PÂNICO NA TERRA - Dom Sinésio Bohn

Jesus disse:
"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra se angustiarão os povos, desconcertados pelo estrondo do mar e das ondas" (Lc 21,25). E disse mais: "Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade saiam para os campos; os que estiverem no campo não voltem à cidade" (Lc 21,21).


Diante da grande devastação dos "tsunamis" ( "estrondo do mar e das ondas" ) na Ásia, vários líderes religiosos viram os sinais do fim do mundo. Outros foram oportunistas, como aquele que pregou: "Se o povo estivesse no templo, não teria morrido!".

A ocasião é propícia para a humanidade rever sua relação com a natureza, com a obra da criação. Inclusive é tempo de cada pessoa examinar seu projeto de vida à luz de valores que resistem ao transitório, pois, como lembra o Apóstolo, "a figura deste mundo passa". É, pois, tempo de conversão, "tempo favorável, tempo de salvação".

Diante da tragédia na Ásia, há um movimento de solidariedade, tanto de pessoas físicas como de instituições e de Estados. Quem não se comove com a morte de 50.000 crianças?! Mas vai revelada também a crueldade e a ganância vergonhosa do ser humano. É só lembrar o rapto de crianças órfãs na Ásia para serem vendidas como objeto de exploração sexual, de depósito de órgãos de transplante e de trabalho escravo. Haja proclamação do Evangelho da vida e do amor! Com palavras, com ações, com atitudes! E se vê como é oportuna a advertência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para assumirmos um estilo de vida simples e frugal. Até para a felicidade pessoal faz bem.

Alguém observou com sabedoria: "Numa sociedade não muito miserável, a água e o pão não faltam quase nunca. Na sociedade mais rica, o ouro ou o luxo sempre faltam".
É ótimo elevar o coração a Deus e viver já agora a experiência maravilhosa desta comunhão que esperamos plena, quando Deus "será tudo em todos". Mas isto não serve de motivo para os cristãos desistirem do compromisso de transformarem este mundo, segundo o plano de Deus.

Diz o Concílio Vaticano II: "A expectativa de uma terra nova, longe de atenuar, deve antes impulsionar a solicitude pelo aprimoramento desta terra". Ao "aprimoramento" pertence a dignidade humana, a fraternidade e a liberdade, sob a égide do amor.

Jesus disse: ´"Não conheceis o dia nem a hora". Portanto, assumamos firmes nosso compromisso com este mundo, tendo o coração saudoso do novo céu e da nova terra, pela graça do Senhor Jesus.

Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul - RS