TERRÍVEL DESASTRE - Matamos a Missa

Ainda tem poder de remissão infinito, mas as graças não chegam ao povo.

Qualquer termo que eu use para intitular este texto – pelo assunto que quero tratar – ficará sempre aquém da realidade, quem sabe em nossa língua pátria não se tenha um termo adequado, para definir numa palavra, a imensidão do desastre que ele representa. Quero que o amigo leitor procure analisar com frieza cada detalhe, sem se deixar levar pela emoção, sem se deixar motivar por pré-convenções, que naturalmente colocam em risco o entendimento da verdade. O sentido é tomarmos consciência para um tema que tenho insistentemente trazido à tona. Volto insistentemente a falar sobre a Santa Missa! E o título, embora chocante, poder ia bem ser assim: Matamos à Missa!
 
     Desde criança temos aprendido que a Santa Missa, com o Sacramento da Eucaristia – o Memorial da Paixão de Cristo – é o centro da vida da Igreja. Durante toda a minha vida, tenho lido sobre a vida dos Santos e Santas desta nossa grande Igreja, e vibrei com as descrições que eles fizeram deste tão assombroso mistério de nossa fé – eles cujos olhos viram a realidade que acontece ali – e pude assim me emocionar profundamente, com tanta sublimidade. De fato, sei mesmo, e sinto, que se nós mortais comuns víssemos o que acontece durante a celebração de uma Santa Missa, nunca mais sairíamos de dentro daquela igreja ou capela. A gente quereria morrer ali mesmo, de tanta felicidade.
 
     Eu fui criado e vivi, nos gloriosos tempos antigos, da Missa Tradicional, celebrada em língua latina, e de costas para o povo. Sim, naqueles tempos saudosos os sacerdotes celebravam à Missa de frente para Deus, pois sacrifício é oferenda, e Quem celebra é Jesus, que Se oferece ao Pai – não ao povo, e para o povo – como vítima expiadora dos pecados dos homens. Foi no correr dos milênios que a Santa Igreja conseguiu montar a fórmula santa, sagrada, perfeita, e salutar, de celebrar este memorial. Sim, para que os méritos de remissão dela fossem infinitos, como infinito é o mistério que a envolve. Marque isto: aquela Missa, era obra do próprio Deus. As palavras eram as Dele!
 
     E durante os os séculos, este mistério, doce e santo, foi celebrado da mesma e tradicional formula – a fórmula exata e perfeita, para surtir dentro da Igreja os efeitos poderosos dos méritos de Cristo, para a remissão das almas e a salvação de muitos. Eu, quando coroinha, dos sete aos doze anos, na realidade não entendia quase uma só palavra daquilo que repetia. E muitas vezes, especialmente no “Suscipiat” – uma das orações, apenas resmungava alguma coisa, como se fora oração em línguas, curvado até o solo aguardava um tempo, resmungando algo ininteligível, e então me levantava.
 
    O padre sabia disso! Sabia que a gente não pronunciava as palavras corretas, mas com certeza, Deus também o sabia. Eu disse bem e marquem: palavras corretas! E Deus rezava pela gente, por coroinhas pequerruchos como eu, pois como entenderiam aquela linguagem estranha? Deus a entendia também! E nossos queridos padres, Bernardo, Otto, Evaldo – aos quais ajudei – entendiam perfeitamente aquela circunstância, porque tinham consciência de estarem, celebrando, vivendo, o mais intenso dos momentos de suas vidas. Havia um clima de assombroso mistério naquelas Santas Missas antigas.
 
     Sim, um clima de pompa, de majestade e silêncio profundo, especialmente nas Santas Missas Solenes e especiais, com a bênção do Santíssimo. O povo – agricultores – também não entendia o latim – a língua dos anjos – talvez algumas palavras. E pronunciava mecanicamente o que lhe parecia ser o som correto, entretanto o clima, o ambiente que se formava durante estas celebrações, era algo inexplicável, com certeza explicável pela real presença de Deus ali, no meio daquele povo simples e de mãos calejadas, mas que acorria em turbas, pois quase ninguém ficava sem ir à Missa ao Domingo.
 
     Na verdade, naquele tempo a Santa Missa tinha algo de misterioso. Mesmo que não se entendessem as palavras da liturgia, mesmo que não se explicasse bem o sentido do rito, mesmo assim um véu de silencioso respeito cobria toda a assembléia. E quando eu, coroinha, batia a sineta na hora da consagração, um silêncio mortal desabava sobre aquela pequena Igreja, sempre abarrotada até as portas, tal que se podia ouvir o zumbir das moscas. Interessante, nenhuma criança chorava, ninguém tossia, e se podia até mesmo ouvir o arfar de peitos ofegantes. Que saudades, meu Deus, daqueles tempos!
 
     O povo não entendia as palavras, mas sentia os efeitos delas. Eram as palavras de Deus. Escolhidas pelo Espírito Santo. A comunhão de joelhos e na boca, dava um respeito profundo e um sinal claro de adoração. O fato de a pessoa comum não poder tocar nas sagradas espécies, apenas o sacerdote, falava de algo Altíssimo, misterioso e sublime. Algo que não somente tornava mais intenso o mistério, como trazia respeito único ao padre. A gente respeitava os padres. A confissão freqüente, no mínimo anual para todos, conseguia sem duvida trazer para a comunidade dilúvios de graças e bênçãos.
 
     Mas veio o Concílio Vaticano II. Na época, eu estava no seminário dos jesuítas, e na realidade a gente não tomou muito conhecimento do que se passava no Vaticano naquele tempo. E logo começou a ser aplicadas as novas diretrizes conciliares, em especial as relativas à nova Missa. Desde o início, meu coração sentiu que algo havia mudado. Acabara-se o mistério. Acabara-se a devoção! Um efeito negativo se abateu sobre nossas catedrais! A comunhão na mão desmistificou o mistério do Sagrado, e derrubou o padre de seu pedestal. Tudo sendo entendido, pela língua pátria, tirou o véu de mistério: Ah! É só isso? Então não é algo tão importante! Todo mundo pode fazer! Se todos podem tocar na Hóstia, então não é tão sagrada assim. Nem o padre é tão importante. Entenderam?
 
     Na realidade o Concílio foi, em muitas coisas, mal aplicado. Nos primeiros Domingos depois do início da Missa Nova, em língua pátria, com o padre voltado de frente para o povo, nossa comunidade se escandalizou. Interessante, não foi em si a nova Missa que nos escandalizou, mas o comportamento errado do sacerdote de então, que interpretou mal as disposições conciliares, e achou que havia liberado total. Ele, que nunca tínhamos visto sem batina – padre sem batina é mercenário, esconde-se – nos apareceu de calça comum. Tornou-se homem comum para o povo! ...E começou a morrer o sacerdócio!
 
     Não só isso, no Domingo seguinte ele era visto de calção, jogando vôlei com as moças – nada contra isso – mas para a comunidade puritana da época – bendito puritanismo – foi escandaloso. Mais que isto, o padre, em suas homilias, passou imediatamente a abrir o jogo, e entrou em intimidades sexuais dentro dos sermões, de modo que os casais se retorciam nos bancos, formava-se um clima de angustia, e parece que – todos eles – não se via mais a hora de disparar igreja afora. Os comentários eram os piores possíveis, um clima de caos entrou na nossa comunidade. Tudo mudou radicalmente.
 
     Mais algumas coisas contribuíram: Antes, havia uma infindável seqüência de sinais da cruz que se fazia durante a Missa. Havia mais momentos para se estar de joelhos como em adoração. No início da Santa Missa o sacerdote fazia o “asperges”, onde jogava água benta pelos corredores da Igreja, fato este que proíbe aos demônios de adentrarem ali para tentar as pessoas, e era isso que preparava o ambiente santificando-o. Quando isso deixou de ser feito, abriu-se um espaço para a dissipação, e isso aliado à forma abrupta com que as novas disposições foram implementadas, causou um impacto muito negativo.
 
     Além disso, ao final da Santa Missa, eram sempre feitas orações especiais, pelo povo, pela Igreja e pela pátria, e também ao final era rezado o pequeno exorcismo de São Miguel Arcanjo, conforme a tradição cultivava. E isso tudo era benéfico e salutar, tanto que – ao meu ver e o de muitos observadores – foi exatamente a partir do decreto de Paulo VI, que desobrigava as chamadas “orações miquelinas”, que começou a ruína mais acentuada da Igreja. Não somente da Igreja, mas de todo mundo, política, governos, tudo.
 
     Eu falei em ruína da Igreja e acredito que o leitor, que nos acompanha ha mais tempo deve ter entendido. Quero reafirmar que – a meu ver e no de muitos católicos atentos – a ruína da Igreja Católica, começou com a destruição da Missa. Palavra forte? Destruição? Antes de qualquer coisa, quero dizer a todos que a Missa Atual continua tendo valor, e valor infinito, porque continua sendo Jesus quem a celebra e o Espírito Santo quem atua nela, e a transubstanciação acontece. O que a destruiu foi o comportamento dos homens. E vou mostrar adiante os motivos e mostrar números que chocarão o leitor. Antes, quero voltar a lembrar a forma como esta Missa entrou na Igreja. Na realidade, ela deveria ter sido aplicada apenas a título experimental. O Papa Paulo VI não a queria!
 
     Veja, durante séculos o efeito da Missa, da adoração Eucarística, foram as barreiras que travaram o crescimento do poder das trevas sobre o mundo. A Missa celebrada em latim, de frente para Deus, com aquela devoção, com a presença de tantos adoradores, não permitia o avanço das trevas, sobre as comunidades e as famílias. Sim, porque quando as pessoas de nossa comunidade, em estado de graça, recebiam a Eucaristia, tornavam-se sacrários vivos, e durante a semana permanecendo em graça, travavam, oprimiam a ação dos demônios, que não conseguiam assim destruir as famílias.
 
     No Livro “Os Tempos do Fim” do escritor Olivo Cesca conta-se a forma insidiosa como o Papa Paulo VI foi enganado pelos cardeais em relação a esta Missa. Ela na realidade foi feita por um cardeal maçônico e herege, auxiliado apenas – pasmem – por seis pastores protestantes. O Papa foi forçado a aplicar esta Missa a título experimental e isso apesar dos votos contra de 2/3 dos bispos do mundo inteiro. Esta foi uma vitória – talvez a maior – dos modernistas, e sem dúvida este o motivo pelo qual chegamos a este terrível desastre. E vou mostrar que foi, sem dúvida, a primeira vez em toda a história da Igreja que o demônio conseguiu dominar uma “cabeça de ponte”, na estratégia de nos destruir.
 
     Bem no inicio eu falei que a Santa Missa tem poder de remissão, infinito, porque são infinitos os méritos da Paixão de Jesus Cristo. Mas veja, se isso realmente estive provocando este efeito, de verdade – se falamos de remissão das almas do purgatório – isso não permitiria jamais que o número de almas aumentasse lá, antes, não deveria haver quase nenhuma alma no purgatório, ou poucas. Então – tendo acesso aos números do purgatório através do Salvai Almas – comecei a desconfiar que algo estava errado, porque seria impossível – caso a Missa tivesse mesmo este efeito – que o número de almas no purgatório chegasse a um número próximo de três bilhões, isso no inicio de 1998.
 
     Primeiro: segundo estatística recente de uma revista francesa, a Igreja católica perdeu mais de 100 mil padres, que largaram suas batinas para o casamento ou apostataram, motivados pelo Concílio Vaticano II. Este desastre foi mortal para a Igreja, porque, em síntese, significam 100 mil Missas a menos sendo celebradas todos os dias. Não sei o número de Padres hoje, mas alguns falam em mais de um milhão, outros 450 mil ainda ativos. Então vamos ficar com este numero: 450 mil, para exemplificar! Vamos fazer algumas matemáticas, para que o leitor compreenda a extensão do desastre e medite.
 
     Veja, São Miguel disse noutro dia, que entram em média 150 mil almas por dia no purgatório. Então façamos as contas: 1 - Mesmo que – segundo Santa Francisca – as almas fiquem em média 30 anos lá, ainda assim, passados os primeiros trinta anos – quando os números tenderiam a crescer, mesmo devagar – a partir de então deveria haver um equilíbrio. Ora, a matemática nos diz que para acumular no purgatório 150 mil almas por dia, precisaríamos de 20 mil dias, ou seja: 55 anos, e isso somente entrando, sem sair de lá nenhuma alma. Ou então, isso nos diz que milhares de almas, que estão lá, devem permanecer por dezenas de milênios, o que seria algo inimaginável. De fato, seria impossível, porque o aumento do número de Missas, deveria automaticamente contribuir para a total eliminação do purgatório, mas isso não aconteceu. Como?
 
    Vejam: se nós temos realmente 450 mil padres, mesmo considerando que alguns – infelizmente, para eles e para o mundo – não celebram todos os dias, mas considerando que muitos – como o nosso – celebram em média duas, diariamente, isso significaria que, se a cada três Missas se salvasse uma só alma o purgatório não deveria de aumentar. No outro extremo: se digamos, apenas um em cada três padres ainda celebre diariamente – seriam 150 mil missas diárias – se cada Missa salvasse apenas uma única alminha, uma só, nada mais que uma por Santa Missa, igualmente o purgatório tenderia apenas a diminuir, mesmo com este grande número de entradas diárias.
 
     Como fica então? Onde a explicação para estes números desastrosos? Sim, porque nós devemos considerar que milhões de almas são remidas do purgatório anualmente, não pelo efeito prodigioso das Santas Missas, mas sim pelas orações, sacrifícios, sofrimentos, caridades, e mil outros atos de amor, feitos pelos fiéis que amam as padecentes. Temos só no Brasil mais de 100 mil pessoas que rezam assiduamente pelas almas e este número, e estas orações, e todos estes sofrimentos não são desprezíveis. Até porque, é aqui que se encaixam movimentos como o Salvai Almas e tantos outros que se dedicam às almas.
 
     Querem que eu seja mais claro? Pelas contas e números que apresentei, na realidade, a Santa Missa, embora todos os seus poderosos efeitos, embora todos os escritos que lhe imputam extraordinário vigor – e ela efetivamente tem, mesmo a Nova Missa, eu não nego isto – com efeito não está mais salvando almas, ou poucas. Ou seja, o purgatório apenas acumulou estes números assustadores, a partir da aplicação da Nova Missa e do relaxamento geral que se seguiu. Nós pensávamos que seria o sol da Igreja, a sua redenção – como bem o disse o Papa Paulo VI quando encerrou o Concílio – mas na realidade ela foi parte da fumaça de satanás que o mesmo Papa viu entrar na Igreja, pelas frestas e batentes. Nos iludimos  pensando que aumentaria o nosso fervor o fato de entender a Missa. Deus-se o contrário: perdemos a fé! Perdemos dilúvios de graças!
 
     Nós sabemos que o amor é a medida de todas as coisas: mais ou menos amor no que se faz, este é o fator determinante do mérito e da graça. Para me apropriar de uma graça, é preciso que eu tenha , que ame e acredite naquilo. Nós sabemos que a obediência é uma das virtudes queridas por Deus, que a presa demais. Mais ainda, sem a humildade simplesmente não existe espaço para a graça, porque na falta dela satanás entra. Enfim, num quinto elemento essencial, precisa o estado de graça, a alma isenta de faltas graves, pois esta a única forma de se apropriar dos méritos infinitos da Paixão de Cristo. Ou seja, para uma Missa precisa-se de: amor, fé, obediência, humildade e estado de graça.
 
     Onde está isso na Missa de hoje? Veja: lá no início de nossa caminhada, em 1998, Nossa Senhora nos disse que já 2/3 dos sacerdotes não acreditam mais na presença de Cristo na Eucaristia, pior, não acreditam nem sabem que Cristo É a Eucaristia! Então, se o padre celebrante – na pessoa de Cristo – não acredita, como poderá amar a aquilo em que não crê? Não somente amar, mas viver com fé profunda? E se ele não tem a humildade suficiente para se manter confesso, em estado de graça, como poderá sua Missa levar ao povo e às almas os seus poderosos efeitos, se o pecado ocupa todo o espaço destinado à graça? E tal com o padre, também com os leigos!
 
     Vejam: as novas disposições do Concílio, com todas as suas ambigüidades, permitiram aos que as aplicaram um sem número de variantes e de interpretações. Hoje ainda existe um debate acirrado entre dois lados, os que defendem a letra – o que está escrito – e os que defendem o espírito do Concílio – o que ele quis dizer – e na realidade não se chega a um consenso. Ora se existe uma possibilidade de dúvida, de diferente interpretação, logo esta doutrina é ruim, e não pode ser dogmática – e o Papa João Paulo II afirmou claramente que as disposições do Concílio não são dogmáticas, e sim apenas sugestões – porque a verdadeira doutrina não permite qualquer ambigüidade, dúvida, engano ou diversidade de interpretações.
 
     Este espírito maldito, protestante e modernista, que não se mantém humilde na verdade, mas exige a constante mutação, exige a evolução dos conceitos, da interpretação da Bíblia, tornando isso possível para qualquer um, é o que fatalmente descamba e desemboca na doutrina de qualquer um. Nos milhares de seitas! Ou seja, não bastasse destruir a Missa verdadeira, o Concílio contribuiu largamente para a explosão das seitas, até porque a perda de 100 mil padres já é sintoma de uma apostasia furiosa. De um movimento satânico que está chegando aos alicerces da Igreja, pois nada faz prever que este processo se interrompa, sem a ação salvadora e direta do Céu.
 
     Mas ainda se explica tudo com estes números, porque alguma coisa não fecha bem. Vejam, existem muitos bons padres, que celebram com amor. No início dos trabalhos de nosso movimento, colocamos algumas Missas para Nossa Senhora, e tivemos casos de Missas, com caminhada, procissão em homenagem a ela, que renderam a libertação de mais de 60 mil almas, numa só. E houve muitas destas. Com apenas um só sacerdote, meu grande amigo, fizemos mais de 150 caminhadas assim, com Nossa Senhora. Sempre com Missas e grande número de remissões. Porque, sim, temos padres santos, cujas Missas – mesmo a Nova Missa – salvam milhares de almas. Um, que conheço, tem a graça de remir 397 almas a cada Missa que rezar, até o fim de seus dias. E agora?
 
     Eu falei em estado de graça, tanto dos sacerdotes, quanto dos fiéis. Para que a graça aconteça é imprescindível que as pessoas estejam com a confissão em dia, e que não se aproximem da mesa do Senhor com pecados graves. São Paulo na Carta aos Coríntios diz que, quem assim faz, come e bebe a própria condenação. Ora, em mais de 150 das igrejas onde passei, apenas em duas o Ministro da Comunhão alertou quanto a isto. Sobre o terrível desastre que é a comunhão sacrílega por parte dos fiéis. Sim, e também da parte do sacerdote que celebra a Santa Missa, em pecado mortal, o que se configura um tremendo sacrilégio também, porque ele igualmente se alimenta do Corpo de Jesus.
 
     Certa feita Nossa Senhora mostrou a fila da comunhão a ele, e fez ver as pessoas que dela se aproximavam –  embora na realidade bem vestidas – com roupas de molambos, sujas e rasgadas e disse: vês a fila da comunhão? O que vês? Uma fila de renegados, maltrapilhos, malcheirosos, arrastando-se escandalosamente a passos pesados, num barulho ensurdecedor. Um a um vão receber o Corpo do meu divino Filho... O tesouro mais caro, vai parar no âmago mais sujo, nojento, diabólico de milhares de pessoas. Esta a fila da comunhão, de milhares de Igrejas deste país e do mundo. Como já disse acima, apenas em duas cidades – Rio Negrinho-SC e Carlópolis-PR – os fiéis ficaram na maioria no banco. Nas outras 148 foi um desastre. Na minha é um desastre!
 
     Mas que tem a ver isto? Tem a ver com a graça, e tem a ver com a desgraça. Ora no lugar onde falta a graça, entra a desgraça. Da mesma forma como uma pessoa que recebe a Sagrada Eucaristia em estado de graça se torna um sacrário vivo, inversamente aquele que o faz em estado de pecado grave, torna-se um receptáculo do inferno, faz de sua alma um covil de demônios, e por onde anda levará a desgraça atrás de si. Por qual motivo tantas famílias estão em desgraça? Porque em milhares delas existem sacrílegos, que blasfemaram o Corpo Santo de Jesus! Levam junto, então, a maldição. A condenação!!
 
     Alguém me poderá dizer que a maioria das pessoas vai comungar sem saber e eu até concordo com isto. Mas experimente você alertar a algum deles, sobre este fato, para ver se ele muda de vida. Não ele continuará igual. Ele achará que está certo e louco é quem faz diferente. Dirá como certa eminência, que fazemos doutrina quando dizemos que, quem num Domingo deixar de assistir Missa, por culpa ou por preguiça, no Domingo seguinte não poderá comungar sem antes se confessar, sob pena de cometer um sacrilégio, pois isso é falta grave. Tal como é falta grave não se confessar, e comungar pelo menos uma vez a cada ano pela Páscoa. É falta grave não cumprir este preceito.
 
 
     Em resumo, podemos dizer: O primeiro motivo de esta Missa atual ter perdido seu efeito, foi o fato de que os homens, hereges de fato, trocaram a Missa instituída por Deus e que produzia bons efeitos, por uma Missa dos homens, de efeito quase nulo. Sim Pedro – enganado pelos maus – a ligou na terra. Então está também ligada no Céu! Mas acham mesmo que tudo tem sido feito na Igreja por obra do Espírito Santo? Não, de forma alguma. O simples fato de que 2/3 dos bispos se posicionaram CONTRA esta Missa no início, já é uma prova de que – tendo sido forçada mesmo assim – não foi coisa boa.
 
     O segundo passo, foi a tremenda evasão de sacerdotes e o aumento assombroso do número daqueles que não acredita mais no mistério que celebra. E assim o faz sem amor, sem fé, sem respeito, sem entender, sem viver a realidade da qual ele é parte. Além disso, como as normas do Concílio não eram claras e propositadamente foram feitas para levar a confusão e a possibilidade de interpretação individual, permitiu que houvesse uma geral e acintosa desobediência quanto ao rito. Cada padre reza a Missa como quer. Reza para agradar grupos! Reza Missas com ritos proibidas pelo Papa. Também faltou humildade dos padres para que acatassem as ordens do Bispo nas duvidas, e estes do Papa, até porque ainda hoje se ignoram homéricamente todos os documentos da Santa Sé em relação à Eucaristia. É o caso específico das últimas Cartas de João Paulo II.
 
     Com as celebrações sem amor, sem fé, sem devoção, entraram imediatamente todos os elementos estranhos possíveis, que foram eliminando uma a uma qualquer possibilidade benéfica da Missa. Músicas com letras desvirtuadas! Letras de sentido dúbio quando não heréticas. Eliminaram-se os cantos antigos e indulgenciados e a modernidade exigiu que adentrassem nela os instrumentos profanos – quando não instrumentos de culto a satã – como batuques e tambores, ao tempo em que sumiram os órgãos e o harmônio.
 
     Já disse: experimentem invocar satanás num terreiro de macumba, tocando um harmônio! Duvido que ele vem! Mas com pandeiro, tambor e com zabumba, sem dúvida. Entenderam? O harmônio toca a música do Céu, e evoca o amor. O atabaque, a música maldita, que evoca a orgia. É no que se transformaram muitas missas! O harmônio e o órgão, convidam à meditação, à compunção interior, à meditação profunda da Paixão de Cristo. O tambor irrita, convida para a guerra e incita a morte. Rufa o tambor quem incita e exacerba a violência, e quer matar. O próprio violão é para divertimento não adoração!  Quem diz o contrário é porque não entende os artifícios do diabo, justo por isso chegamos a este estado de coisas. Pensam que estes detalhes não contam? Como se enganam!
 
     Com todo este clima de desgraça, falta acrescentar o último motivo do desastre: os milhões de sacrilégios, bilhões deles todos os anos. Na realidade, este é o golpe de misericórdia dado no Santo Sacrifício. Os sacrilégios – dos padres e dos fiéis – não só destroem todo o efeito positivo que a Missa tem e poderia proporcionar, como ainda vão mais além: eles são o motivo do aumento da força pecaminosa que assola a terra, e faz com que o mal avance com toda a sua impetuosidade. Melhor não celebrassem tais missas – que elas re-crucificam a Jesus, melhor não as assistissem, pecariam menos -  Já foi dito que a Eucaristia é a chave de tudo, então agora se viu o que foi que abriu a guarda da Igreja e escancarou as portas do mal. O descaso, o desleixo, o desamor, a desobediência, com a Santa Missa: Eis aí o motivo do mais terrível dos desastres!
 
    Ou seja: para que a Missa tenha poder de remissão, infinito, é preciso que o Padre que a celebra, acredite fortemente nisso. É preciso que ele AME, ardorosamente aquilo que faz. O que não está acontecendo! Também o leigo que dela participa, deve ter amor pela salvação das almas, e desejo ardente de se apropriar das graças a ela inerentes. E a imensa maioria não faz isto! Vai lá pedir para si, no máximo para pedir questões financeiras, trabalho, faculdade dos filhos, mundo! Enfim, se todos ou a maioria vai lá em estado de sacrilégio isso elimina completamente o bom efeito. Sem falar das modas indecentes com que milhões de mulheres vão receber Jesus no Santíssimo. Ai delas!
 
     Mas, atenção: ficará ainda pior! Se já agora estamos neste estágio, com sacrários nas laterais, com sacrilégios aos borbotões, imaginem quando os sacrários caírem! Então não haverá mais a presença de Deus, e a orgia da abominação que se irá celebrar, na verdade será como um culto a satã. Será um reles culto pagão! E todos os sacerdotes que hoje não compreendem este tão grande mistério, todos aqueles que continuam ainda achando que o Concílio Vaticano II foi a redenção da Igreja, todos aqueles que não perceberam o desastre que foi para a Igreja a introdução forçada, traiçoeira, e maligna desta nova Missa – não ela em si  mas sim a forma como foi feita e introduzida, e é vivida – todos estes padres apostatarão da fé, e seguirão o galope triunfante do cavalo negro do anticristo.
 
     E os leigos os seguirão em triunfo. Um grande brado de rebeldia será dado em breve, e será o sinal do caos iminente: o sinal que se prevê é a saída deste Papa. E um falso haverá de alargar as avenidas para o séqüito asqueroso. Então, apenas poucos padres, do fundo das cavernas, do fundo dos esconderijos, das novas catacumbas, continuarão a celebrar validamente e consagrando validamente para o bem de alguns poucos fiéis. Sim, a Eucaristia, com estes poucos padres e leigos fiéis vencerá. Todo o sacerdote, que ler este texto, que o contestar sem entender, pode saber que já tem seu cavalo encilhado para seguir as hostes infernais. Para um breve triunfo, para um fim horrendo! Dou a minha mão à palmatória: me dêem apenas um tempinho a mais!
 
    Resumindo, a Santa Missa, mesmo esta nova, é válida e continua tendo valor infinito. Mas as graças não chegam mais ao povo – à maioria – nem às almas, porque não são mais cumpridos antes os pressupostos necessários à apropriação delas. Como isso, a Santa Missa não somente não consegue mais chegar ao objetivo de salvar tornando-se, antes, em causa de juizo9 e condenação de muitos. Para os padres que celebram sem amor profundo ou a celebram sacrilegamente, ou para os leigos de escândalo que para ela vão, em estado pecaminoso e sacrílego, melhor para ambos não rezar mais, nem ir. O pecado seria bem menor, o desastre menos terrível.
 
     Eu quisera estar totalmente errado. Quisera ser castigado sozinho, se estivesse errado ou assim induzindo alguém ao erro. Mas por um amor exacerbado à Santa Igreja, por um sentimento de adoração cada vez mais profundo a Jesus Eucarístico, me obrigo a fazer este último apelo: salvem à Igreja! Salvem o mundo! Voltemos à Missa antiga, a de Pio V. Mas se bento XVI fizer isso, temo que tenha que encomendar seu caixão. Satanás sabe muito bem que isso seria o fim do reino dele aqui.
 
    Ou voltemos a amar, viver com a vida, e a participar com fé deste Maravilhoso Mistério. Só a Eucaristia tem poder de salvar o mundo! Sem ela, estamos nas garras do inimigo! Ainda bem que temos alguns padres bons e santos, que celebram com profundo amor e em obediência plena ao Missal. Não fossem estes, o caos já teria dominado a terra.
 
Aarão