua própria força; mas por esta razão, deixa-os na sua própria fraqueza; e neste estado desprovido do auxílio de Deus, eles devem certamente perecer. É da propriedade da fé, que sem o auxílio da graça, não podemos realizar qualquer boa obra, nem mesmo ter bons pensamentos. “Sem a graça os homens não faz o bem nem no pensamento e nem nas obras” diz Sto. Agostinho. Podemos concluir com Sto. Agostinho, a grande ciência do Cristão - SABER QUE O HOMEM É NADA, E NÃO PODE FAZER NADA. Isto é a íntegra da Grande Ciência, saber que o homem é nada. Pois assim ele nunca negligenciará de se abastecer, pela oração a Deus, que com aquela força, que ele não possui em si, e que ele necessita a fim de resistir à tentação, e de fazer o bem; e assim, com a ajuda de Deus, que nunca recusa nada para o homem que ora a Ele na humildade, será capaz de fazer tudo: “A oração do humilde penetra as nuvens; ele não se consolará, enquanto ela não chegar (a Deus) e não se afastará, enquanto o Altíssimo não puser nele os olhos.”(Eclesiástico 35:21).

II.    CONFIANÇA - A instrução principal que S. Tiago nos dá, se pela oração nós queremos obter graça de Deus, é, que nós oremos com confiança de estarmos sendo ouvidos, e sem hesitação: “Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação...” (Tiago 1:6). Deus se satisfaz mais com a nossa confiança na Sua misericórdia, pois então nós honramos e exaltamos aquela bondade infinita que era o Seu objetivo em nos criar para manifestá-lo ao mundo. Deus protege e salva todos aqueles que confiam Nele: “...Ele é o escudo de todos os que Nele se refugiam.”(Salmo 17:31), “...Vós que salvais dos adversários os que se acolhem à vossa direita.”(Salmo 16:7). O próprio Deus diz: “Pois quem se uniu a mim, eu o livrarei; e o profetizei, pois conhece o meu nome.”(Salmo 90:14). Isaías fala daqueles que depositam a sua esperança em Deus: “mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para frente sem se fatigar.”(Is. 40:31). E quando aconteceu que tendo o homem confiado em Deus, se perdeu? “... sabei que nenhum daqueles que confiavam no Senhor foi confundido.” (Eclesiástico 2:11). Davi chama de feliz aquele que confia em Deus: ... feliz o homem que em vós confia.”(Salmo 83:13). E por que? Porque, diz ele, aquele que confia em Deus se encontra sempre rodeado de misericórdia de Deus. “...Mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve.”(Salmo 31:10). De tal forma que ele é envolvido e guardado por Deus em todos os lados que ele será protegido de perder a sua alma.

III.  ATENÇÃO - Nós devemos orar com atenção, i. e., comm concentração e foco de toda a nossa energia psicológica na oração, no significado da oração ou no próprio Deus.

IV.  ORE EM NOME DE CRISTO - Nosso Salvador promete-nos: “Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.” (João 16:23) (“Em verdade, em verdade vos digo”, que segundo Sto. Agostinho, é uma espécie de juramento). O que Nosso Senhor diz corresponde a: Vão para Meu Pai em Meu Nome, através dos Meus méritos peçam o favor que vocês querem, e Eu prometo e juro a vocês que quaisquer que sejam seus desejos, Meu Pai os concederá. Ó Deus que grande consolo um pecador pode ter após a sua queda e saber com certeza que tudo que ele pede de Deus em nome de Jesus Cristo será dado a ele! Eu disse “tudo” porém eu devo ressaltar que são apenas as coisas que se referem à sua salvação eterna: pois com relação aos bens temporais, nós já mostramos que Deus, mesmo que receba o pedido, às vezes não o concede; pois Ele sabe que estes bens podem nos prejudicar a alma. Porém no que diz respeito aos bens espirituais, sua promessa de nos ouvir não é condicional, mas absoluta; e portanto Sto. Agostinho nos diz, que aquelas coisas que Deus promete de forma absoluta, nós devemos solicitar com a absoluta certeza de recebê-las: Aquelas coisas que Deus promete, procurem com certeza. E como, diz o Santo, pode Deus negar-nos sua graça do que nós para recebê-las! “Ele está mais disposto a ser munificente (generoso) de seus benefícios a vós do que vós sois desejosos de recebê-los.”

4.     Cada um deve orar com perseverança. A graça da salvação não é uma graça simples, porém uma corrente de graças, todas pelo menos ligadas com a graça da perseverança final. Ora, para esta corrente de graças deve corresponder outra corrente de nossas orações se nós, omitindo-nos da oração, quebramos a corrente da oração, a corrente das graças se quebrará também; e como por este meio é que devemos obter a salvação, não seremos salvos. Fr. Suarez diz que qualquer um que ora para a perseverança final a obterá, infalivelmente. Porém, não é suficiente, diz S. Belarmino, pedir a graça da perseverança uma única vez, ou poucas vezes: nós devemos pedir sempre, todos os dias até a morte, se desejamos obtê-la: “Ela deve ser pedida dia a dia. Assim ela será obtida dia a dia.”. Aquele que pede-a um dia, obtém-na por aquele dia: porém se ele não a pede no dia seguinte, no dia seguinte ele tropeçará. O Senhor repetiu de tempos em tempos a necessidade da perseverança na oração até nós conseguirmos o que pedimos. Lembre da parábola do amigo que veio pedir pelo pão (Lucas 11:5-13), do mal juiz e da viúva importuna (Lucas 18:1-5), o episódio comovente da mulher de Caná que insistiu apesar da aparente recusa (Mateus 15:21-28), e o exemplo sublime do próprio Cristo, que freqüentemente passava as noites em oração e em Guetsêmani orou em grande angústia para o seu Pai celeste (Lucas 6:12; 22:44). “Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do homem.” (Lucas 21:36). “Orai sem cessar.”(1 Tessalonicenses 5:17). Para obter perseverança nós devemos sempre recomendar-nos a Deus de manhã à noite, meditação, na Missa, na Santa Comunhão, e sempre; especialmente na hora da tentação, quando devemos continuar repetindo, “Senhor me ajudai; Senhor me assisti; mantende Vossa mão sobre mim; não me deixeis; tende piedade de mim!” Há algo mais fácil de dizer que Senhor ajudai-me, assisti-me! No Evangelho Jesus declara, “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.”(Lucas 11:9). 

A oração dos pecadores

·       S. Tomás não hesita em afirmar que mesmo o pecador é ouvido se ele ora; pois embora a sua oração não seja meritória, ainda assim tem o poder da impetração, - isto é, para obter o que nós pedimos; pois impetração não é fundada na justiça de Deus, mas na sua bondade. “Mérito”, ele diz, “depende da justiça; impetração, da graça”. Assim Daniel rezou, “Inclina, Deus meu, o teu ouvido e ouve; abre os teus olhos e vê a nossa desolação, e a da cidade, na qual se invoca o teu nome; porque nós prostrando-nos em terra diante da tua face, não fazemos estas súplicas fundados em alguns merecimentos da nossa justiça, mas sim na multidão das tuas misericórdias.” (Daniel 9:18). S. Bernardo diz que a oração de um pecador para escapar do pecado se eleva do desejo de voltar à graça de Deus. Ora, este desejo é um dom, que é certamente dado por ninguém além do próprio Deus; para o tal fim, portanto, diz S. Bernardo, Deus daria a um pecador este desejo santo, a menos que Deus queira ouvi-lo? A Santa Escritura está repleta de exemplos nos quais os pecadores são salvos do pecado pela oração. S. Crisóstomo diz que a única hora que Deus está com ira de nós é quando nós omitimos de pedir Lhe os Seus dons: “Ele está irado somente quando nós não oramos.” E como pode acontecer de Deus ignorar uma alma que pede-Lhe pelos favores todos de acordo com o que Lhe agrada? Quando a alma pede-Lhe: Senhor, eu vos peço não pelos bens deste mundo, - riquezas, prazeres, honras: eu Vos peço apenas pela Vossa graça: libertai-me do pecado, concedei-me uma boa morte, dai-me o Paraíso, dai-me Vosso santo amor (que é aquela graça que S. Francisco de Sales diz que nós devemos procurar mais que todas as outras), dai-me resignação para a Vossa vontade; como é possível que Deus não ouça! Que súplica Ó meu Deus, sempre ouvireis (diz Sto. Agostinho), se Vós não ouvis aquelas feitas segundo Vosso próprio coração? “Quais orações ouvireis, se Vós não ouvirdes estas?” 

II.    Batismo

As seções sobre Batismo e Fé são tiradas e adaptadas de O Catecismo da Perseverança” de Monsenhor Gaume, com imprimatur por Cardeal Paulus Cullen, Arcebispo de Dublin; reimpresso em Jesus Cristo Católico de K. E. Gillete, com Permissão Eclesiástica, Victory Publications, Arcadia, Califórnia. 

·       A Necessidade do Batismo. De todos os Sacramentos, o mais necessário é o Batismo. A Fé ensina-nos que ninguém sem estar batizado pode ser salvo, isto é, pode ser admitido à visão de Deus, face a face no Céu. As palavras do Nosso Salvador são categóricas: “Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus.” (João 3:5).

·       Tal tem sido em todas as eras a doutrina invariável da Igreja, solenemente proclamada pelo Concílio de Trento: “Se alguém afirma, que o pecado de Adão, único na sua fonte, porém comum a todos e próprio de cada pessoa por transmissão, e não pela simples imitação, é eliminado pelos efeitos humanos, ou por outros meios distintos dos méritos de nosso único Mediador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que reconciliou-nos a Deus em Seu Sangue, tornando-se nossa justiça, nossa santificação, e nossa redenção; ou negar que os citados méritos de Jesus Cristo são aplicados às crianças e os adultos pelo Sacramento do Batismo, conferido de acordo com as formas usadas na Igreja: seja ele anátema.”

·       O dogma da Igreja, que não pode ser modificado por ninguém, inclusive Papa, estabelece que “O Batismo pela água (Baptismus fluminis) é, desde a promulgação do Evangelho, necessário a todos os homens sem exceção, para a salvação.” A obrigação de receber o Batismo a fim de ser salvo começou no dia em que Nosso Senhor disse a Seus Apóstolos: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mateus 28:19).

·       Os efeitos do Batismo de Água:

1.     Ele apaga o pecado original, e todos os pecados atuais, mesmo que gravíssimos, que alguém pode ter cometido antes de recebê-lo. Este tem sido a doutrina constante da Igreja, formalmente definida pelo Concílio de Trento.

2.     Ele redime todos os castigos devido ao pecado, tanto eterno quanto temporal, de tal forma que aquele que morre imediatamente após o Batismo vá direto ao Céu. A ignorância e a concupiscência (inclinação ao pecado) que permanece em nós após o Batismo são de fato as conseqüências do pecado original, porém elas não são pecados.

3.     O Batismo nos confere uma vida divina, e nos faz filhos de Deus. É pelo Batismo que nós nos tornamos participantes na vida do Novo Adão. Portanto, a Graça do Batismo é uma Graça inerente à nossa alma, apagando todas as suas manchas, limpando-a de todas as suas corrupções, e comunicando a ela todas as virtudes infundidas, Fé, Esperança, Caridade, e os dons do Espírito Santo, que recupera-a bela e agradável na visão de Deus. Nós somos por este meio incorporados com Nosso Senhor, como membros com sua cabeça, e Deus nos adota como Seus filhos e nos faz herdeiros do Seu reino e co-herdeiros com Jesus Cristo.

4.     O Batismo torna-nos filhos da Igreja. Ela nos coloca entre os membros dos fiéis, dá-nos o direito para outros Sacramentos, e permite-nos a compartilhar todos os bens da nossa Mãe a Igreja. Sem o Batismo nós somos incapazes de receber outros Sacramentos, assim , portanto, a ordenação de uma pessoa a ser ordenada sacerdote sem ter sido batizada seria totalmente nula e teria que ser repetida após o seu batismo.

5.     O Batismo imprime na alma um sinal indelével, que evita o recebimento do Sacramento uma segunda vez. “Como, de acordo com a ordem da natureza, “ diz Sto. Agostinho, “nós podemos nascer apenas uma vez, portanto há apenas uma regeneração espiritual, e o Batismo nunca pode ser repetido.”

6.     Dos adultos a Igreja requer as seguintes disposições: a) consentimento; b) ; c) instrução, isto é para dizer o conhecimento das coisas que, pela necessidade dos meios e uma necessidade de preceito, deve ser aceito; d) sincero pesar por seus pecados.  

III.  

·      A necessidade da Fé. A fim de ser batizada, a pessoa deve fazer uma profissão da Fé. Isto é porque “Sem Fé é impossível agradar a Deus”(Hebreus 11:6). Nosso Senhor mandou os Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, masquem não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16).

·      O que é Fé? Fé é um dom de Deus, uma virtude supernatural pela qual nós cremos firmemente em tudo que a Igreja ensina, porque Deus o revelou, e Ele é a própria verdade.

1.     A Fé é um dom de Deus: isto é, nós não podemos tê-la pelos recursos de nossas próprias mentes ou esforços de nossas próprias vontades. A Fé é uma dádiva, um benefício, que somente pode proceder da liberalidade do nosso Pai Celeste.

2.     A Fé é uma virtude sobrenatural: isto é uma virtude que nos faz crer nas verdades que nós não podemos compreender pela simples luz da razão, e que são destinadas a nos conduzir para uma felicidade sem fim, e não a nossa dívida.

3.     Tudo que a Igreja ensina: a autoridade que nos instrui sobre as verdades da Religião sendo infalível, o bom senso indica que nós devemos receber todas aquelas verdades, sem que nos seja permitido escolher somente aquelas que nos convém, rejeitando as outras. Nós dissemos “tudo que a Igreja ensina”, pois cabe apenas à Igreja propor uma verdade como um artigo da Fé.

4.     Porque Deus a revelou: de fato, a Igreja nada inventa; ela está satisfeita em manifestar-nos as verdades que Deus confiou a ela como guardiã e mestra.

5.     Porque Ele é a própria verdade: o alicerce da nossa Fé é a veracidade de Deus, que não pode nos enganar nem Se enganar. Segue, portanto, que nós estamos um milhar de vezes mais certos no que diz respeito as verdades da Fé que com relação a coisas que nós vemos com nossos olhos, ou tocamos com nossas mãos, ou acreditar nos testemunhos dos homens. 

·       A fim de ser salvo, o homem deve possuir a Fé Divina - atual, explícita, exterior, uma Fé viva.

      A Fé Atual requer que o fiel faça atos formais da Fé, implícito ou explícito, tal como fazer o sinal da cruz, assistir com atenção a uma Missa, recitar a Oração de Nosso Senhor, aceitar aflições, etc.

      A Fé Explícita consiste em saber e crer distintamente e em detalhe as verdades da Religião: nós não estamos propensos em saber e acreditar todas elas com uma Fé explícita, porém apenas poucos artigos principais da Fé. Estes artigos da Fé estão contidos no Credo dos Apóstolos. Possuir uma Fé exterior é mostrar nossa Fé pelas nossas palavras e nossas obras. A Fé Viva é aquela que nos anima para a Caridade, e nos faz praticar as boas obras.

·       A Caridade é um dom sobrenatural de Deus, pela qual nós amamos a Deus acima de tudo e os nossos próximos como a nós mesmos, por causa de Deus. Nós mostramos que amamos Deus seguindo a Sua Vontade, obedecendo os Seus Mandamentos e os Preceitos da Sua Igreja, e ajudando a evangelizar o mundo. Pois Cristo diz:

·       Mateus 7:21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no reino dos céus.

·       1 Timóteo 2:3-4 “... Nosso Salvador, o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.”

·       João 14:15 Se me amais, observareis os meus Mandamentos.”

·       Mateus 28:19 Ide, pois, ensinai todas as nações: batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;”

·       Mateus 28:20 Ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo.”

·       Lucas 10:16 O que vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza, a mim despreza

·       As três boas obras eminentes são: oração, dar esmolas, e jejuar. (Vide Mini-Catecismo). 

IV. Sumário da Salvação

·       O que nós devemos fazer para salvar a nossa alma? Para salvar a nossa alma, nós devemos adorar Deus pela , Esperança e Caridade (como definidos acima); isto é, nós devemos crer Nele, esperar Nele, e amá-Lo com todo o nosso coração.