PORQUE PADRES E BISPOS NÃO PODEM CASAR

O celibato na Igreja católica começou no Concilio regional de Euvira, na Espanha, de onde se espalhou para o Ocidente, até que o Concilio do Latrão o tornou obrigatório.

A Igreja foi entendendo melhor o que Jesus desejava; Ele foi celibatário, e a maioria dos Apóstolos também foram. Jesus elogia o celibato em Mt 19,12ss e S. Paulo o recomenda vivamente em 1Cor 7, 25ss. O celibato deixa o sacerdote livre de todas as preocupações familiares para se dedicar exclusivamente a Deus.

Só deve optar por ele quem de fato foi chamado por Deus a este tipo de vida.

O celibato do clero tem pois fundamento no próprio exemplo de Cristo, que não se casou.

O matrimônio tem como fim primeiro a procriação, ordenada por Deus a Adão e Eva quando lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos" (Gen., I, 28).

Deus fez o homem e a mulher para que tivessem filhos segundo a carne. Ora, esta geração material é símbolo da geração espiritual, realizada por Cristo com a Igreja, sua esposa, da qual nascem os filhos de Deus. Assim como Adão era o esposo de Eva, assim Cristo é o esposo da Igreja. Como Cristo não se separa da Igreja, o homem também não pode se separar de sua esposa. Assim como Cristo só tem uma Igreja, o homem só pode ter uma mulher.

Quem explica isto é São Paulo em sua Epístola aos Efésios (V, 21-33).

Sendo assim, a geração espiritual dos filhos de Deus é superior à geração física. Por isso, os sacerdotes são chamados a ter filhos espirituais da Igreja, porque o sacerdote é um outro Cristo.

É claro que se todos os homens fizessem voto de castidade, a humanidade desapareceria, o que contrariaria a ordem de Deus a Adão e Eva, para que se multiplicassem. Por isso, o voto de castidade e de celibato é exigido pela Igreja só de alguns, que querem seguir a Cristo de mais perto.

O voto de celibato ou o de castidade, assim como os votos de pobreza e de obediência são conselhos de perfeição de Cristo para alguns, e não para todos. Faz os votos quem quer. Feitos os votos definitivamente a Deus, eles já não podem mais ser retirados.

Disse-lhe que Cristo deu o exemplo de vida apostólica, e que Cristo não se casou, dando assim exemplo de como Ele queria que seus ministros vivessem.

Dos Apóstolos, parece que alguns foram, ou eram casados, mas desde que decidiram seguir a Cristo, deixaram tudo. Por isso Cristo disse:

"Todo aquele que deixar por amor de meu nome a casa, ou os irmãos, ou as irmãs, ou o pai ou a mãe, ou a mulher, ou os filhos, ou as fazendas, receberá cento por um e possuirá a vida eterna" (Mt XIX, 29).

Nem se diz uma palavra sequer sobre esposas dos apóstolos. A única alusão é feita com relação a São Pedro de quem se diz que tinha sogra, mas não mulher. Portanto, São Pedro era já viúvo quando conheceu a Cristo.

São Paulo, tratando do problema do casamento e do celibato diz:

"O que está sem mulher está cuidando das coisas que são do Senhor, de como há de agradar a Deus; mas o que está com mulher está cuidadoso das coisas que são do mundo, de como há de dar gosto à sua mulher e anda dividido. E a mulher solteira ou virgem cuida nas coisas que são do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito, mas a que é casada cuida nas coisas que são do mundo, de como agradará ao marido" (I Cor. VII, 32-35).

E São Paulo disse ainda:

"Digo também aos solteiros e às viúvas que lhes é bom se permanecerem assim, como também eu. Mas, se não tem o dom da continência, casem-se" (I Cor. VII, 8-9).

Portanto, São Paulo deixa claro a superioridade do celibato e da virgindade sobre o matrimônio embora ele também diga que casar é bom. Por isso, a igreja sempre defendeu o celibato dos sacerdotes.

Foi sempre em tempos de crise e de decadência religiosa que se contestou o celibato. Num desses períodos de crise é que a Igreja explicitamente ordenou por lei aquilo que sempre Ela praticou: o celibato eclesiástico.

No Oriente, devido também à separação de Roma, se permitiu o casamento dos sacerdotes, e o resultado disso foi mau.

Orlando Fedeli